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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 72

DAMIAN WINTER

Entrei no quarto e encostei a porta atrás de mim, sem pressa. Sophie ainda segurava o celular contra a cama, os olhos dela estavam arregalados, mas em segundos assumiram uma expressão forçada de normalidade.

— Era apenas o Stephan. — disse de repente, erguendo o queixo, tentando soar convincente.

Arqueei uma sobrancelha. Stephan era o primo inútil dela. Aquele sujeito que eu sempre considerei um parasita. A simples menção dele me dava náusea.

— Stephan? — repeti devagar. — E o que exatamente você teria para tratar com ele nesse momento?

— Ele ficou preocupado, quis saber como eu estava. — respondeu rápido. — Não vejo nada de errado nisso.

Não acreditei, mas fingi. Aquele sujeito não se preocupava com ninguém além de si mesmo. Cruzei os braços, deixando escapar um sorriso frio.

— Interessante... — murmurei. — E quem trouxe esse celular para você, se eu mesmo não entreguei?

Seus dedos tamborilaram no lençol, nervosos.

— Pedi para o segurança. — disse enfim. — Pedi junto com algumas coisas minhas. Você estava ocupado, eu não queria incomodar.

Um suspiro curto escapou de mim.

— Claro. — concordei, dando de ombros. — Não queria incomodar.

Dei alguns passos até a poltrona ao lado da cama e me sentei, observando-a com atenção. O rosto dela estava pálido, mas os olhos ainda brilhavam com aquele ar de manipulação que eu conhecia tão bem.

— E como está se sentindo? — perguntei, embora não estivesse preocupado.

Ela suspirou fundo, levando a mão boa ao ombro enfaixado.

— Dói. Dói muito. — respondeu fazendo careta. — Os remédios não estão adiantando, parece que o tiro ainda está queimando dentro de mim.

— Vou falar para aumentarem a dose. — digo, enquanto olho para o vidro cheio de remédio que ela estava recebendo. — Não quero que você sofra mais do que o necessário.

Ela soltou um gemido baixo, como se quisesse arrancar de mim mais alguma compaixão.

Inclinei o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Sophie, você se lembra de quem atirou em você? — perguntei direto, sem rodeios.

Os olhos dela se arregalaram de novo, e eu pude jurar que havia um lampejo de medo antes de responder.

— Não… não me lembro. — disse, balançando a cabeça rápido. — Estava escuro, foi tudo muito rápido. Eu só senti a dor e caí.

— Hum... a polícia vai voltar para falar com você quando estiver melhor. — informei. — Eles vão querer cada detalhe, mesmo os pequenos.

— Claro. — respondeu, apertando os lábios.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Eu a observava, e ela evitava o meu olhar, como se a simples ideia de encarar meus olhos pudesse entregar o que eu queria.

Decidi mudar o rumo.

— Você não quer saber como o Danian está?

Ela piscou, surpresa pela pergunta.

— Eu? — repetiu, como se fosse absurdo. — Damian, eu sou a que levou um tiro. Eu é que estou sofrendo. Esse pirralho idiota precisa parar de fazer birra.

Eu tinha passado a madrugada consolando nosso filho, vendo-o chorar até desmaiar de cansaço de tanta preocupação com ela, e essa era sua resposta?

Mantive o olhar fixo nela.

— Ele ficou apavorado. Chorou a noite inteira achando que você ia morrer.

O corredor parecia mais silencioso que antes, embora minha mente fervesse. Sophie conseguia sempre ultrapassar meus limites de tolerância. Ainda assim, me controlei porque ela não está bem para entrarmos em uma briga.

Passei algumas horas na empresa, resolvendo assuntos urgentes. Minha equipe me olhava de forma discreta, como se esperassem algum comentário sobre o ocorrido com Sophie. Não dei nenhum. Trabalhei como sempre, metódicamente, sem me deixar afetar.

Deixei a empresa perto da hora do almoço e fui direto para casa.

Encontrei meu filho já sentado à mesa, mexendo na comida com o garfo e o olhar perdido.

— Vamos comer juntos. — disse, sentando à sua frente.

Ele ergueu os olhos, cansados, mas sorriu. Fizemos a refeição em silêncio por alguns minutos. Eu não queria forçar conversa, mas também não podia ignorar a forma como ele parecia cada vez mais apagado.

— Danian. — chamei, após alguns minutos. — Posso te perguntar uma coisa?

— Pode, papai. — respondeu baixinho, brincando com o arroz no prato.

— Você gostaria de conhecer alguém que eu gosto muito? — falei devagar, atento à sua reação.

Ele franziu a testa, curioso.

— Quem, papai?

A pergunta veio cheia de genuína inocência. Eu não costumava trazer ninguém para a vida do meu filho. Mas Stella não era “ninguém”.

— É uma pessoa muito boa, tenho certeza que você vai adorar ela. — respondi, tentando animá-lo. — O nome dela é Stella.

Ouvi passos atrás de mim e uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar, chegou aos meus ouvidos:

— Quem é Stella?

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