DAMIAN WINTER
— Jesus Cristo... — Foi tudo o que saiu da minha boca.
O sangue parecia manchar tudo ao redor. Sophie estava caída no chão do hall de entrada, com os olhos arregalados e a respiração curta, o sangue escorrendo pelo corpo e manchando o vestido caro que ela usava.
Quando me viu, ergueu a mão trêmula, como se implorasse por ajuda, mas antes que eu pudesse alcançá-la, sua cabeça tombou para o lado e o corpo ficou mole.
— Droga! — soltei entre dentes, ajoelhando-me ao lado dela.
O som de passos apressados ecoou pelo corredor, os seguranças apareceram, com armas em punho. Mas não era só isso. Atrás deles, a voz do meu filho desesperado chegou aos meus ouvidos.
— Mamãe! — Danian correu, tentando passar entre os seguranças.
Meu coração disparou ao vê-lo. Ele não podia ver isso. Não podia ficar marcado pela imagem da mãe ensanguentada desse jeito.
— Segurem-no! — ordenei. — Levem Danian para o andar de cima. Agora!
Um dos homens o pegou no colo, enquanto ele se debatia, chorando, gritando por Sophie, a palavra “mamãe” alcançava meus ouvidos em uma súplica desesperada.
— Papai, não! Mamãe vai morrer! — soluçava.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a dor dele atravessar meu peito como ferro em brasa. Mas eu não podia perder mais tempo. Havia uma vida para salvar.
— Danian, ouça o papai! — gritei, tentando passar segurança. — Ela vai ficar bem. Eu vou cuidar disso. Confie em mim!
Ele ainda chorava, mas o segurança conseguiu levá-lo para cima, afastando-o da cena.
Sem perder mais tempo, passei os braços por baixo do corpo de Sophie e a ergui. Ela estava inconsciente, a pele fria contra a minha, o sangue escorrendo em um fluxo constante que sujava minhas mãos e manchava minha camisa.
Corri até a garagem, os seguranças abriram o caminho. Não esperei por ambulância. Não confiaria meu tempo à espera de socorro quando eu mesmo poderia resolver.
Coloquei Sophie no banco do carro e acelerei pelas ruas, o som do motor rugindo contra o silêncio tranquilo da madrugada. Cada segundo parecia uma eternidade. O sangue dela molhava o couro do assento e o cheiro metálico impregnava o ar.
— Fique viva. — murmurei, olhando de relance para o corpo imóvel ao meu lado. — Você deve sobreviver a isso, Sophie.
Chegamos ao hospital em menos de dez minutos. Médicos e enfermeiros já aguardavam na entrada, acionados pelos meus homens durante o trajeto. Assim que parei, abriram a porta e puxaram Sophie em uma maca, levando-a às pressas para dentro.
Segui atrás, mas fui contido por uma das enfermeiras.
— Senhor, precisamos de espaço. Confie em nós.
Confiança. Uma coisa que eu não oferecia facilmente. Mas naquele instante, não havia outra opção. Recuei, minhas mãos estavam manchadas de sangue, e observei enquanto ela desaparecia atrás das portas duplas da sala de cirurgia.
O tempo se arrastou. Meus seguranças se aproximaram, atualizando sobre o perímetro da minha casa e disseram que nada foi encontrado, nenhum suspeito. A raiva desses incompetentes era grande, mas me obriguei a manter a calma.
Finalmente, um médico emergiu, com o jaleco branco salpicado de vermelho.
— Senhor Winter? — perguntou.
— Fale. — minha voz saiu seca.
— Foi um tiro no ombro. A bala atravessou, não atingiu órgãos vitais. Ela perdeu bastante sangue, mas conseguimos estabilizá-la. A paciente ficará bem com alguns dias de recuperação.
Fechei os olhos por um instante, soltando o ar pesado que eu prendia no peito. Alívio misturado com fúria.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!