DAMIAN WINTER
Cheguei em casa mais cedo para não levar Danian muito tarde. As coisas na empresa estavam se acalmando como esperado, apesar de todo os esforço que precisei gastar, nós provamos facilmente que a acusação de fraude era só uma tentativa de nos derrubar e aquele jornal perdeu sua credibilidade para sempre. Em breve, perderiam dinheiro também, porque nós íamos em frente com o processo.
Mal tirei o paletó e já ouvi vozes elevadas no hall. Seguindo o som, encontrei Danian sentado no tapete, com o olhar confuso e uma expressão de medo e ansiedade. Sophie estava lá, e à frente dela, estavam meus pais. Eu desconfiava que essa seria sua última cartada quando me comunicaram da alta dela, se pudesse teria adiado mais um dia para sair antes que ela voltasse e me poupar do drama que viria a seguir:
— Damian! — a voz do WW se elevou assim que seus olhos pousaram em mim. — O que você pensa que está fazendo?!
Mantive-me calmo e caminhei até meu filho.
— Danian, filho. — chamei sorrindo e toquei seu cabelo. — Pode ir para o seu quarto? Deixe os adultos conversarem.
Ele assentiu com a cabeça e subiu as escadas.
Observei até que ele sumisse e então voltei-me para o meu pai, encarando-o de forma direta.
— Pai, mudar de casa é um passo básico em qualquer processo de separação.
— Isso tudo é por causa daquela mulher e dos filhos bastardos que ela trouxe não é?!
O sarcasmo e o desprezo eram evidentes em sua voz. Ele estava furioso, e eu podia sentir cada centelha de raiva percorrendo a sala.
— WW... — O chamo assim só para irritá-lo ainda mais — eu não vou avisar novamente. Não fale com desdém sobre Stella ou nossos filhos. Não farei tolerarei outra vez.
Antes que ele pudesse replicar, minha mãe levantou, confusa e se meteu entre nós.
— Damian… do que vocês estão falando? Que história é essa de Stella e nossos filhos? Que filhos?
Olhei para o meu pai que deu um passo atrás e esfregou as mãos nos olhos. Quer dizer que ele ainda não tinha contado a ela? Se estava adiando revelar porque saiu cuspindo merda sem pensar?
Me concentro na minha mãe novamente que continua esperando uma explicação.
Antes que eu pudesse responder, a voz venenosa de Sophie se intrometeu.
— Eu digo para você, Elaine. — ela avançou meio passo. — Stella é a amante do seu filho. A mulher por quem ele sempre se arrastou, e que agora ele resolveu colocar no lugar da esposa.
Senti o sangue ferver nas veias.
— Cuidado com as palavras, Sophie. — rosnei, encarando-a de frente. — Stella não é minha amante. Ela é a mulher que eu amo. A mulher que me deu dois filhos anos atrás, filhos que eu só descobri agora: Apollo e Orion.
O rosto da minha mãe empalideceu. Ela ergueu uma das mãos para a boca, como se precisasse se segurar para não desmoronar.
— Espera… Stella é…
— Sim. — interrompi antes que ela completasse. — A mesma mulher que salvou a sua vida, mãe.
Os olhos dela se encheram de lágrimas imediatamente. Ela deixou escapar um soluço baixo e, num tom quase infantil, murmurou:
— Então… os meninos… Apollo e Orion… eles são meus netos?
Assenti, com o olhar preso ao dela, sem vacilar.
— Sei muito bem. — ele rebateu, erguendo o queixo. — Você acha que vai herdar tudo só porque tem um bom cérebro para negócios? Não se esqueça de quem abriu as portas para você. Se largar a Sophie, se largar essa família, não vai sobrar nada. Eu entrego a presidência para outro. Até mesmo para a irresponsável da sua irmã.
— Lizzy? — perguntei com ironia. — Com todo o respeito, pai, ela não consegue mais lidar nem com a própria função, quem dirá comandar a Winter.
O rosto dele ficou ainda mais vermelho.
— William, não perca seu tempo discutindo com ele. Damian sempre foi rebelde, sempre se achou melhor que todos. Ele só precisa de uma lição. Quando perder a empresa, quando perder tudo o que conquistou, vai voltar rastejando.
Me virei para Sophie lentamente, e o meu olhar foi suficiente para fazê-la baixar os olhos e ficar quieta.
— Você fala como se ainda tivesse alguma moral nessa casa, Sophie. — sibilei. — Mas talvez seja a hora do meu pai descobrir de onde realmente veio o caos que caiu sobre a empresa.
Ela empalideceu, mas tentou se recompor.
— Não ouse me difamar, Damian. Você não tem nada contra mim.
— Não? — virei meu olhar para o meu pai. — É impressionante como você passa a vida inteira me cobrando lealdade, me ameaçando com herança, com a empresa, enquanto defende cegamente essa mulher.
— Cuidado com o que vai dizer. — ele advertiu.
Eu sorri de lado. O golpe estava pronto.
— Você quer saber, pai, quem realmente colocou a empresa em crise? Foi a sua nora adorada. — falei, deixando cada palavra se libertar com satisfação. — Sophie, junto com a mãe dela. As duas são responsáveis pelo escândalo que quase nos derrubou na mídia.

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