O ar no corredor pareceu ficar mais pesado. O sorriso educado de Edgar se desfez lentamente, substituído por uma expressão de alerta e tensão.
— Denúncia? — repetiu, sentindo o estômago se contrair. — Sobre o quê, exatamente?
Os dois profissionais trocaram um rápido olhar, típico de quem já havia passado por aquela situação muitas vezes.
— O senhor é Edgar Sterling? — confirmou a assistente social.
— Sou eu — respondeu, respirando fundo. — Desculpe… por gentileza, podem entrar.
Ele estendeu a mão em um gesto automático de cordialidade. Os dois aceitaram o cumprimento, e Edgar fechou a porta atrás deles com cuidado. Conduziu-os até a sala e indicou o sofá com a mão aberta.
— Por favor, fiquem à vontade.
Eles sentaram. Edgar permaneceu em pé por um segundo a mais, passando a mão pela nuca, antes de finalmente sentar-se no sofá à frente deles.
— Meu advogado só volta de viagem amanhã — disse, entrelaçando os dedos, tentando manter a voz firme. A perna balançava de leve, denunciando a tensão. — Posso tirar uma foto da denúncia para enviar para ele?
A assistente social endireitou a postura, apoiando o tablet no colo. Seus dedos deslizaram pela tela antes de erguer os olhos novamente, o olhar profissional, mas não frio.
— Não podemos mostrar a denúncia, senhor Sterling — explicou, com a cabeça levemente inclinada, num gesto quase empático. — O processo é sigiloso. Se eu fornecer esse tipo de informação, posso até perder meu trabalho. — Ela fez uma breve pausa, escolhendo as palavras. — Mas seu advogado sabe como obter acesso pelos trâmites legais.
Edgar soltou o ar devagar pelo nariz, o maxilar se contraindo por um instante. Os dedos se apertaram uns contra os outros, as juntas ficando mais claras.
— Tudo bem… — disse, depois de um segundo. — Eu entendo.
A assistente fez uma breve anotação no tablet, o som suave da caneta digital marcando o silêncio pesado da sala. Em seguida, levantou o olhar novamente, mais sério agora.
— Podemos ver a Luna?
O peito de Edgar apertou. Ele passou a mão pelo queixo, como se precisasse ganhar alguns segundos antes de responder.
— Ela está na brinquedoteca com minha esposa — respondeu, já se levantando, numa mistura de prontidão e desconforto. — Vamos lá.
Eles se levantaram. Edgar fez um gesto com a mão, indicando o corredor, e caminhou à frente deles, a postura ereta, mas os ombros levemente tensos, como se cada passo o aproximasse de algo que ele ainda não estava pronto para enfrentar.
Conforme se aproximavam do corredor, já era possível ouvir as gargalhadas de Luna e Laura ecoando pelo ambiente.
Edgar levou a mão à maçaneta, mas antes de abrir, a assistente social falou em tom baixo.
— Espere um pouco, senhor Edgar.
Do outro lado da porta, as vozes vinham claras.
— Tia, a senhora é péssima no desenho! — disse Luna, inclinando a cabeça para o lado e apontando para o papel com o dedo sujo de lápis de cor. — Isso não é uma princesa, não! Ela tá com um olho maior que o outro!
Laura levou a mão ao peito, fingindo estar profundamente ofendida, mas com um sorriso nos lábios.
— Humilha mesmo, Luninha — respondeu, rindo. — Assim eu choro.
Luna cruzou os bracinhos, inflando o peito, toda séria, como se estivesse em uma competição oficial.
— Estou falando a verdade, tia! Eu vou ganhar essa competição, porque a senhora é muito ruim no desenho!
Laura balançou a cabeça, derrotada de propósito, apoiando o cotovelo na mesa baixa.
— Garota, você é sincera igual o Nego — brincou, apontando o lápis para Luna.
Luna franziu a testa, largou o lápis e colocou as mãos na cintura, cheia de curiosidade.
— Tia, por que a senhora chama meu pai de Nego?
Laura suavizou o sorriso. Inclinou-se um pouco para mais perto dela, baixando a voz como se fosse contar um segredo importante.
Luna ergueu o desenho com as duas mãos, quase batendo no próprio queixo, os olhos brilhando de orgulho.
— Eu estou fazendo uma princesa! — anunciou, orgulhosa.
— Que legal! — sorriu a assistente, fazendo um joinha discreto com os dedos. — Qual é seu nome todo?
Luna se endireitou na cadeirinha, como se estivesse sendo chamada para algo muito importante.
— Luna Wolfe Sterling — disse, pronunciando cada parte com cuidado, abrindo um sorriso largo no final.
— Que nome lindo — respondeu a assistente, levando a mão ao peito, tocada. — E quantos anos você tem?
Luna abriu a mãozinha inteira, mostrando os cinco dedos bem esticados, balançando a mão no ar.
— Foi meu papai que escolheu — respondeu, toda orgulhosa, apontando na direção de Edgar. — Porque ele disse que eu vim pra iluminar a vida dele. Eu tenho cinco anos!
A assistente sorriu com ternura, os olhos suavizando. Ela inclinou um pouco mais a cabeça, falando com carinho.
— Você é muito esperta pra sua idade — disse, fazendo um leve carinho no ar, sem tocar, para não invadir o espaço da criança.
— Esperta não — corrigiu Luna, séria. — Eu sou inteligente.
Todos sorriram.
— E como se chama sua mãe? — perguntou a assistente.
— Marcela. — respondeu Luna de imediato.
A assistente então se virou para Laura.
— Prazer, Marcela. — disse, estendendo a mão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...