DAMIAN WINTER
— Por que vocês estão chamando o meu pai de papai?
— Porque ele é o nosso pai. — respondeu Apollo de imediato, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Orion assentiu com a cabeça, concordando com o irmão.
— É sim. — reforçou. — Papai Damian é nosso papai também.
Danian franziu a testa, cruzando os braços miúdos em frente ao peito.
— Não é não. — rebateu, sério. — Ele é meu pai. Só meu!
O silêncio ficou pesado, mas só por alguns segundos, porque logo os três começaram a se encarar como se estivessem em guerra.
Fechei a porta atrás de mim, tentando pensar em como controlar o caos iminente.
— Meninos… — comecei, mas Apollo já havia dado um passo à frente.
— Ele é nosso pai, sim. — disse, firme. — A mamãe falou, nossa mamãe não mente.
Danian o encarou como se tivesse levado uma facada.
— A minha mamãe também falou que ele é meu pai. Só meu! — insistiu, com a voz tremendo de raiva e confusão.
— Mas a gente também é! — retrucou Orion, batendo o pé no chão. — Ele é nosso pai!
— Não é, não! — Danian rebateu, o rosto já corando pela raiva. — Ele só tem eu!
A discussão ganhou força em segundos, cada um defendendo seu ponto com a convicção absoluta que só crianças daquela idade podiam ter.
— Não, ele é nosso pai também!
— Não, é só meu!
— É nosso!
— Não é!
Suspirei fundo, passando a mão pelo rosto. Eu podia encarar executivos de meia-idade, conselhos de acionistas, até o inferno que era lidar com Sophie, mas três crianças pequenas discutindo sobre quem era meu filho de verdade estava além da minha capacidade.
Virei o rosto em busca de socorro e encontrei Larissa parada no canto da sala. Ela levantou as mãos, palmas para cima, deu de ombros e balançou a cabeça, como quem dizia: “também não sei o que fazer”.
— Ótimo… — murmurei baixo, mais para mim mesmo.
Foi nesse instante que Stella surgiu na porta. Seu olhar percorreu a cena rapidamente: eu tentando controlar três meninos à beira de um motim, Larissa apenas olhando o "assunto de familia", e as crianças discutindo como se o mundo dependesse disso.
Ela suspirou, ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e se aproximou com calma.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, com uma voz suave.
As três crianças se viraram ao mesmo tempo, cada uma pronta para apresentar seu caso. Apollo foi o primeiro:
— Mamãe, eu e Orion estávamos falando que o papai Damian é o nosso pai também e esse menino diz que não.
— Mas eu disse que ele é só meu pai! — Danian retrucou imediatamente, com os olhos cheios de lágrimas que ele se esforçava para segurar.
Stella assentiu devagar, como se fosse a juíza responsável pela sentença final. Ela se agachou para ficar na altura deles, apoiando as mãos nos joelhos.
— Escutem só. — começou, olhando de um em um. — Às vezes, a vida pode ser complicada, mas o coração das pessoas é muito grande. E sabem o que isso significa?
Apollo, Orion e Danian a encararam e balançaram a cabeça.
— Significa que o mesmo pai pode amar três filhos diferentes do mesmo jeito. — explicou com cuidado. — Não importa se vocês são de lugares diferentes, ou se não moram na mesma casa. O que importa é que ele é pai de vocês três e não amará menos um que o outro.
Danian olhou para mim, depois para Stell. Orion e Apollo, por outro lado, já sorriam como se a sentença tivesse sido dada a favor deles.
— Então… ele é nosso pai também. — disse Orion, com orgulho.
Danian hesitou por um momento, os olhos marejados, mas por fim suspirou e balançou a cabeça em concordância, quase sem voz:
— Tá… a gente divide.
— Isso mesmo. — Stella disse, abrindo um sorriso doce. — Não existe limite para o amor de um pai. Ele pode ser de todos vocês e agora vocês também podem gostar um dos outros, não acham legal ter muitos irmãos para brincar?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!