STELLA HARPER
O estalo na cozinha me paralisou. Meu coração disparou, e por um instante senti o ar faltar. Lentamente, girei o olhar para a porta que ligava a cozinha à sala de estar. E ali estava ele: um homem encapuzado, meio escondido nas sombras, segurando algo que eu não consegui identificar imediatamente.
— Quem… — consegui engasgar.
Antes que eu pudesse completar a frase, um dos guardas que Damian sempre mantinha por perto entrou pela porta da sala principal. Em um movimento rápido e preciso, o guarda o agarrou pelo braço, desarmando o invasor que tentou reagir. A luta foi curta, mas intensa; senti a adrenalina percorrer minhas veias, a cada segundo o coração batendo como se quisesse escapar do peito.
— Fique para aí, senhora Harper! — o guarda ordenou, mantendo o homem preso.
Logo depois, Jonas entrou, respirando fundo, com os olhos varrendo a sala e depois pousando sobre mim.
— Está tudo seguro agora — disse ele com firmeza, tentando me tranquilizar. — O vimos na janela, mas ele entrou antes que pudéssemos alcançá-lo. Não conseguiu fazer nada para impedi-lp de chegar tão perto, mas… tudo está controlado.
Concordei, embora minha mente estivesse em turbilhão. Controlado? Controlado não parecia a palavra certa. Minhas mãos tremiam, meu corpo inteiro estava em alerta. O invasor estava sendo levado pelos guardas, ainda lutando, e eu me peguei observando cada detalhe, tentando gravar a cara dele, mas a adrenalina fazia com que tudo se confundisse na minha mente e de qualquer forma não acho que o conheço.
— Está tudo bem, senhora Stella? — Jonas perguntou de novo, desta vez suavizando o tom. — Você não se machucou?
— Não… — respondi, engolindo em seco, ainda incapaz de mover-me com naturalidade. — Não, eu… eu acho que não.
Minutos depois, quando me sentia mais calma e o movimento de guardas cessou, o barulho de um carro chegando chamou minha atenção. Damian entrou correndo pela porta da frente, e o que vi me deixou atordoada. Seus olhos estavam dilatados, a respiração curta, o terno ainda impecável, mas completamente desalinhado pelo nervosismo.
— Stella! — ele gritou assim que cruzou a sala. — Me diga que você está bem! — aproximou-se rapidamente, passando as mãos pelo meu rosto, verificando minha cabeça, meus braços. — Ele tocou em você? Não está machucada, não é? Nossos garotos estão bem? — ele disparava perguntas como um bombardeio, o medo estampado no rosto como eu nunca tinha visto.
— Damian… — consegui balbuciar, ainda em choque. — Está tudo… tudo bem, eu acho.
Ele me examinava de cima a baixo, segurando meu queixo, olhando cada ferida invisível que pudesse ter.
— Stella, me diga a verdade. — insistiu, a voz ficando mais baixa, quase implorando. — Você está visivelmente em pânico, o que ele fez? E onde estão Apollo e Orion? — seus olhos procuravam cada canto da sala como se temesse que algo pudesse acontecer a qualquer momento.
— Eles estão no quarto deles dormindo… — respondi, sem revelar que meu pânico estava mais relacionado ao pânico dele. — Não viram nada, estão seguros.
Ele suspirou fundo, aliviando apenas parcialmente o corpo tenso que eu via. Ainda assim, não conseguiu relaxar completamente. Damian andava de um lado para outro, olhando pela janela, conferindo a porta da cozinha, depois voltando para mim.
— E Jonas? Os guardas? — perguntou, como se precisasse de garantias extras. — Não que eu ainda tenha muita confiança neles agora, mas são melhor que nada por enquanto.
— Eu não consigo acreditar que alguém tenha ousado… — murmurou, com os punhos fechados e os olhos faiscando de raiva. Ele me segurou pelo ombro, firme, mas não agressivo. — Prometo que ninguém mais vai colocar vocês em perigo. Eu juro.
Eu queria acreditar, mas havia uma sombra de desconfiança em mim. A sensação de vulnerabilidade corroía a confiança que eu poderia ter nas palavras dele.
Damian percebeu meu olhar, e seu tom ficou mais suave.
— Stella… eu sei que é difícil acreditar agora. Mas eu estarei sempre aqui. Com vocês. Com meus filhos. Nada vai acontecer sem que eu saiba primeiro. — Ele suspirou. — Preciso que você confie em mim, só um pouco.
— Eu confio que vai nos proteger, Damian. — disse, tentando soar confiante. — Sério… ninguém se machucou, e os meninos estão seguros. Está tudo bem.
Ele me fitou por um instante, como se ainda não acreditasse totalmente nas minhas palavras. Então, finalmente, um pequeno sorriso de alívio passou pelo rosto dele.
— Ótimo… — murmurou. — Mesmo assim eu não confio em deixar vocês sozinhos essa noite. — Ele olhou nos meus olhos e abriu um sorriso malicioso. — Bem, não tem outro jeito. Acho que vou ter que dormir aqui.
O que ele acabou de dizer?

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