DAMIAN WINTER
Entrei no quarto e encostei a porta atrás de mim, sem pressa. Sophie ainda segurava o celular contra a cama, os olhos dela estavam arregalados, mas em segundos assumiram uma expressão forçada de normalidade.
— Era apenas o Stephan. — disse de repente, erguendo o queixo, tentando soar convincente.
Arqueei uma sobrancelha. Stephan era o primo inútil dela. Aquele sujeito que eu sempre considerei um parasita. A simples menção dele me dava náusea.
— Stephan? — repeti devagar. — E o que exatamente você teria para tratar com ele nesse momento?
— Ele ficou preocupado, quis saber como eu estava. — respondeu rápido. — Não vejo nada de errado nisso.
Não acreditei, mas fingi. Aquele sujeito não se preocupava com ninguém além de si mesmo. Cruzei os braços, deixando escapar um sorriso frio.
— Interessante... — murmurei. — E quem trouxe esse celular para você, se eu mesmo não entreguei?
Seus dedos tamborilaram no lençol, nervosos.
— Pedi para o segurança. — disse enfim. — Pedi junto com algumas coisas minhas. Você estava ocupado, eu não queria incomodar.
Um suspiro curto escapou de mim.
— Claro. — concordei, dando de ombros. — Não queria incomodar.
Dei alguns passos até a poltrona ao lado da cama e me sentei, observando-a com atenção. O rosto dela estava pálido, mas os olhos ainda brilhavam com aquele ar de manipulação que eu conhecia tão bem.
— E como está se sentindo? — perguntei, embora não estivesse preocupado.
Ela suspirou fundo, levando a mão boa ao ombro enfaixado.
— Dói. Dói muito. — respondeu fazendo careta. — Os remédios não estão adiantando, parece que o tiro ainda está queimando dentro de mim.
— Vou falar para aumentarem a dose. — digo, enquanto olho para o vidro cheio de remédio que ela estava recebendo. — Não quero que você sofra mais do que o necessário.
Ela soltou um gemido baixo, como se quisesse arrancar de mim mais alguma compaixão.
Inclinei o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Sophie, você se lembra de quem atirou em você? — perguntei direto, sem rodeios.
Os olhos dela se arregalaram de novo, e eu pude jurar que havia um lampejo de medo antes de responder.
— Não… não me lembro. — disse, balançando a cabeça rápido. — Estava escuro, foi tudo muito rápido. Eu só senti a dor e caí.
— Hum... a polícia vai voltar para falar com você quando estiver melhor. — informei. — Eles vão querer cada detalhe, mesmo os pequenos.
— Claro. — respondeu, apertando os lábios.
Ficamos em silêncio por alguns instantes. Eu a observava, e ela evitava o meu olhar, como se a simples ideia de encarar meus olhos pudesse entregar o que eu queria.
Decidi mudar o rumo.
— Você não quer saber como o Danian está?
Ela piscou, surpresa pela pergunta.
— Eu? — repetiu, como se fosse absurdo. — Damian, eu sou a que levou um tiro. Eu é que estou sofrendo. Esse pirralho idiota precisa parar de fazer birra.
Eu tinha passado a madrugada consolando nosso filho, vendo-o chorar até desmaiar de cansaço de tanta preocupação com ela, e essa era sua resposta?
Mantive o olhar fixo nela.
— Ele ficou apavorado. Chorou a noite inteira achando que você ia morrer.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!