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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 194

Alex tirou uma das mãos do volante por um instante e pousou com cuidado sobre a perna dela. Um toque protetor. Instintivo.

— Tem certeza de que não está tendo um aborto? — perguntou, sério.

Ísis respirou fundo antes de responder.

— Absoluta. — disse. — Já conversamos sobre filhos. Ainda não é o momento. — fez uma pausa curta. — O preservativo não estourou nenhuma das vezes.

Alex não respondeu. O silêncio voltou. Mais pesado.

— Eu quero dormir na minha casa hoje. — continuou Ísis, ainda sem olhar para ele. — E sozinha.

Alex virou o rosto rápido demais.

— Amor… — chamou, confuso. — O que está acontecendo? Você está estranha desde as bodas. — a voz saiu baixa, controlada. — Como eu posso te deixar sozinha nesse estado?

Foi ali que Ísis desmoronou. O choro veio silencioso no começo. Ombros tremendo. Respiração falhando.

— Você ainda não me conhece o suficiente, Alex… — disse, entre lágrimas.

Ele freou no sinal vermelho. O carro parou. Alex girou o corpo para encará-la de verdade.

— Amor… — disse com firmeza suave. — Olha pra mim.

Ísis hesitou, mas virou o rosto. Os olhos vermelhos. Perdidos. Frágeis. Alex a observou por um segundo longo. Não havia julgamento ali. Apenas decisão.

— Se você acha isso… tudo bem. — disse com calma. — Então eu vou me esforçar mais pra te conhecer. — fez uma pausa. — E se você quer ficar sozinha hoje, eu vou respeitar o seu querer. — respirou fundo. — Amanhã eu te busco pra te levar ao trabalho. Pode ser?

Ísis assentiu, ainda chorando. O sinal abriu. O carro voltou a andar.

Na festa, Liam encontrou Olívia sentada à mesa, o semblante fechado, os dedos girando lentamente a haste da taça.

— Você sabe que aquela dança não significou nada pra mim. — disse ele, sentando-se ao lado dela. — Me controlei para não criar uma cena desagradável diante dos convidados dos meus avós.

Olívia não desviou o olhar.

— Fica tranquilo. — respondeu. — Eu não estou com ciúmes. — finalmente o encarou. — Mas você precisa colocar um ponto final nisso.

Liam a encarou com seriedade, o maxilar levemente tenso, a voz baixa e firme, típica de quem não gosta de repetir explicações.

— Um ponto final? — disse, sem elevar o tom. — Não existe nada entre nós dois. — sustentou o olhar dela. — Você sabe disso, Olívia.

— Sei. — disse ela, com a calma contida de quem escolhe cada palavra. — Mas ainda existem coisas que não ficaram claras. Pra ela… e pra mim. — Fez uma breve pausa, respirando fundo. — Porque, em vez de esclarecermos, o desejo falou mais alto. O sexo veio… resolveu o corpo. — sustentou o olhar dele. — E eu adoro quando a gente se entende na cama. — A voz suavizou, mas ganhou firmeza ao concluir. — Só que algumas falas da Bárbara ficaram no ar. Você não me esclareceu. Eu deixei passar porque estávamos bem… porque achei que precisava lidar sozinha com as provocações dela.

Liam ficou em silêncio por alguns segundos. A mão que repousava sobre a mesa fechou-se lentamente, os dedos pressionando o vidro da taça.

— Estávamos bem? — repetiu, baixo.

A pergunta ficou suspensa no ar. Olívia não respondeu. Não desviou o olhar. Do outro lado do salão, Laura não parava de beber.

Alex estacionou em frente à kitnet de Ísis. Saiu primeiro, contornou o carro e abriu a porta para ela.

— Vem. — disse.

Antes que Ísis pudesse protestar, ele a pegou no colo. Com cuidado. Com firmeza. Ela abriu a porta ainda nos braços dele. Alex entrou, atravessou o pequeno espaço e a colocou no chão devagar.

Ele inclinou o corpo, apoiando a testa na dela.

— Se cuida. — murmurou. — Se acontecer qualquer coisa… me liga. Eu venho na hora.

Ísis levou a mão ao rosto dele, acariciando com ternura.

— Tá bom, amor. — disse. — Obrigada.

— Eu vou com você, mozão.

Liam virou-se para ela na mesma hora, a expressão dura.

— Fica aqui com meu avô. — pediu, em tom firme. — Você já está nervosa demais. Não quero te ver passando mal.

Do lado de fora, a cena era exatamente a que Frederico temia. Laura ria alto demais, o corpo solto demais, uma garrafa de vinho em uma mão e uma taça cheia na outra. O cabelo levemente bagunçado. Victor estava ao lado dela, tentando contê-la com discrição, falando baixo, claramente sem sucesso.

— Laura… — disse Liam, aproximando-se. — Acabou o show por hoje.

Ela virou o rosto devagar, os olhos brilhando demais, um sorriso torto surgindo.

— Ah, Liam… — riu. — Você também acha que eu sou uma mulher oca por dentro?

Antes que ele respondesse, ela levou a garrafa direto à boca e bebeu um longo gole.

— Me dá isso. Agora, Laura. — ordenou Liam, estendendo a mão.

Ela deu um passo para trás, rindo.

— Não toca em mim!

Liam avançou mesmo assim, segurando a garrafa com firmeza. No movimento brusco, Laura perdeu o equilíbrio da taça. O vinho se espalhou inteiro pela camisa clara de Liam, escorrendo pelo peito, molhando a calça.

O riso de Laura cessou por um segundo. O silêncio caiu pesado no jardim. Victor arregalou os olhos.

Liam baixou o olhar para a própria camisa, respirou fundo… e então ergueu o rosto lentamente para ela.O olhar não era de raiva.

Era de limite.

— Se valorize. Ele seguiu a vida, entendeu?

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