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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 51

STELLA HARPER

— E o que vocês acham… de ter outro pai?

Meu coração parou por um segundo inteiro. O garfo que eu segurava escorregou dos meus dedos e bateu no prato com um estalo metálico que ecoou pela cozinha.

Apollo e Orion também congelaram, os olhinhos arregalados e confusos. Era como se não soubessem se aquilo era uma piada, uma pergunta séria ou apenas mais uma das provocações de adulto que eles não entendiam.

— Outro pai? — Orion repetiu, franzindo o nariz. — Mas… a gente já tem o papai Alexander.

O nome saiu inocentemente, e ainda assim fez Damian trincar o maxilar.

— Você quer dizer… dois pais? — Apollo, inclinou a cabeça para o lado.

Meus olhos voaram para Damian, queimando. Eu queria gritar, queria me levantar e arrastá-lo dali pelos ombros, mas ele nem olhou para mim. Não olhou sequer por um instante. Seus olhos estavam presos neles, apenas neles. Nem falamos sobre o momento certo de contar aos meninos, mas eu com certeza não usaria essa abordagem.

— Sim. — disse, com calma. — Dois pais. Vocês já têm o Alexander, eu sei disso. Mas eu gosto muito de vocêw, não acham mais divertido ter dois pais?

Apollo piscou, mastigando devagar. Orion baixou o pedaço de pizza no prato, ainda mais pensativo.

Damian então inclinou-se um pouco sobre a mesa, com as mãos entrelaçadas diante dele.

— Não estou brincando, eu gosto muito de vocês dois. Muito mais do que consigo explicar. — pausou, como se buscasse as palavras certas. — E eu gostaria de ser pai de vocês também.

Ele falava aquilo como se fosse a coisa mais simples do mundo. Como se não tivesse nada de errado em bagunçar a cabeça de duas crianças com uma ideia tão absurda.

— Damian… — consegui soltar, entre dentes cerrados, mas ele continuou como se minha voz fosse vento.

— Não é que o Alexander deixe de ser importante. — disse, olhando diretamente para Orion, que o observava sério. — Mas vocês podem ter mais de um pai. Mais gente para amar vocês, cuidar de vocês, torcer por vocês. E eu… eu quero muito isso.

Orion olhou para o irmão, como sempre fazia quando precisava de orientação. Apollo, demorou a responder. Então, devagar, voltou os olhos para Damian.

— Mas… você já é meio que parte da nossa vida, não é? Você cuida da mamãe. Brinca com a gente. Você nos trouxe para essa casa e deu quartos bonitos aqui.

Damian sorriu. Não aquele meio-sorriso arrogante que eu conhecia tão bem. Não o esboço contido de vitória que ele costumava soltar quando conseguia o que queria. Não.

Foi um sorriso aberto, largo.

Não lembro de já tê-lo visto sorrir assim antes.

O sorriso dele me fez perder o fôlego. Não parecia encaixar no homem que eu conhecia, aquele que sempre me tratava com frieza, como se fosse feito de aço e gelo. Damian Winter parecia humano.

— Sim, Apollo. — disse com firmeza, mantendo os olhos sobre eles. — Eu já faço parte da vida de vocês. Mas eu quero fazer muito mais. Quero estar aqui em todos os momentos, quero dividir as alegrias e as broncas. Quero ser alguém que vocês possam chamar sempre que precisarem… e quero ser pai de vocês de verdade.

O atrevimento dele não tinha limites. Até eu já estava convencida.

Orion desviou o olhar para o irmão. Meus meninos tinham esse código silencioso. Orion, inclinou-se para perto de Apollo, e eu os vi cochicharem rápido, quase como se fossem cúmplices em um segredo urgente.

Segurei o ar, esperando.

Por fim, Apollo ergueu os olhos de volta para Damian.

— Nós gostaríamos muito… papai Damian.

Meu corpo inteiro estremeceu.

Orion confirmou com a cabeça, e repetiu em voz clara:

— Sim. Gostaríamos muito. Papai Damian.

O silêncio que se seguiu pareceu expandir as paredes da cozinha. Eu senti o chão ceder debaixo dos meus pés.

Damian fechou os olhos por um instante, como se gravasse aquelas palavras no fundo da alma. E quando os abriu, havia algo quase inquebrável ali. Ele se levantou devagar, contornou a mesa e, sem hesitar, passou as mãos pelos cabelos dos dois, puxando-os para um abraço apertado.

— Terça-feira? — perguntei, engasgada. — Damian, nós não combinamos isso, dois dias é pouco tempo e durante a semana eu trabalho.

Ele apenas arqueou a sobrancelha, destravando a porta do carro para que eles corressem até o portão.

— Eu já decidi. — respondeu antes de sair.

Meu sangue ferveu. Mas quando olhei pela janela e vi meus filhos pulando de alegria na calçada, percebi que qualquer palavra minha seria esmagada entre a expectativa deles e a determinação de Damian.

[...]

Estava colocando os meninos para dormir, quando Apollo se virou para mim com os olhos brilhantes.

— Mamãe, você acha que o papai Damian vai contar histórias pra gente também?

— Talvez, querido. — respondi, passando a mão em seu cabelo.

Orion, do outro lado, murmurou:

— Ele pareceu… feliz.

— Como não ser feliz tendo dois filhos tão lindos?

Dou um beijo em cada um e saio do quarto indo em direção a sala para ver um pouco de televisão.

Mas então, um barulho vindo da cozinha me fez congelar. Um pequeno estalo. Como se alguém tivesse mexido na janela.

Meus olhos se arregalaram, e minha respiração ficou suspensa quando ouvi passos.

Alguém estava ali.

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