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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 193

O choque dos dois monstros ecoou pelos penhascos como um trovão.

O corpo colossal do supremo e o lobo cinzento de Atlas se encontraram no ar, garras contra garras, dentes contra dentes, peso contra peso. O impacto foi tão violento que a terra ao redor explodiu como se tivesse sido atingida por uma bomba, terra suja de sangue voando para todos os lados.

Rolaram juntos, um emaranhado de pelos escuros e cinzentos, sangue e fúria. O rugido dos dois era um som bruto, quase impossível de distinguir quem era quem por alguns segundos. Eles se separaram, escorregando pelo chão, deixando rastros vermelhos por onde passavam.

River foi o primeiro a se erguer.

O corpo de Lycan supremo, enorme, se levantou numa linha firme, o peito subindo e descendo em respirações pesadas. Os olhos vermelhos brilhavam com um ódio que não era cego, era consciente. Do outro lado, Atlas se reequilibrava sobre as quatro patas, o pelo cinza eriçado, as mandíbulas escancaradas num rosnado ensandecido.

Eles se encararam.

Por um instante, o campo inteiro pareceu prender o fôlego.

O lobo cinzento disparou para frente como uma flecha, rápido, impulsionado por uma fúria tão velha que parecia a única coisa que o mantinha de pé. Ele avançou com a mandíbula aberta, mirando a garganta de River que, no último segundo, girou o corpo, desviando o golpe e usando o próprio impulso de Atlas a seu favor. As garras do Lycan se cravaram nas costas do lobo cinzento, riscando linhas fundas de vermelho ali. Atlas uivou de dor, mas não recuou. Girou a cabeça, tentando alcançar qualquer pedaço de River com os dentes.

Eles colidiram de novo.

Dessa vez, foi um choque mais baixo, mais bruto, River empurrou Atlas para trás, as garras afundando na pele dele enquanto o cinzento insistia em atacar, em tentar matar o supremo.

“VOCÊ ROUBOU TUDO DE MIM!”

A voz de Atlas explodiu pela conexão mental, atravessando o campo inteiro. Não era direcionada só a River, era jogada contra qualquer um que tivesse a infelicidade de ouvir.

“ERA MEU! EU NASCI PRIMEIRO! ERA PRA SER O MEU TRONO, A MINHA ALCATEIA! VOCÊ SEMPRE FOI UM LADRÃO, RIVER!”

O supremo cerrou ainda mais as garras, o peito queimando não de esforço, mas pela memória, por tudo o que se lembrava da infância deles.

Por um segundo, flashes vieram: dois garotos correndo pela neve, os mesmos olhos, os mesmos dentes, o mesmo sangue. As costas de Atlas ao lado dele quando enfrentaram, juntos, o primeiro inimigo fora da alcateia. As risadas, os planos sobre quem seria o alfa, quem seria o braço direito. O pai deles avaliando os dois com o olhar, e o brilho de orgulho que nunca tinha sido para Atlas.

Pai.

Alcateia.

Trono.

Tudo aquilo parecia tão distante agora, afogado em sangue e magia podre.

“Você podia ter sido meu irmão.”

A voz de River atravessou a mente de Atlas, grave, rouca, ferida. “Podia ter governado ao meu lado. Podia ter tido tudo.”

Atlas riu.

“Eles vão, porque eu sou o supremo alfa…” Ele rosnou, trazendo o irmão de volta ao foco. “Eu sou o rei dos lobos!”

O Lycan bateu nele como uma avalanche, o som dos corpos colidindo foi abafado pelo barulho da neve sendo esmagada. Atlas foi derrubado com brutalidade, o peito se chocando contra o chão, o ar saiu dele num uivo sem voz.

River não deixou ele se recuperar.

Em um movimento preciso, quase frio, o supremo plantou uma pata na altura dos ombros de Atlas, prendendo-o contra o solo. O peso era tanto que o lobo cinzento mal conseguia mexer as patas dianteiras. Ele se debateu, rosnando, tentando rolar, mas River ajustou a posição, cravando as garras no chão e no corpo do irmão, firme como uma montanha.

Do campo inteiro, dava pra ver.

O rei das montanhas estava imobilizado.

Um silêncio estranho começou a se propagar, quebrando aos poucos o som da batalha. Uivos foram morrendo, gritos se apagando, passos desacelerando. Lobos de Atlas olharam na direção dos dois, congelados entre continuar lutando ou fugir, lobos da Lua Sangrenta recuaram meio passo, o peito arfando, o sangue pingando, os olhos fixos na cena.

Lyra forçou o corpo a erguer um pouco mais.

Do ponto onde estava, ela via River por completo, aquele corpo enorme, ferido, respirando como um demônio cansado. Via Atlas embaixo dele, o pelo cinzento sujo de sangue, os olhos arregalados. A Luna prateada sentiu o coração acelerar, porque sabia que aquele momento não era apenas o fim de uma guerra, era o fim de uma história que tinha começado antes deles.

“Atlas.” A voz de River entrou na mente do irmão, densa, cortante, não havia mais espaço para gritos, só para a verdade. “Manda seus soldados pararem.”

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