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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 89

DAMIAN WINTER

O silêncio que se abateu na sala após minhas palavras foi quase ensurdecedor. O rosto de meu pai, rígido, se voltou lentamente para Sophie. Os olhos dele faiscavam de incredulidade, mas também de decepção.

— Sophie… É verdade o que ele disse?

Ela empalideceu de imediato, os lábios tremendo, o peito subindo e descendo em respirações curtas.

— Eu… eu não… — tentou balbuciar, desviando o olhar de todos. — Foi a minha mãe… só a minha mãe! Eu não sabia de nada, juro!

Meu pai ergueu as mãos, esfregando o rosto como se tentasse afastar a verdade. A fé nela que sempre carregava agora parecia ruir em pequenos fragmentos.

— Você… deixou a sua mãe envolver o nome da nossa família em lama? — ele pressionou, sem olhar para ela. — Se não a impediu por conivência, foi por incompetência.

Sophie começou a chorar e sacudir a cabeça tentando desesperadamente se defender. Acho que desviei toda a atenção para ela agora.

— Eu não queria! Eu nunca quis prejudicar ninguém! Eu só… eu só não sabia que ela faria isso! Tudo o que eu tenho tentado fazer é proteger nossa familia, meu casamento e meu filho. Como eu poderia vigiar os passos da minha mãe, quando ainda estava me recuperando no hospital?

Revirei os olhos, sem paciência para o teatro.

— Chega. Já perdi tempo demais com essa farsa. — Me virei para meu pai. Ele ainda parecia travado, processando tudo e não parecia mais disposto a tentar nada para me prender ali. — Está ficando tarde. — declarei, me afastando. — Não vou ficar discutindo com vocês.

Dei alguns passos até a porta e chamei por Jonas.

Em segundos, meu chefe de segurança apareceu.

— Senhor?

— Traga o carro. Agora e mande alguém subir para trazer as malas no meu quarto.

Ele assentiu e saiu sem dizer mais nada. Voltei a subir as escadas, sem me importar em deixar todos paralisados na sala. Minha decisão já estava tomada.

No quarto de Danian, encontrei meu filho deitado na cama, com os olhos arregalados, claramente ouvindo parte do que acontecia lá embaixo. Sentei-me na beira da cama e passei a mão em seus cabelos.

— Está tudo bem, filho. — disse baixo. — Nós vamos embora daqui.

Ele assentiu, ainda confuso, mas confiando em mim. Peguei sua mochila pequena e depois arrastei uma das malas, deixando a outra para trazerem. Com uma única mão, ergui Danian no colo, sentindo o corpo pequeno dele se encolher contra o meu peito.

Descemos as escadas em silêncio. Minha mãe ainda estava com lágrimas nos olhos, visivelmente abalada. Sophie tremia, e meu pai parecia um homem que havia levado um soco no estômago.

Ninguém se moveu. Ninguém ousou dizer uma palavra.

Parei por um instante à frente deles, mantendo Danian firme no colo e encarei Sophie diretamente.

— Quando quiser ver o Danian, é só avisar. — minha voz saiu baixa, mas clara, sem margem para discussão. — Eu não vou impedir. E terá todo o direito de brigar comigo pela guarda dele no processo de divórcio.

Ela abriu a boca, mas nada saiu. Apenas lágrimas escorreram pelo rosto que antes ostentava sorrisos de falsa superioridade. Duvido muito que ela iria querer a guarda do nosso filho, mas mesmo assim, não duvido que brigue só para me infernizar.

O guarda enviado por Jonas entrou pela porta com passos apressados e parou na minha frente.

— Senhor Winter. — disse com a voz neutra, esperando instruções.

— Há duas malas no meu quarto e uma no quarto do meu filho. Traga-as para o carro imediatamente. — ordenei.

Ele assentiu com um pequeno movimento de cabeça e subiu as escadas. Mantive Danian no colo, o corpo dele encolhido contra o meu ombro, como se buscasse segurança no contato. Eu estava prestes a atravessar a sala quando Sophie se lançou na minha frente. Ela caiu de joelhos, com os olhos vermelhos e marejados e as mãos estendidas em súplica.

— Damian, por favor… não vá. — a voz dela saiu embargada em meio aos soluços. — Eu vou mudar! Eu faço qualquer coisa! Só não vá embora, não me deixe sozinha assim…

Suspirei fundo, mantendo meu olhar sobre ela, mas sem qualquer sinal de compaixão à vista.

— Saia da minha frente, Sophie. — minha voz foi gelada, sem espaço para negociação.

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