Alex soltou um “hm” lento. Ele inclinou um pouco a cabeça, estudando o amigo com a precisão de quem já sabia que aquilo ia ser feio, mas não tinha ideia de quanto.
E Liam continuou.
— Quando percebi que tinha alguém ouvindo atrás da porta… — disse, apertando o maxilar — falei algumas coisas pra quem estava do lado de fora acreditar que era briga de casal. — Fez uma pausa. Respirou fundo. — Mas… algumas dessas coisas eram verdades. — admitiu, num sussurro tenso. — E ela não acreditou em nada.
Alex se recostou no sofá, apoiando o cotovelo no encosto enquanto cruzava as pernas com calma.
— Por que seria diferente? — perguntou, com uma ironia leve. Depois, seus olhos afinaram, deixando de lado a provocação. — E depois? — completou, agora levando a situação a sério novamente.
Liam passou a mão na nuca, frustrado, irritado com ele mesmo.
— Depois eu a prendi na porta. — disse sem desviar o olhar. — E beijei. Foi inevitável.
Alex piscou devagar, avaliando.
Liam continuou como se fosse obrigado a vomitar a verdade, mesmo odiando.
— E confessei que escolhi ela. — disse, seco, mas a verdade quente demais por baixo. — Eu… fui sincero nessa parte.
Houve um silêncio.
Um silêncio carregado.
— A vontade era tirar aquela roupa provocante e me perder nela. — ele disse, finalmente olhando pra Alex, exausto, irritado, honesto demais. — Sexo de reconciliação. Resolver tudo na cama. Eu pensei nisso. Deus sabe que pensei.
Alex arregalou os olhos um pouco, mas segurou um comentário ácido na boca.
O momento pedia mais análise do que ironia.
Liam continuou, a frieza voltando como uma armadura.
— Não me reconheço por admitir isso. — disse, a voz mais baixa. — Olívia está me enlouquecendo.
Alex ficou alguns segundos em silêncio, realmente analisando o amigo. Ele observou o maxilar rígido, os ombros tensos, o olhar inquieto por trás da frieza. Viu o homem que nunca admitia vulnerabilidade… agora sentado na sua sala, quebrado demais para fingir.
Respirou fundo.
E então falou sem ironia, sem brincadeira, mas com firmeza de quem é amigo de verdade.
— Liam… — começou devagar — …me conta tudo. Com detalhes. Sem cortar caminho. Sem censura.
Ele se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar sério como se estivesse num tribunal.
— Eu preciso entender o que você fez… — completou. — …e o que você sentiu. Só assim consigo te ajudar.
Liam levantou os olhos, e havia ali algo que Alex nunca tinha visto tão claro, não era só desejo, ciúme ou raiva. Era medo. Medo de perder Olívia de verdade. E Alex sabia, era o único sentimento capaz de desmontar o implacável Liam Holt.
O carro estacionou em frente à quitinete de Ísis, e as luzes amareladas da rua refletiram nos vidros. Olívia ajeitou o cabelo com movimentos precisos, como quem tenta recolocar no lugar algo que estava quebrado por dentro. Respirou fundo. Forçou a postura. E ligou.
Ísis atendeu quase instantaneamente, a voz animada preenchendo o viva-voz.
— Já chegaram barrigudinha? — perguntando se olhando no espelho.
— Amiga, chegamos. — avisou, olhando pela janela.
— Estou indo! — disse pegando a bolsa.
Poucos segundos depois, ela surgiu na porta da kitnet e desceu os degraus com a confiança de quem sabia exatamente o impacto que causava. Abriu a porta traseira com um sorriso largo e entrou.
— Olha elas! — anunciou, teatral. — Prontas para destruir a pista de dança hoje?
Laura analisou Ísis de cima a baixo, sem nenhum pudor, e arregalou os olhos.
— Mulher… — comentou, rindo. — Que corpão é esse? Na chamada de vídeo você parecia… menos ofensiva.
Ísis gargalhou alto.
— Ah, para! — disse, divertida. — Você não fica atrás não. Essas pernas de fora aí… puro deboche.

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