Ele meneia a cabeça.
—E nunca aconteceu de uma mulher flertar comigo, me deixar a mil com suas teias de sedução e depois me deixar do jeito que você me deixou. Isso não se faz com um homem. Lembre-se que eu insisti em te levar para casa, mas você não quis.
Ele disse tudo com uma calma quase desconcertante. Suas palavras fluíram tranquilas, mas a ameaça nelas contida era inegável, como uma serpente enrolada, pronta para atacar. Eu senti o impacto. Era impossível não sentir.
—Passou... o momento. — Digo, tentando soar firme, mas os lábios tremem, denunciando meu nervosismo. Meu coração está em completo descompasso, pulsando forte como se tentasse escapar do meu peito. A imagem de nós dois juntos, evocada por sua fala, invade minha mente, e é como se cada batida de meu coração ecoasse essa lembrança.
Eu estremeço. Tento lutar contra a avalanche de sensações que me dominam, mas é inútil. Não consigo me blindar, não consigo ser fria como ele.
Seus olhos, penetrantes e intensos, fixam-se nos meus. É impossível desviar. Eles me queimam, me consomem, como um fogo que se espalha rapidamente. E então, ele sorri. Não um sorriso qualquer, mas aquele que carrega uma certeza irritante.
—Duvido! Esse coraçãozinho batendo como asas de um pombo, sua respiração ofegante... dizem outra coisa. Saiba que provar isso para você virou um desafio, e eu adoro desafios.
Sua voz ressoa em minha mente, como se cada palavra fosse feita para me desafiar. Antes que eu consiga responder ou reagir, os passos dos tios dele ecoam pela sala. A interrupção é uma bênção inesperada. Aproveito o momento para me afastar, cada passo um esforço consciente para não vacilar.
Meu coração está uma bagunça, disparado e inquieto, como se quisesse me trair a cada segundo. Há um nó na minha garganta, grosso e sufocante, que me esforço para conter. Com passos incertos, quase trôpegos, sigo em direção a Kayra, buscando um refúgio, uma âncora.
Continue andando, respire fundo, ignore o nervosismo. Repito isso como um mantra, tentando me convencer, mas o peso dessa ordem mental só parece aumentar minha vulnerabilidade. Me sinto um pequeno barco lutando contra uma correnteza impiedosa, remando contra a força esmagadora das águas que me empurram para um abismo.
A vontade de ceder, de largar tudo e me jogar nos braços dele, é uma força tão esmagadora quanto a gravidade. Cada passo que dou parece me levar mais longe da sanidade.
Deus, me ajude a resistir. Me ajude a não ceder.
Okan
Ela me confunde. Irrita-me como ninguém mais consegue. Eu sou bom em ler as pessoas, mas Emily é um enigma que insiste em me escapar. Sua expressão é um mistério, e eu detesto mistérios. Solto o ar com força, frustrado, enquanto ela aproveita a presença de meus tios para se afastar.
Culpa dela. Tudo culpa dela!
Como posso negar o que sinto se vejo nos olhos dela o reflexo do mesmo desejo? Ela tenta esconder, mas eu vejo. Seu corpo não mente. Quero o que me foi negado.
Por que ela insistiu naquela noite, me puxou para o limite, apenas para recuar no último momento? Agora, ela terá que lidar com as consequências dessa escolha.
E as amigas dela? Elas riram de mim, como se eu fosse algum tolo. Mas não importa. Emily precisa entender que brincar comigo tem um preço, e eu estou disposto a cobrá-lo.
Não posso aceitar não tê-la. Preciso dela, uma última vez, uma noite para encerrar tudo. Depois disso, serei o homem que devo ser.
Allah, me ajude a suportar essa loucura.
Enquanto isso, Ayla se aproxima. Respiro fundo, tentando me recompor, mas o desejo que queima dentro de mim não desaparece. Com um movimento calculado, enfio as mãos nos bolsos, ajustando meu corpo para esconder minha reação evidente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...