DAMIAN WINTER
— Bem, não tem outro jeito. Acho que vou ter que dormir aqui. — falei, deixando escapar um sorriso malicioso, porque a simples ideia de ficar perto dela naquela noite me parecia muito proveitosa.
Stella arregalou os olhos e se afastou dois passo de mim.
— Você não pode dormir aqui, Damian.
— Posso. — respondi sem hesitar, encarando-a de frente. — E vou.
Ela suspirou fundo, passando a mão pelos cabelos, exausta demais para sustentar uma briga.
— Se insiste tanto, durma no quarto de hóspedes. — cedeu, com a voz cansada.
— Quarto de hóspedes? — ergui uma sobrancelha, me aproximando devagar. — Não faz sentido. É mais conveniente dormir no seu quarto… já que também fica perto do dos meninos.
Stella riu sem humor, arqueando a sobrancelha de volta para mim.
— Conveniente? — ironizou. — Então nesse caso é ainda mais conveniente você dormir no sofá da sala. É nela que fica a porta de entrada, não acha?
Inclinei a cabeça, apreciando a forma como ela sempre encontrava argumentos para me desafiar, mas eu também tinha um arsenal de argumentos contra ela.
— O último cara entrou pela janela. — lembrei. — E se o próximo resolver entrar pela janela do seu quarto?
Ela bufou, rolando os olhos com impaciência.
— Então durma no quarto dos meninos! — rebateu, jogando as mãos no ar. — Assim garante que nada aconteça a eles.
Cruzei os braços, deixando escapar um sorriso divertido.
— A cama deles é pequena demais. — disse, sem pressa. — Já a sua… é bem mais espaçosa.
O olhar dela queimou contra o meu, mas não havia como negar que estava cansada demais para continuar aquela discussão. Por fim, ela suspirou fundo e esfregou o rosto com as duas mãos, murmurando algo entre os dentes.
— Tudo bem. — resmungou, desistindo. — Eu vou para o quarto.
Ela girou nos calcanhares e seguiu para o corredor, andei atrás dela com um sorriso satisfeito e os olhos fixos na sua bunda de movendo na minha frente. Ela segue até o armário e pega um pijama curto, claramente decidida a me ignorar.
Quando ela alcançou a porta, pronta para sair do quarto novamente, estendi a mão e segurei seu braço, puxando-a de volta.
— Aonde você vai? — perguntei, minha voz soou rouca de algo que não era apenas preocupação.
Ela estremeceu, senti isso. Seus olhos azuis se ergueram para encontrar os meus.
— Vou dormir no quarto dos meninos.
Por um instante, pensei em impor, em obrigá-la a ficar. Mas não… Stella não cederia à força depois do que eu disse, e eu não estava disposto a gastar aquela noite em mais uma batalha inútil. Se eu queria dobrá-la, precisava de outra estratégia.
Respirei fundo, soltei devagar seu braço e deslizei a mão até a curva delicada do seu pescoço. Meu polegar acariciou de leve sua pele macia, e vi seus olhos se arregalarem, seu corpo estremecer sob o meu toque. Inclinei-me até que meu nariz encostasse no dela, roçando de leve.
— Não pode mesmo suportar a ideia de dormir comigo? — sussurrei, minha boca a um sopro de distância da dela. — Prometo que não vou fazer nada além de abraçar você.
Stella engoliu em seco, os olhos azuis vibrando entre raiva, medo e… os sentimentos que ela não queria admitir.
— Você sabe que não é por isso, Damian. — respondeu, desviando o olhar. — Você deveria ir dormir com a sua esposa e sabe muito bem que estou brava com o que você fez.
Sophie. Tenho certeza que ela está por trás do que aconteceu essa noite. Se ela não tivesse tanto poder, eu poderia simplesmente me livrar dela...
Stella desviou o rosto, mas não conseguiu escapar do meu toque. Eu a segurei pelo queixo, forçando-a a olhar para mim.
O som da água correndo ecoou, e só a imagem mental dela tomando banho já era suficiente para me deixar mais duro do que eu já estava. Respirei fundo, tentando controlar meu corpo.
Quando a porta do banheiro finalmente se abriu, minha respiração travou na imagem em minha frente.
Stella saiu de lá com o cabelo solto, caindo em ondas desordenadas sobre os ombros, ainda úmido em algumas mechas. Usava um pijama curto, de tecido leve, que mal cobria o meio das coxas. As alças finas deixavam à mostra a pele clara dos ombros, e por um instante tive que conter o impulso de atravessar o quarto e jogá-la na cama.
Ela não me olhou diretamente, fingiu ignorar minha presença. Andou até a cama com passos rápidos, sem me dar espaço para comentários, e simplesmente se enfiou entre as cobertas, virando de lado determinada a fingir que eu não estava ali.
Sem demora, levei as mãos à camisa e a puxei pela gola, arrancando-a do corpo de uma vez. O ar frio da noite bateu contra minha pele quente, e vi, pelo canto dos olhos, o modo como Stella se encolheu discretamente sob os lençóis. Tirei a calça em seguida, ficando apenas de cueca. A erëção no tecido era óbvia, impossível de disfarçar.
Eu sei que ela percebeu. Vi pelo jeito como o corpo dela endureceu sob as cobertas, a respiração irregular que ela tentou disfarçar. Um sorriso lento curvou meus lábios. Ela podia dizer o que quisesse, mas não era imune a mim. Nunca foi.
Levantei a coberta com calma e deslizei para dentro da cama. O colchão afundou com o peso e aproximei nossos corpos. Passei o braço por cima dela e a puxei para mim, encaixando-a contra o meu peito.
Stella soltou um som de protesto abafado.
— Damian… — resmungou, contra meu ombro.
— Shh… — sussurrei, apertando-a mais contra mim, meu nariz roçando em seu cabelo, aspirando seu perfume doce misturado ao frescor do banho. — Só vou te abraçar, lembra?
Ela suspirou, rendida. Sorri no escuro, satisfeito com aquela pequena vitória, e beijei o topo da cabeça dela.
— Boa noite, Stella. — murmurei, deixando minha voz soar rouca, pelo desejo que eu não poderia satisfazer essa noite.
— Boa noite, Damian.
Apertei seu corpo mais forte e fechei os olhos sentindo que aquela seria minha melhor noite de sono nos últimos seis anos.

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