DAMIAN WINTER
— Quem é Stella?
Virei devagar, e ali estava Lizzy, parada na porta da sala de jantar, com aquele sorriso atrevido e olhar curioso que sempre a acompanhava.
— Oi, irmãzinha. — disse em tom calmo, puxando um pequeno sorriso. — Você não avisa mais quando vai aparecer na casa dos outros?
Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Dos outros? — retrucou. — É do meu irmão favorito, não de “outros”.
Evitei o comentário óbvio de que eu era o único irmão dela. Não valia a pena alimentar provocações.
Enquanto isso, Danian já havia se levantado da cadeira e corrido até ela.
— Tia Lizzy!
Ela se abaixou, abraçando-o com força.
— Trouxe um presente para você. — ela disse, entregando uma sacola colorida.
Os olhos do meu filho brilharam por um instante, talvez o primeiro brilho genuíno desde ontem. Ele tirou um carrinho de dentro e me olhou, sorridente.
— Como é que se diz?
— Obrigado, tia!
— Isso mesmo. — Digo, passando a mão em seus cabelos. — Agora vai brincar um pouco enquanto eu converso com a sua tia.
Ele assentiu, obediente, e saiu da sala carregando o carrinho novo.
O silêncio voltou a reinar, até que Lizzy repetiu sua pergunta, com ainda mais insistência:
— Então… quem é Stella?
Encarei minha irmã por alguns segundos. Eu poderia enrolar, inventar uma desculpa qualquer, mas não fazia sentido inventar mentiras inúteis. Todos iriam saber sobre Stella em breve.
— É a mulher com quem vou me casar. — respondi com indiferença. — Assim que me divorciar da Sophie.
Lizzy piscou várias vezes, como se não tivesse entendido.
— O quê? — a voz dela saiu quase como um grito atordoado. — Você está falando sério?
— Sempre falo sério. — confirmei, sem desviar o olhar.
Ela passou a mão pelos cabelos, claramente tentando processar.
— Damian… — começou, hesitante. — Não sei nem por onde começar, você vai se divorciar da Sophie e me diz sem piscar, que vai se casar com outra?
O que é tão incompreensível nisso? Ela sabe claramente que nunca quis me casar com Sophie.
— Não é “outra”. — corrigi. — É Stella. A conheci antes e era com ela que eu deveria ter me casado desde o princípio. — Os olhos de Lizzy se arregalaram ainda mais quando acrescentei, sem rodeios: — E, a propósito, tenho dois filhos com ela. Gêmeos.
O silêncio que caiu depois foi quase ensurdecedor. Lizzy ficou estática, como se tivesse levado um soco no estômago.
— Dois… filhos? — repetiu, incrédula. — Gêmeos?
Assenti.
— Exato. — confirmei. — Eles existem, e eu não vou esconder mais isso de ninguém.
Lizzy me olhou como se não soubesse se gritava, chorava ou ria da minha audácia. Conhecendo-a, eu diria que rir da minha coragem combinava muito mais com ela.
— Meu Deus, Damian… o WW vai te matar.— murmurou, levando a mão à boca. — Você enlouqueceu de vez.
Mas eu não tinha enlouquecido. Na verdade, eu nunca estive tão lúcido.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!