STELLA HARPER
— Mamãe… você está namorando com o papai Damian?
A pergunta de Apollo cai sobre mim de forma inesperada.
Olho para ele e vejo seus olhos grandes e castanhos, fixos em mim com aquela seriedade precoce que sempre me assusta.
— Claro que não, meu amor. — respondo rápido demais, quase atropelando as palavras. Forço um sorriso que não alcança meus olhos. — Eu e o papai Damian não estamos namorando, nem nada parecido.
Apollo não parece convencido. Ele inclina a cabeça para o lado, como faz quando está tentando entender se alguém está mentindo.
— Mas vocês se amam? — pergunta, com a naturalidade de uma criança que não têm medo de ir fundo e Orion nos encara como se agora também estivesse interessado no assunto.
Meu corpo congela. O ar parece preso na garganta.
Como eu poderia explicar para eles algo que nem eu mesma sei? Como poderia colocar em palavras essa confusão de sentimentos, esse caos que Damian trouxe de volta para a minha vida?
Mas antes que eu precise abrir a boca, a campainha toca e um alívio instantâneo percorre meu corpo.
Levanto-me imediatamente, grata pela interrupção, e quase tropeço na pressa de atender.
Quando abro a porta, Alexander e Leah estão parados diante de mim.
— Oi Stella. — Alexander me cumprimenta com um abraço. — Vim ver os meninos.
— Eles estão jantando. Oi Leah. — Dou um abraço nela e permito que entrem e os acompanho até a cozinha.
— Papai! — gritam Apollo e Orion em uníssono, correndo até Alexander e se jogando contra suas pernas.
Ele se abaixa com um sorriso aberto, abraçando os dois filhos com força.
— Trouxe um doce do café para vocês, podem comer ele depois de terminarem todo o jantar. — Alexander anuncia, tirando da sacola duas pequenas caixas.
O grito de felicidade das crianças ecoa pela casa, e eu quase rio da sincronia.
Leah me olha e ergue uma sobrancelha, um indicativo de que depois vamos conversar. Eu apenas respiro fundo, tentando recompor meu semblante, ainda com a voz de Apollo ecoando em minha cabeça:
“Vocês se amam?”
[...]
DAMIAN WINTER
O relógio digital na mesa de cabeceira marcava 23h47 quando fui acordado pelo barulho da maçaneta.
Eu estava deitado, de costas, com os olhos semicerrados. O dia tinha sido longo demais e eu estava exausto, mas tenho certeza que tranquei a porta. O que só me leva a pensar que alguém está usando a chave reserva.
A porta se abriu devagar.
Pelos meus hábitos, ninguém deveria entrar no meu quarto sem permissão. Os guardas sabiam disso, os empregados também. Então, quando senti o cheiro doce demais de perfume invadir o ar, não precisei me virar para saber quem era.
Sophie fechou a porta e girou a chave na fechadura. Me virei apenas o suficiente para vê-la parada na entrada.
— Que bom que acordou. Tenho uma surpresa para você. — Sussurrou sedutoramente.
Estava com um robe de seda vinho, que deslizou pelos ombros quando ela puxou a faixa. Debaixo, vestia uma lingerie preta rendada, o tipo de peça escolhida para provocar um homem. Mas não iria funcionar comigo, ela só pode ter bebido algumas para ter coragem de tentar me seduzir depois de seis anos de rejeição.
Ela deu dois passos seguros, os saltos bateram no chão, até parar perto da cama.
— Damian. — sua voz saiu cheia de falsa doçura. — Eu não aguento mais essa distância entre nós. Vamos fazer isso apenas uma vez. Tenho certeza que depois que transar comigo uma vez, nunca mais vai pensar em outra mulher.
Eu a encarei em silêncio, deitado como estava, sem mover um músculo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!