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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 103

Alex soltou um “hm” lento. Ele inclinou um pouco a cabeça, estudando o amigo com a precisão de quem já sabia que aquilo ia ser feio, mas não tinha ideia de quanto.

E Liam continuou.

— Quando percebi que tinha alguém ouvindo atrás da porta… — disse, apertando o maxilar — falei algumas coisas pra quem estava do lado de fora acreditar que era briga de casal. — Fez uma pausa. Respirou fundo. — Mas… algumas dessas coisas eram verdades. — admitiu, num sussurro tenso. — E ela não acreditou em nada.

Alex se recostou no sofá, apoiando o cotovelo no encosto enquanto cruzava as pernas com calma.

— Por que seria diferente? — perguntou, com uma ironia leve. Depois, seus olhos afinaram, deixando de lado a provocação. — E depois? — completou, agora levando a situação a sério novamente.

Liam passou a mão na nuca, frustrado, irritado com ele mesmo.

— Depois eu a prendi na porta. — disse sem desviar o olhar. — E beijei. Foi inevitável.

Alex piscou devagar, avaliando.

Liam continuou como se fosse obrigado a vomitar a verdade, mesmo odiando.

— E confessei que escolhi ela. — disse, seco, mas a verdade quente demais por baixo. — Eu… fui sincero nessa parte.

Houve um silêncio.

Um silêncio carregado.

— A vontade era tirar aquela roupa provocante e me perder nela. — ele disse, finalmente olhando pra Alex, exausto, irritado, honesto demais. — Sexo de reconciliação. Resolver tudo na cama. Eu pensei nisso. Deus sabe que pensei.

Alex arregalou os olhos um pouco, mas segurou um comentário ácido na boca.

O momento pedia mais análise do que ironia.

Liam continuou, a frieza voltando como uma armadura.

— Não me reconheço por admitir isso. — disse, a voz mais baixa. — Olívia está me enlouquecendo.

Alex ficou alguns segundos em silêncio, realmente analisando o amigo. Ele observou o maxilar rígido, os ombros tensos, o olhar inquieto por trás da frieza. Viu o homem que nunca admitia vulnerabilidade… agora sentado na sua sala, quebrado demais para fingir.

Respirou fundo.

E então falou sem ironia, sem brincadeira, mas com firmeza de quem é amigo de verdade.

— Liam… — começou devagar — …me conta tudo. Com detalhes. Sem cortar caminho. Sem censura.

Ele se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar sério como se estivesse num tribunal.

— Eu preciso entender o que você fez… — completou. — …e o que você sentiu. Só assim consigo te ajudar.

Liam levantou os olhos, e havia ali algo que Alex nunca tinha visto tão claro, não era só desejo, ciúme ou raiva. Era medo. Medo de perder Olívia de verdade. E Alex sabia, era o único sentimento capaz de desmontar o implacável Liam Holt.

O carro estacionou em frente à quitinete de Ísis, e as luzes amareladas da rua refletiram nos vidros. Olívia ajeitou o cabelo com movimentos precisos, como quem tenta recolocar no lugar algo que estava quebrado por dentro. Respirou fundo. Forçou a postura. E ligou.

Ísis atendeu quase instantaneamente, a voz animada preenchendo o viva-voz.

— Já chegaram barrigudinha? — perguntando se olhando no espelho.

— Amiga, chegamos. — avisou, olhando pela janela.

— Estou indo! — disse pegando a bolsa.

Poucos segundos depois, ela surgiu na porta da kitnet e desceu os degraus com a confiança de quem sabia exatamente o impacto que causava. Abriu a porta traseira com um sorriso largo e entrou.

— Olha elas! — anunciou, teatral. — Prontas para destruir a pista de dança hoje?

Laura analisou Ísis de cima a baixo, sem nenhum pudor, e arregalou os olhos.

— Mulher… — comentou, rindo. — Que corpão é esse? Na chamada de vídeo você parecia… menos ofensiva.

Ísis gargalhou alto.

— Ah, para! — disse, divertida. — Você não fica atrás não. Essas pernas de fora aí… puro deboche.

— Eu não sou ciumenta. — respondeu, embora a voz tivesse aquele vestígio meio rouco de quem ainda estava emocionalmente mexida.

Laura gargalhou, feliz por provocar.

— Ah não? — ergueu uma sobrancelha. — E aquilo que aconteceu na mansão, então?

Mesmo decepcionada com ele, eu consegui ver claramente que vocês dois são doentes de ciúmes um do outro. Igualzinho. Eca!

Ísis ergueu as mãos, teatral.

— Eu EXIJO uma atualização completa. — disse, com toda a animação dramática possível. — Agora!

Laura ligou o carro, colocando o cinto com pressa.

— Vamos conversando no caminho. — decidiu. — Já ficamos tempo demais paradas aqui. — Ela olhou para Olívia, um brilho cúmplice nos olhos. — Ah, e só pra constar, cunhadinha… eu coloquei a minha prima no devido lugar.

O sorriso que surgiu no rosto de Olívia dessa vez foi verdadeiro, do tipo que resgata um fiapo de autoestima depois de uma briga.

— Então pisa no acelerador. — disse. — Porque agora eu estou curiosa de verdade.

Laura riu, Ísis bateu na porta animada e o carro arrancou pela avenida.

A noite, finalmente, começou para elas.

Na cobertura, Alex já havia servido dois whiskies. O gelo tilintou no copo, mas Liam não moveu um músculo para beber.

Permanecia ali, com o copo entre os dedos, a mandíbula marcada pela tensão, o olhar perdido em algum ponto que Alex não conseguia enxergar.

O amigo o observava em silêncio. Não o silêncio confortável, mas o calculado, atento, o olhar de quem estava prestes a empurrá-lo contra a própria verdade.

Alex apoiou o antebraço no encosto do sofá, inclinando-se apenas o suficiente para encarar Liam de frente.

— Liam… o que você realmente quer?

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