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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 61

STELLA HARPER

A manhã começou clara e fresca, com o sol atravessando as cortinas do quarto. A rotina parecia estar voltando aos eixos, pelo menos de aparência. Os meninos precisavam ser levados à escola e eu precisava manter a fachada de normalidade, mesmo que minha mente estivesse em turbulência desde ontem.

— Vamos, rapazes, não queremos nos atrasar. — anunciei, sorrindo para eles.

Apollo e Orion correram pelos corredores, disputando quem vestia o casaco primeiro, enquanto eu os observava com ternura e preocupação. Cada pensamento em minha mente lembrava-me do problema emocional que Damian tinha deixado para trás, e da nova confusão que Alexander trouxe para minha vida de maneira inesperada.

No caminho, os meninos conversavam animadamente sobre o novo livro que Damian havia comprado, e sobre a história da nave espacial projetada no teto do quarto de Orion.

Entreguei-os à professora na escola, recebendo os abraços e beijos habituais, e depois segui para o café onde trabalharia com Alexander, o que não parecia muito animador. O trajeto de carro parecia interminável, como se meu cérebro se recusasse a desligar o modo replay da cena de ontem.

Quando cheguei, encontrei Alexander já organizando papéis e computadores. O clima estava mais estranho que antes. Agora não era hostilidade e não sei se isso tornava o clima melhor. Tentei sorrir, mas ele me olhou de um jeito que me fazia perceber que ele também não estava completamente à vontade.

— Bom dia, Stella. — Alexander falou, erguendo os olhos do tablet. — Como estão os menino?

— Bem, como sempre. — respondi com naturalidade forçada.

— Ótimo. Nem consigo acreditar em como o tempo passou. Eles estão crescendo rápido demais. — Ele fechou o tablet e se recostou na cadeira. — Precisamos conversar sobre a nova filial em São Francisco. Quero que você fique à frente da coordenação inicial do escritório. É uma oportunidade importante.

Tentei concentrar-me nos detalhes do trabalho, mas meu olhar continuava se desviando para Alexander. Cada gesto dele, mesmo discreto, parecia carregar uma carga de intenções que eu ainda não sabia interpretar. Tentava lembrar a mim mesma que nada havia mudado de verdade. Que o beijo de ontem fora um impulso, que ele não significava que as coisas precisavam mudar.

— Entendo. — murmurei, tentando afastar meus pensamentos conflitantes. — Vou me organizar para a filial.

— Bom. Confio em você. — Alexander acenou e voltou a se concentrar no computador.

O dia passou rápido, entre reuniões, emails e ligações, mas minha mente continuava dividida. No fim da manhã, decidi dar uma pausa e caminhar pelo shopping para comprar alguns itens que precisava para a nova casa. O movimento de lojas, vitrines e pessoas me ajudava a desviar a atenção de meus pensamentos complicados.

E foi aí que a vi.

Elaine Winter, estava parada em frente a uma vitrine de joias, admirando um colar de ouro. Ela parecia muito bem agora, ninguém diria que algum dia passou por um acidente.

Seus olhos correram ao redor e então ela me notou e acenou.

— Stella! Que coincidência te encontrar aqui! — disse, aproximando-se. — Passei na sua casa ontem à tarde, mas não te encontrei.

— Ah… sim, eu me mudei recentemente. — respondi, tentando soar casual. — Que bom vê-la tão bem, Elaine.

Ela sorriu gentilmente.

— Senti falta de te ver. Pensei em conversar um pouco com você sobre a vida e, claro, sobre os meninos. — Ela olhou para mim com interesse genuíno. — Podemos sentar e tomar algo?

— Claro. — respondi, sentindo-me estranhamente nervosa. — Um café seria ótimo.

Caminhamos juntas até uma cafeteria próxima, e pedimos duas xícaras de cappuccino. Nos sentamos em uma mesa perto da janela, observando o movimento do shopping, mas a conversa rapidamente se voltou para mim.

— Eu estava preocupada com você — começou Elaine, sua voz suave. — Não consegui te encontrar e os vizinhos falaram que sua casa estava tendo uma movimentação estranha de guardas e então você foi embora sem levar quase nada.

— Sim. — Concordei, mexendo no café distraidamente. — É uma situação muito complicada com o pai dos meus filhos.

Elaine me estudou com atenção, como se estivesse avaliando cada palavra minha.

— Vejo que não quer tocar no assunto, tudo bem, o importante é que estão bem. E os meninos? Como estão se adaptando a tudo isso? — perguntou.

— Eles estão sendo incríveis. Aprendo todos os dias com eles. — sorri com carinho. — Por isso, estou tentando levar da melhor forma.

Ela assentiu, mesmo não entendendo muito bem sobre o que eu falava.

Continuei olhando para os papéis. Não era que eu precisasse de tempo para pensar, ele quem não me deixou responder antes.

— Alexander…

— Não, deixe-me terminar. — interrompeu, erguendo a mão. — Quero que saiba que, mesmo que você ainda ache que não existe nenhuma chance de ter sentimentos românticos por mim, isso não vai mudar o que já temos. Continuaremos sendo quem somos, amigos, família, trabalhando lado a lado, como sempre fizemos. Não precisa ficar estranho entre nós.

Levantei o olhar para ele e vi sinceridade pura em seus olhos. Suspirei baixinho, sentindo a tensão em meus ombros suavizar um pouco.

— Eu agradeço, Alex. — murmurei. — Não quero que nada fique estranho entre nós também.

— Não precisa me agradecer, Stella. — disse, com uma calma que me desconcertava. — Você sabe que eu a amo de toda forma, não sabe?

— Sim… eu também te amo. — respondi, baixinho.

E era verdade. Mas o meu amor por Alexander nunca tinha passado pela esfera romântica. Era um amor que vinha da confiança, da segurança, da parceria que tínhamos construído. Um amor que, para mim, não era paixão, mas ainda assim, era sólido e real. Um amor que eu teria por um irmão ou amigo.

Enquanto o olhava, percebi a quantidade de qualidades que ele carregava. Alexander era um homem íntegro, de uma generosidade rara. Tinha uma doçura que não se assemelhava em nada com a frieza de Damian, uma paciência que sempre me fez sentir compreendida.

Era atencioso, capaz de perceber detalhes que ninguém mais via. Seu senso de humor conseguia arrancar sorrisos meus mesmo nos dias mais difíceis. Ele era confiável, alguém com quem eu poderia deixar os meninos sem hesitar, sabendo que estariam protegidos. Era leal, não apenas comigo, mas com todos que amava.

Fisicamente, Alexander também não passava despercebido. Seus olhos castanhos transmitiam serenidade e às vezes pareciam me ler por dentro. O porte alto e atlético, e um sorriso que era capaz de iluminar qualquer lugar. Seu cabelo castanho, sempre um pouco despenteado no final do dia, dava a ele um ar mais humano, menos perfeito, e justamente por isso, era mais atrativo.

Além de tudo isso, ele era dedicado no trabalho, responsável até nos mínimos detalhes, inteligente em um nível que me fazia admirá-lo. Tinha empatia, sensibilidade para compreender dores que não eram suas. Era protetor, mas não no sentido sufocante.

E, acima de tudo, havia nele uma bondade que eu não conseguiria encontrar em mais ninguém.

Respirei fundo, desviando o olhar, porque encarar tantas virtudes ao mesmo tempo era sufocante. Será que eu realmente não poderia me apaixonar por Alexander? Seria assim tão impossível deixar que esse amor fraternal se transformasse em algo maior?

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