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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 59

STELLA HARPER

— Mamãe… você está namorando com o papai Damian?

A pergunta de Apollo cai sobre mim de forma inesperada.

Olho para ele e vejo seus olhos grandes e castanhos, fixos em mim com aquela seriedade precoce que sempre me assusta.

— Claro que não, meu amor. — respondo rápido demais, quase atropelando as palavras. Forço um sorriso que não alcança meus olhos. — Eu e o papai Damian não estamos namorando, nem nada parecido.

Apollo não parece convencido. Ele inclina a cabeça para o lado, como faz quando está tentando entender se alguém está mentindo.

— Mas vocês se amam? — pergunta, com a naturalidade de uma criança que não têm medo de ir fundo e Orion nos encara como se agora também estivesse interessado no assunto.

Meu corpo congela. O ar parece preso na garganta.

Como eu poderia explicar para eles algo que nem eu mesma sei? Como poderia colocar em palavras essa confusão de sentimentos, esse caos que Damian trouxe de volta para a minha vida?

Mas antes que eu precise abrir a boca, a campainha toca e um alívio instantâneo percorre meu corpo.

Levanto-me imediatamente, grata pela interrupção, e quase tropeço na pressa de atender.

Quando abro a porta, Alexander e Leah estão parados diante de mim.

— Oi Stella. — Alexander me cumprimenta com um abraço. — Vim ver os meninos.

— Eles estão jantando. Oi Leah. — Dou um abraço nela e permito que entrem e os acompanho até a cozinha.

— Papai! — gritam Apollo e Orion em uníssono, correndo até Alexander e se jogando contra suas pernas.

Ele se abaixa com um sorriso aberto, abraçando os dois filhos com força.

— Trouxe um doce do café para vocês, podem comer ele depois de terminarem todo o jantar. — Alexander anuncia, tirando da sacola duas pequenas caixas.

O grito de felicidade das crianças ecoa pela casa, e eu quase rio da sincronia.

Leah me olha e ergue uma sobrancelha, um indicativo de que depois vamos conversar. Eu apenas respiro fundo, tentando recompor meu semblante, ainda com a voz de Apollo ecoando em minha cabeça:

“Vocês se amam?”

[...]

DAMIAN WINTER

O relógio digital na mesa de cabeceira marcava 23h47 quando fui acordado pelo barulho da maçaneta.

Eu estava deitado, de costas, com os olhos semicerrados. O dia tinha sido longo demais e eu estava exausto, mas tenho certeza que tranquei a porta. O que só me leva a pensar que alguém está usando a chave reserva.

A porta se abriu devagar.

Pelos meus hábitos, ninguém deveria entrar no meu quarto sem permissão. Os guardas sabiam disso, os empregados também. Então, quando senti o cheiro doce demais de perfume invadir o ar, não precisei me virar para saber quem era.

Sophie fechou a porta e girou a chave na fechadura. Me virei apenas o suficiente para vê-la parada na entrada.

— Que bom que acordou. Tenho uma surpresa para você. — Sussurrou sedutoramente.

Estava com um robe de seda vinho, que deslizou pelos ombros quando ela puxou a faixa. Debaixo, vestia uma lingerie preta rendada, o tipo de peça escolhida para provocar um homem. Mas não iria funcionar comigo, ela só pode ter bebido algumas para ter coragem de tentar me seduzir depois de seis anos de rejeição.

Ela deu dois passos seguros, os saltos bateram no chão, até parar perto da cama.

— Damian. — sua voz saiu cheia de falsa doçura. — Eu não aguento mais essa distância entre nós. Vamos fazer isso apenas uma vez. Tenho certeza que depois que transar comigo uma vez, nunca mais vai pensar em outra mulher.

Eu a encarei em silêncio, deitado como estava, sem mover um músculo.

— Eu sou bonita! Eu sou desejada! — ela quase gritava agora, como se precisasse se convencer disso. — Qualquer homem faria tudo para ter uma noite comigo. E eu estou aqui, implorando por você, Damian! Implorando! — sua voz foi quebrada em lágrimas contidas. — Por que você não me quer? O que há de tão errado comigo?

Ela caiu sentada na beira da cama, os ombros tremendo. O robe escorregado até a cintura, a lingerie à mostra, mas já sem nenhuma aura de sedução. Só vulnerabilidade.

Eu a olhei como se estivesse observando um estranho.

— Você realmente quer a resposta para essa pergunta? — perguntei, sem me deixar afetar. Ela levantou os olhos marejados para mim e acenou. — Porque você não tem nada que eu queira.

Um soluço escapou de sua boca. Pela primeira vez, Sophie pareceu pequena. Despida de toda arrogância, reduzida a uma mulher que implora por migalhas de atenção. Por que ela não pode simplesmente aceitar que esse casamento está falido e procurar um homem que a ame?

— Eu posso mudar… — ela sussurrou. — Eu faço qualquer coisa. Eu só não quero perder você.

— Você já me perdeu há muito tempo. — disse por fim. — Na verdade... você sabe que nunca me teve.

Ela fechou os olhos, lágrimas escorrendo agora, borrando a maquiagem que cuidadosamente passara antes de vir até aqui. Até que de repente ela se levantou, com a expressão drasticamente mudando em segundos.

— Então é isso. — disse, a voz agora fria, cheia de ódio. — Você está me rejeitando e escolhendo aquela vadia e os bastardos dela em vez de mim e Danian.

— Danian não entra nessa equação. Eu vou continuar amando-o igualmente e vou lutar por ele.

Sophie puxou o robe com violência, amarrando-o com as mãos trêmulas.

— Pois bem, Damian. — seus olhos faiscavam. — Essa foi a última chance que eu lhe dei. Amanhã eu vou contar tudo aos seus pais. Vou expor cada detalhe sobre essa sua ideia de se divorciar de mim para ir atrás daquela mulherzinha. Quero ver se você ainda vai continuar esse teatrinho de homem poderoso quando toda a sua família souber da sua traição.

Ela girou nos calcanhares e caminhou até a porta, com os saltos agora batendo com raiva contra o chão.

Antes de sair, olhou por cima do ombro.

— Você pode pensar que consegue vencer qualquer um. Mas eu vou destruir você, Damian Winter. Vou destruir tudo o que você ama.

Sophie saiu, batendo a porta com tanta força que o quarto tremeu. Acho que agora ela finalmente aceitou que não temos volta. O que resta é esperar pela guerra.

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