DAMIAN WINTER
A delegacia cheirava a café e papel velho. Eu estava sentado diante de dois detetives, relatando o que havia acontecido, mas minha mente trabalhava em paralelo, tentando juntar as peças.
Eles faziam anotações rápidas, trocavam olhares como se esperassem que eu acrescentasse algo mais relevante, mas eu não tinha nada além dos fatos. Ou melhor, quase nada.
O que não disse foi que a cena inteira parecia… fabricada.
Um tiro no ombro, em ângulo perfeito, sem testemunhas, e o atirador conseguiu atravessar a propriedade evitando todos os seguranças e ainda escapar sem ser visto pelas câmeras externas. Eu gasto fortunas em vigilância, e ainda assim o sujeito passou como um fantasma?
Algo nisso não encaixava. Ou ele recebeu a ajuda de alguém ou foi alguém de dentro.
E pela primeira vez, uma ideia mais improvável me atravessou rapidamente: Sophie podia ter planejado isso.
Mas descartei logo em seguida. Não, era impossível. Por mais manipuladora que fosse, ela não arriscaria a própria vida assim. Sophie era obcecada demais por si mesma para apostar tão alto.
A voz do detetive me trouxe de volta:
— Senhor Winter, o senhor consegue pensar em algum inimigo? Alguém que gostaria de ferir a sua esposa?
Arqueei uma sobrancelha, deixando escapar um sorriso seco.
— Tanto eu, quanto minha, estamos em um ramo onde conseguir inimigos é tarefa simples. Mas meus inimigos sempre miram em mim, detetive. Sophie… — fiz uma pausa curta — digamos que ela não é o alvo mais atrativo.
Eles registraram e não insistiram. Encerramos a conversa, prometeram entrar em contato assim que tivessem qualquer novidade, e me liberaram.
Eu estava a caminho da saída quando meu celular vibrou, peguei ele no bolso e vi que era Stella.
Eu não queria que ela soubesse… mas, claro que já sabia. A notícia devia estar em todos os noticiários a essa hora. Respirei fundo antes de deslizar o dedo e atender.
— Oi, Stella.
— Damian? — a voz dela estava trêmula, e eu até diria... um pouco assustada. — Eu vi na TV… falaram que a Sophie levou um tiro… Está tudo bem com você e o Danian?
Fechei os olhos, absorvendo aquela preocupação. Era genuína e um pouco engraçada, considerando que nenhum dos meus familiares tinha ligado essa manhã, nem mesmo a Lizzy. Estranhamente, o fato de ser ela a única, aquecia algo dentro de mim.
— Estou bem. — respondi. — Não se preocupe comigo.
— E a Sophie?
— Vai sobreviver. O tiro foi no ombro.
Houve um silêncio do outro lado. Eu podia sentir que Stella estava processando, tentando equilibrar a preocupação pela situação e pelo que significava para nós dois.
— Damian… — ela murmurou, hesitante. — Você não devia estar sozinho hoje.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!