STELLA HARPER
— E o que vocês acham… de ter outro pai?
Meu coração parou por um segundo inteiro. O garfo que eu segurava escorregou dos meus dedos e bateu no prato com um estalo metálico que ecoou pela cozinha.
Apollo e Orion também congelaram, os olhinhos arregalados e confusos. Era como se não soubessem se aquilo era uma piada, uma pergunta séria ou apenas mais uma das provocações de adulto que eles não entendiam.
— Outro pai? — Orion repetiu, franzindo o nariz. — Mas… a gente já tem o papai Alexander.
O nome saiu inocentemente, e ainda assim fez Damian trincar o maxilar.
— Você quer dizer… dois pais? — Apollo, inclinou a cabeça para o lado.
Meus olhos voaram para Damian, queimando. Eu queria gritar, queria me levantar e arrastá-lo dali pelos ombros, mas ele nem olhou para mim. Não olhou sequer por um instante. Seus olhos estavam presos neles, apenas neles. Nem falamos sobre o momento certo de contar aos meninos, mas eu com certeza não usaria essa abordagem.
— Sim. — disse, com calma. — Dois pais. Vocês já têm o Alexander, eu sei disso. Mas eu gosto muito de vocêw, não acham mais divertido ter dois pais?
Apollo piscou, mastigando devagar. Orion baixou o pedaço de pizza no prato, ainda mais pensativo.
Damian então inclinou-se um pouco sobre a mesa, com as mãos entrelaçadas diante dele.
— Não estou brincando, eu gosto muito de vocês dois. Muito mais do que consigo explicar. — pausou, como se buscasse as palavras certas. — E eu gostaria de ser pai de vocês também.
Ele falava aquilo como se fosse a coisa mais simples do mundo. Como se não tivesse nada de errado em bagunçar a cabeça de duas crianças com uma ideia tão absurda.
— Damian… — consegui soltar, entre dentes cerrados, mas ele continuou como se minha voz fosse vento.
— Não é que o Alexander deixe de ser importante. — disse, olhando diretamente para Orion, que o observava sério. — Mas vocês podem ter mais de um pai. Mais gente para amar vocês, cuidar de vocês, torcer por vocês. E eu… eu quero muito isso.
Orion olhou para o irmão, como sempre fazia quando precisava de orientação. Apollo, demorou a responder. Então, devagar, voltou os olhos para Damian.
— Mas… você já é meio que parte da nossa vida, não é? Você cuida da mamãe. Brinca com a gente. Você nos trouxe para essa casa e deu quartos bonitos aqui.
Damian sorriu. Não aquele meio-sorriso arrogante que eu conhecia tão bem. Não o esboço contido de vitória que ele costumava soltar quando conseguia o que queria. Não.
Foi um sorriso aberto, largo.
Não lembro de já tê-lo visto sorrir assim antes.
O sorriso dele me fez perder o fôlego. Não parecia encaixar no homem que eu conhecia, aquele que sempre me tratava com frieza, como se fosse feito de aço e gelo. Damian Winter parecia humano.
— Sim, Apollo. — disse com firmeza, mantendo os olhos sobre eles. — Eu já faço parte da vida de vocês. Mas eu quero fazer muito mais. Quero estar aqui em todos os momentos, quero dividir as alegrias e as broncas. Quero ser alguém que vocês possam chamar sempre que precisarem… e quero ser pai de vocês de verdade.
O atrevimento dele não tinha limites. Até eu já estava convencida.
Orion desviou o olhar para o irmão. Meus meninos tinham esse código silencioso. Orion, inclinou-se para perto de Apollo, e eu os vi cochicharem rápido, quase como se fossem cúmplices em um segredo urgente.
Segurei o ar, esperando.
Por fim, Apollo ergueu os olhos de volta para Damian.
— Nós gostaríamos muito… papai Damian.
Meu corpo inteiro estremeceu.
Orion confirmou com a cabeça, e repetiu em voz clara:
— Sim. Gostaríamos muito. Papai Damian.
O silêncio que se seguiu pareceu expandir as paredes da cozinha. Eu senti o chão ceder debaixo dos meus pés.
Damian fechou os olhos por um instante, como se gravasse aquelas palavras no fundo da alma. E quando os abriu, havia algo quase inquebrável ali. Ele se levantou devagar, contornou a mesa e, sem hesitar, passou as mãos pelos cabelos dos dois, puxando-os para um abraço apertado.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!