Emily
Okan é uma tempestade que arrasa meu equilíbrio. Ele me desestabiliza de uma forma que odeio admitir. Será que vou pagar tão caro por um erro impensado?
Antes de alcançar Kayra, Ômer surge ao meu lado, com seu sorriso fácil.
—Venha, Emily. — Ele diz, colocando uma mão leve em minhas costas, guiando-me até seu tio. — Tio Mustafá, Emily é muito talentosa e toca lindamente o piano. Gostaríamos que o senhor a ouvisse.
O homem sorri de maneira acolhedora.
—Claro, por que não?
Ômer me olha com expectativa, como se tivesse acabado de me colocar no centro do palco.
—Emily, por favor, nos dê o prazer de ouvi-la! — Ele gesticula em direção ao piano, abrindo espaço para que eu avance.
Os olhos do pai de Okan brilham quando se encontram com os meus. Ele se senta no sofá, rodeado por seus convidados, todos aguardando minha apresentação. O silêncio na sala parece crescer, quase palpável.
Essa família tem a música no sangue. Isso é evidente.
Respiro fundo, tentando controlar o nervosismo. Dou um passo à frente e caminho até o piano, um instrumento imponente e magnífico, que parece me convidar a tocá-lo. Removo o protetor das teclas com cuidado e me sento na banqueta, ajustando os pés nos pedais.
Por um instante, fecho os olhos, isolando-me do mundo ao meu redor. É só eu e o piano. Quando abro os olhos, sinto-me pronta.
Meus dedos pousam sobre as teclas, os pulsos elevados. Começo a tocar, e as primeiras notas preenchem o ambiente. Conheço a música tão bem que minha voz surge quase sem querer, acompanhando a melodia com um timbre suave.
Enquanto toco, sinto a conexão com o instrumento, como se ele respondesse às minhas emoções. Minha voz e as notas se misturam em perfeita harmonia, criando algo maior. Por um momento, esqueço onde estou. É só música.
E é lindo.
Christina Perri - A Thousand Years
A Thousand Years
Heart beats fast
Colors and promises
How to be brave?
How can I love when I'm afraid to fall?
But watching you stand alone
All of my doubt suddenly goes away somehow
One step closer
I have died everyday waiting for you
Darling, don't be afraid, I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more
I have died everyday waiting for you
Darling, don't be afraid, I have loved you
For a thousand years
Ele não sorri. Não aplaude. Ele me olha com uma intensidade que me faz estremecer, como se estivesse tentando desvendar algo em mim que nem eu mesma compreendo. Seu rosto sério é uma contradição ao ambiente à nossa volta. Há algo confuso e incontrolável naquela expressão, como uma tempestade prestes a se formar.
Sinto-me mais viva do que nunca. Mostrar que sou mais do que um corpo bonito, como ele provavelmente acha, é uma pequena vitória. Desvio meu olhar do dele, inclinando levemente a cabeça em um gesto de agradecimento a todos.
Como combinado previamente, estendo minha mão para Ômer, que vem até mim com seu sorriso caloroso e convidativo. Ele segura minha mão com delicadeza, me conduzindo de volta à banqueta. Sento-me novamente, enquanto ele se posiciona ao meu lado. Trocamos um olhar cúmplice, e eu sinto um momento de tranquilidade em sua presença.
Com as mãos pairando sobre as teclas, dou início à melodia que ensaiamos. "Nothing Else Matters" começa a tomar forma sob meus dedos. Ômer, com um brilho nos olhos, entra no tempo certo, preenchendo as notas com sua contribuição, ainda que hesitante.
De vez em quando trocamos olhares e sorrisos rápidos. Há uma magia em tocar ao lado de alguém, mesmo que ele não seja um pianista tão habilidoso. Preciso ajustar meus movimentos algumas vezes para corrigir o andamento e sustentar a harmonia da música. No entanto, essa parceria improvisada nos aproxima de uma maneira simples e sincera.
Enquanto a melodia cresce e atinge suas notas mais emocionantes, sinto um arrepio percorrer minha espinha. O peso de um olhar específico em minha direção é palpável. É como se Okan estivesse cravando os olhos em mim e em Ômer, e isso me deixa inquieta. Tento manter minha concentração na partitura, mas meu coração pulsa rápido, descompassado.
Ele está me observando. Sei que está.
Quando a última nota se dissolve no ar, o som das palmas irrompe mais uma vez. É um aplauso forte, caloroso, que preenche o ambiente com energia.
—Muito bom! Bravo! — O senhor Mustafá exclama, acompanhando as palmas animadas dos outros convidados.
Eu e Ômer nos levantamos juntos, inclinando-nos em agradecimento. Ele, sempre cavalheiro, beija minha mão, fazendo-me sorrir com a gentileza. Meu olhar percorre rapidamente os rostos da sala até encontrar o de Okan, que está um pouco afastado, mantendo-se fora do círculo de celebração.
Ele não aplaude.
Seus olhos estão afiados, fixos em nós dois. Há algo quase perigoso em sua postura. Uma fina camada de suor brilha em sua testa, e a contrariedade em seu semblante é visível, como se cada fibra de seu ser estivesse em conflito.
E eu? Eu simplesmente não me importo.
Cruzo o olhar com ele por um breve segundo antes de desviar novamente. Parece que não sou boa o suficiente para ele nem mesmo como pianista.
—Okan, por que não toca para nós? — A voz de seu pai quebra o momento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...