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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 158

O sol começava a desaparecer atrás das montanhas, tingindo o céu de tons avermelhados e o vento soprava seco nas terras dos renegados, carregando o cheiro de sangue, metal e fumaça.

A tenda de Atlas estava silenciosa, um silêncio denso, quase sufocante. Ele entrou, afastando o tecido da entrada com um gesto impaciente, o colar com a pedra verde ainda brilhava no peito dele, pulsando como se tivesse vida própria. O brilho estranho refletia no rosto de Lyra, que permanecia caída no chão, o corpo fraco, mas os olhos abertos e atentos.

Atlas se aproximou, a sombra dele cobrindo o corpo dela e, com a ponta da bota, empurrou o ombro da loba, fazendo-a se mover.

— Ainda viva, Luna? — provocou, o tom debochado. — Achei que já tivesse desistido.

Lyra gemeu baixo, tentando levantar a cabeça. A prata das correntes brilhava com as fagulhas da fogueira, e o cheiro do mata-lobos impregnava o ar.

— Um pouquinho de veneno... — ele disse, se abaixando diante dela, os olhos cheios de desprezo. — E a grande Lyra da Lua Sangrenta já tá no chão.

Ela o olhou com raiva, o peito subindo e descendo com dificuldade.

— Você... não vai... vencer. — falou entre os dentes, a voz fraca, mas firme.

Atlas riu, a risada fria e arrogante.

— Ah, mas eu já venci. — endireitou o corpo, o colar brilhando com mais força. — Hoje à noite, sua filhinha vai ser minha e, se ela for comportada, talvez eu deixe ela viver.

Lyra rosnou, mostrando as presas, mesmo com o corpo tremendo.

— Se encostar nela... eu mesma arranco sua cabeça.

— Admiro seu ciumes de mãe… — ele se inclinou, o rosto quase tocando o dela. — Mas você não vai estar lá pra ver.

Ele deu dois tapinhas leves na bochecha dela, como se zombasse, e se levantou.

— Fica aí, descansando. Eu vou vencer uma guerra e já volto.

Atlas saiu, empurrando a cortina da tenda com força. Do lado de fora, dezenas de lobos esperavam, armados, em formação. Ele ergueu o braço e a tropa respondeu com um uivo uníssono, o som ecoando por quilômetros.

— Avancem! — ele rugiu. — Hoje, a Lua Sangrenta cai!

O chão pareceu vibrar quando eles começaram a marchar, a poeira subindo sob as patas e botas e antes de desaparecer na neblina, Atlas olhou por cima do ombro e chamou quatro soldados.

— Fiquem de olho na prisioneira. — ordenou, seco. — Se ela tentar fugir... matem.

Os homens assentiram, e ele seguiu em frente, o rugido da alcateia misturado ao som distante dos tambores de guerra.

Dentro da tenda, Lyra cerrou os dentes, respirando fundo, o corpo ainda doía, mas a dor também era força, pois tinha fé que não ia morrer ali, não antes de vê-lo cair.

***

Na Lua Sangrenta, o acampamento vibrava de tensão, os guerreiros estavam em posição, as barricadas reforçadas, os rádios funcionando, e o cheiro de metal e óleo de arma impregnava o ar. O céu escurecia rápido, e a floresta parecia prender o fôlego.

As crianças e os mais velhos já tinham sido levados para o esconderijo subterrâneo atrás da colina, junto com os feridos e os lobos mais fracos e agora, só restavam os que estavam dispostos a lutar até o fim.

Lua estava na área principal, observando os lobos se prepararem, o peito apertado. A cada batida do coração, o medo crescia, mas ela tentava disfarçar.

Caleb passou por entre os soldados e parou ao lado dela, ajeitando as luvas pretas, enquanto o olhar dele estava fixo no horizonte, onde o vento trazia o cheiro do inimigo.

— Tá perto. — ele disse, baixo.

Lua assentiu.

— Eu sei.

— Eu percebi. — River continuou. — E sei que tá tentando ser o homem que ela merece.

Ele fez uma pausa e olhou para fora, onde o céu escurecia de vez.

— Quando tudo isso acabar... quero que façam o ritual da marca. — disse, com firmeza. — Quando estiverem prontos.

Caleb engoliu em seco, sem saber o que responder.

— Eu prometo.

River assentiu e voltou o olhar para o horizonte.

— Agora vai e fica de olho nela.

Caleb fez um breve aceno e se afastou, o coração acelerado.

Do lado de fora, Lua o esperava, de pé, com um olhar firme e até um pouco nervoso. Ele caminhou até ela, parando a poucos passos de distância.

— O que ele disse? — perguntou.

Caleb sorriu de leve.

— Que a gente tem um futuro pra lutar por ele.

Ela retribuiu o sorriso, nervosa.

— Então vamos lutar.

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