STELLA HARPER
A casa estava estranhamente silenciosa depois que o barulho das risadas dos meninos eufóricos com os doces se dissipou. Alexander os levou para a sala, ajudando-os a se acomodar enquanto Leah me acompanhava até a cozinha. Eu sabia que aquela sobrancelha arqueada dela, logo que chegou, não era à toa. Leah nunca deixava passar nada.
Eu estava mexendo em uma jarra de suco apenas para ocupar as mãos, mas Leah se encostou no balcão e cruzou os braços, me observando com aquela paciência desconfiada.
— Certo, o que aconteceu? — ela perguntou sem rodeios.
— Nada. — respondi rápido demais, sentindo meu estômago contrair.
— Stella… — Leah prolongou meu nome, como se já tivesse ouvido essa resposta mil vezes antes. — Você está com essa cara estranha desde que cheguei.
Suspirei, desviando o olhar para a jarra.
— Estou cansada, só isso. O dia foi longo.
Ela se inclinou um pouco mais para frente.
— Cansada, eu acredito. Mas não é só isso. — O olhar dela se estreitou. — É sobre Damian de novo, não é?
O ar pareceu preso na minha garganta. Eu quase derramei o suco só por ouvir aquele nome dito em voz alta.
— Não, Leah. — forcei um sorriso, balançando a cabeça. — Não é sobre ele.
Ela não acreditou nem por um segundo, eu sabia. Mas Leah sempre respeitou meus limites, então apenas suspirou e me deu um meio sorriso compreensivo.
— Está bem. Se quiser falar, sabe que eu estou aqui. — E, com um aceno, deixou o assunto morrer.
Conversamos mais alguns minutos sobre coisas banais, até que Leah disse que precisava ir embora, seu turno começaria em breve. Ela me abraçou forte antes de sair, e por um instante tive a impressão de que ela queria dizer mais alguma coisa, mas não disse.
Quando a porta se fechou atrás dela, respirei fundo e voltei para a sala. Alexander estava sentado no sofá, com Orion adormecido no colo e Apollo recostado ao lado dele, os olhos estavam pesados, mas ainda se mantinha acordado.
Alexander parecia tão confortável ali, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo.
— Eles não pararam um segundo até dormirem — disse ele em voz baixa, sorrindo para mim. — Acho que estavam esperando minha visita para gastar toda a energia de uma vez.
Assenti, sorrindo de volta.
— Sempre fazem isso.
Apollo piscou devagar, lutando contra o sono, até finalmente ceder. Alexander o pegou com cuidado e levou os dois para o quarto. Eu fiquei parada na sala, ajeitando distraidamente as almofadas, tentando me manter ocupada.
Quando ele voltou, já estava sem o casaco, apenas com a camisa social ligeiramente amassada. Seus olhos buscaram os meus de forma direta.
— Stella. — chamou, em voz baixa.
Eu me virei devagar, surpresa com a seriedade no tom dele.
— Queria te pedir desculpa.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!