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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 102

A porta da cobertura de Alex se abriu antes mesmo que Liam tivesse tempo de tocar a campainha pela segunda vez.

— Boa noite, senhor Holt. — disse a empregada, inclinando a cabeça com respeito. — O doutor Alex está no quarto.

Ela abriu mais o espaço para que Liam passasse.

A cobertura estava impecável. Iluminação quente, cheiro de whisky caro e incenso suave, obras de arte discretas nas paredes. Um ambiente de gente poderosa.

Alex surgiu logo em seguida, vindo do corredor interno.

Camisa social negra, mangas dobradas até o antebraço, relógio elegante, cabelo perfeitamente arrumado. Estava claramente pronto para sair ou receber alguém, mas não esperava Liam naquele estado.

Parou no vão entre a sala e o corredor, cruzando os braços, estudando o amigo com aquela precisão quase cirúrgica que ele tinha.

Um olhar de quem lia pessoas antes mesmo que elas se organizassem por dentro.

E Liam… estava exposto. No pior humor possível. Tenso. Fechado. Carregado.

Alex inclinou levemente a cabeça para o lado. Não um gesto dramático, mas suficiente para mostrar que já tinha entendido metade da história só de olhar para ele. A expressão era uma mistura de surpresa e um traço discreto de ironia.

— Pela sua cara… — disse devagar, medindo o tom. — Aconteceu alguma coisa séria entre você e a Olívia. E não parece pouca coisa.

Liam não sorriu. Não corrigiu. Não negou.

Apenas entrou. Uma presença rígida, como se fosse feito de concreto e orgulho.

Como se a presença do amigo fosse o único lugar possível antes de perder o controle.

Ele caminhou até o sofá e se jogou ali, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas, o corpo inteiro vibrando tensão.

— A vida não gira em torno dela. — disse sem olhar para Alex. — E eu não vim aqui pra falar de mulher nenhuma.

Alex sentou-se no sofá à frente, cruzando os braços com a calma de quem via mais do que o outro queria mostrar.

— Aham. — murmurou, claramente duvidando de cada sílaba. — Tanto que você chegou de viagem, foi direto pra mansão, provavelmente brigou com sua esposa… e terminou aqui. Bem típico de alguém totalmente estável emocionalmente.

Liam revirou os olhos, exausto demais para mascarar totalmente o incômodo.

Alex inclinou-se um pouco, sem perder o tom leve que usava quando cutucava o amigo de propósito.

— E por que não foi se… aliviar com suas acompanhantes? Você sempre resolveu tudo assim. — A ironia era fina, mas havia genuína curiosidade por baixo.

Só então Liam ergueu o olhar. Frio. Firme.

— Não contrato mais o serviço delas. — afirmou. — Estou na seca.

Alex arregalou os olhos de maneira tão exagerada que parecia de propósito.

— Eu não acredito que acabei de ouvir isso. — disse, passando a mão pelo rosto, dramatizando cada segundo. — O mundo não pode acabar agora. Eu ainda nem encontrei alguém pra mim.

Liam soltou o ar, impaciente, a mandíbula travando.

— Eu não deveria ter vindo. — murmurou, já se levantando. O movimento era contido, como se uma parte dele realmente quisesse ir embora… e outra não tivesse forças.

Alex ergueu a mão, no gesto preciso de quem ordena silêncio num tribunal.

— Estou com tanta raiva da Olivia que… não fiz absolutamente nada. — completou, a mandíbula tensa, como se a própria confissão o irritasse ainda mais.

Alex soltou um suspiro lento, um que não carregava surpresa, apenas confirmação.

Liam continuou, o tom endurecendo de volta à rigidez confortável.

— E pra completar, quando cheguei na mansão… ela estava deslumbrante. — disse, irritado, como se cada detalhe da cena o tivesse atingido. — Vestida pra matar. Ia sair com a minha irmã, com certeza, e nem me comunicou. Eu ia descobrir de novo pelos seguranças ou pelo meu avô. Como sempre.

Alex o observou com atenção aguda, aquele tipo de atenção que Liam detestava, porque via além das palavras.

— E ela acha que eu viajei com a Bárbara porque a própria deu a entender isso. — acrescentou, cada sílaba saindo pesada, carregada de um fastio contido.

O amigo arregalou os olhos, teatral, mas a perplexidade era real.

— Você não falou pra ela que… digamos assim… só deu uma carona? — perguntou, inclinando-se um pouco, como se buscasse um fio de lógica. — Já que a Bárbara estava no mesmo país, voltando pra cá?

Liam recostou-se no sofá, o corpo afundando como se estivesse finalmente admitindo, sem palavras, o que pesava nos ombros.

— Não falei. — disse, seco, mas havia um resquício de algo, irritação consigo mesmo, talvez.

Alex soltou uma risada curta, vazia.

— Claro que não. — murmurou, passando a mão pelo rosto como quem vê um desastre anunciado. — Por que facilitar a comunicação, né? Seria pedir demais. Tornaria tudo muito simples.

Liam nem piscou. Ignorou totalmente a provocação, mantendo o olhar fixo no nada, gélido, duro, como se relembrar fosse mais irritante do que admitir.

— E pra fechar com chave de ouro… brigamos no quarto. — disse, por fim, a voz baixa, áspera, como se cada palavra arranhasse a garganta.Nada leve. Nada civilizado.

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