STELLA HARPER
Meu coração ainda martelava dentro do meu peito. Eu mal conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer no banheiro. Damian só podia carregar a arrogância no sangue, ele tinha simplesmente invadido meu quarto, me seguido até o banho e me observado como se tivesse direito ao espetáculo.
E, pior, ele não parecia sentir a menor vergonha ou culpa por isso.
Eu estava ali, de toalha, pingando água no carpete, com a respiração descompassada pela fúria, e ele… sentado na beira da cama, de pernas afastadas, braços cruzados e aquele olhar que me tocava mais do que a própria água do chuveiro.
— O que diabos você estava pensando? — soltei, incapaz de segurar a indignação.
Ele apenas inclinou a cabeça, como se eu tivesse feito uma pergunta óbvia.
— Estava pensando em vê-la nua. — disse, frio, direto. — E veja só… consegui.
Meu queixo caiu, e por um segundo, não consegui reagir. Ele tinha a cara de pau de dizer aquilo sem piscar, como se fosse a coisa mais aceitável e normal do mundo.
Os olhos dele brilharam, e em questão de segundos, antes mesmo que eu pudesse recuar, ele avançou. Sua mão me apertou pela cintura, firme, e a outra segurou a base da minha nuca.
— Talvez eu queira mais do que só olhar desta vez.
Soltei uma risada curta, sem humor, apenas carregada de ironia.
— Que pena para você, Damian. — respondi, com veneno na voz. — Porque já foi sortudo demais por conseguir olhar.
Um segundo depois o beijo veio intenso, invasivo, como se quisesse me provar que podia ir além de assim quisesse.
O choque me paralisou por um instante. O gosto dele explodiu na minha boca, misturado ao calor sufocante da raiva que eu ainda sentia. Por um segundo maldito, quase me deixei levar. Mas então, o bom senso gritou dentro de mim.
Empurrei-o com força, me desvencilhando do aperto.
— Não comece com gracinha, Damian! — arfei, limpando a boca com o dorso da mão. — Tem três pessoas nesta casa, caso tenha esquecido.
Ele arqueou uma sobrancelha, provocador, e um sorriso lento apareceu nos lábios.
— Então, se estivéssemos sozinhos… eu teria o que quero? — questionou, me olhando com certa expectativa. — Porque, se for esse o caso, Stella, não há problema algum em mandar Larissa e os meninos se divertirem em um parque ou shopping por umas duas horas.
Revirei os olhos e caminhei até o closet, irritada.
— Para de falar besteira e fique aí. — retruquei, sem dar a ele o prazer de mais atenção.
Fechei a porta atrás de mim e me vesti com pressa, escolhendo algo casual, confortável. Um moletom cinza macio, largo o suficiente para me dar liberdade, e uma calça de algodão preta. Prendi os cabelos ainda úmidos em um coque improvisado no alto da cabeça e respirei fundo diante do espelho. Eu precisava recuperar o controle da situação e contar a ele da minha decisão.
Quando voltei ao quarto, encontrei Damian exatamente no mesmo lugar de antes: sentado na beira da cama, só que agora reclinado para trás, apoiando o peso nos braços estendidos atrás dele. Parecia completamente à vontade, como se aquele fosse o quarto dele, a casa dele, a vida dele.
Meus olhos estreitaram.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!