DAMIAN WINTER
— Você e a mamãe estão namorando?
Meu corpo inteiro ficou rígido, olhei na direção da cozinha para ver se encontrava Stella, não sei se posso dizer o que quero e não quero que a gente brigue logo agora que nos acertamos.
— Hã? — soltei, soando mais dissimulado do que deveria.
Antes que eu pudesse elaborar uma resposta, Orion "sempre pronto para dar força ao irmão" repetiu a pergunta com ainda mais convicção:
— É, papai. Vocês estão namorando?
Olhei de um para o outro, aqueles dois olhares atentos e cheios de expectativa me encarando como se o destino deles dependesse da minha resposta. Respirei fundo e decidi inverter a lógica.
— Vocês gostariam que a mamãe e o papai namorassem? — perguntei, suave o bastante para não soar como uma pressão.
Eles se entreolharam, e um sorriso sincronizado brotou em seus rostos, o que me fez sorrir sem motivo.
— Sim! — disseram juntos, batendo palmas e quase pulando no sofá. — Muito, muito!
Um calor estranho e familiar me percorreu o peito. Eu, Damian Winter, o homem que sempre controlou tudo com frieza, estava aqui, sendo medido pela régua mais pura que existia: a vontade de duas crianças.
Sorri de lado e dei a eles a resposta que esperavam.
— Então… sim. — falei, com um aceno lento. — A mamãe e eu estamos namorando.
Apollo arregalou os olhos, parecendo indignado.
— Mas a mamãe mentiu! — reclamou, cruzando os braços. — A gente perguntou e ela disse que não!
Orion concordou com um aceno rápido, como se fosse advogado de acusação.
— Ela falou que não!
Revirei os olhos, controlando a vontade de rir diante da seriedade deles.
— Ela não mentiu. — expliquei, escolhendo as palavras com cuidado. — Acontece que… a mamãe aceitou ser namorada do papai só hoje. Papai é bem bobão, por isso levou um tempo para conquistar a mamãe.
Embora eu não tenha certeza se a conquistei de fato. Mas explicação pareceu satisfazer. Apollo piscou, pensativo, e logo abriu um sorriso largo. Orion deu um salto no sofá, vibrando de alegria.
— Eu sabia! — gritou Apollo, como se tivesse vencido uma aposta. — Eu disse que ia acontecer!
Fiquei observando aquela felicidade genuína, gravando cada segundo na memória. Não havia nada mais verdadeiro do que a pureza da alegria deles. E, de repente, veio aquele sentimento amargo de não ter estado com eles desde o inicio.
Depois de alguns minutos de risadas e conversas, olhei o relógio e me levantei.
— Agora chega, campeões. — disse, com a autoridade que sempre fazia eles se aquietarem. — O papai precisa ir para casa.
Apollo imediatamente fez um bico, enquanto Orion me abraçava forte pelas pernas.
— Mas volta amanhã, né? — Apollo perguntou, com os olhos implorando por uma promessa.
— Sempre que eu puder. — garanti, inclinando-me para beijar o topo da cabeça de cada um.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!