Alex tirou uma das mãos do volante por um instante e pousou com cuidado sobre a perna dela. Um toque protetor. Instintivo.
— Tem certeza de que não está tendo um aborto? — perguntou, sério.
Ísis respirou fundo antes de responder.
— Absoluta. — disse. — Já conversamos sobre filhos. Ainda não é o momento. — fez uma pausa curta. — O preservativo não estourou nenhuma das vezes.
Alex não respondeu. O silêncio voltou. Mais pesado.
— Eu quero dormir na minha casa hoje. — continuou Ísis, ainda sem olhar para ele. — E sozinha.
Alex virou o rosto rápido demais.
— Amor… — chamou, confuso. — O que está acontecendo? Você está estranha desde as bodas. — a voz saiu baixa, controlada. — Como eu posso te deixar sozinha nesse estado?
Foi ali que Ísis desmoronou. O choro veio silencioso no começo. Ombros tremendo. Respiração falhando.
— Você ainda não me conhece o suficiente, Alex… — disse, entre lágrimas.
Ele freou no sinal vermelho. O carro parou. Alex girou o corpo para encará-la de verdade.
— Amor… — disse com firmeza suave. — Olha pra mim.
Ísis hesitou, mas virou o rosto. Os olhos vermelhos. Perdidos. Frágeis. Alex a observou por um segundo longo. Não havia julgamento ali. Apenas decisão.
— Se você acha isso… tudo bem. — disse com calma. — Então eu vou me esforçar mais pra te conhecer. — fez uma pausa. — E se você quer ficar sozinha hoje, eu vou respeitar o seu querer. — respirou fundo. — Amanhã eu te busco pra te levar ao trabalho. Pode ser?
Ísis assentiu, ainda chorando. O sinal abriu. O carro voltou a andar.
Na festa, Liam encontrou Olívia sentada à mesa, o semblante fechado, os dedos girando lentamente a haste da taça.
— Você sabe que aquela dança não significou nada pra mim. — disse ele, sentando-se ao lado dela. — Me controlei para não criar uma cena desagradável diante dos convidados dos meus avós.
Olívia não desviou o olhar.
— Fica tranquilo. — respondeu. — Eu não estou com ciúmes. — finalmente o encarou. — Mas você precisa colocar um ponto final nisso.
Liam a encarou com seriedade, o maxilar levemente tenso, a voz baixa e firme, típica de quem não gosta de repetir explicações.
— Um ponto final? — disse, sem elevar o tom. — Não existe nada entre nós dois. — sustentou o olhar dela. — Você sabe disso, Olívia.
— Sei. — disse ela, com a calma contida de quem escolhe cada palavra. — Mas ainda existem coisas que não ficaram claras. Pra ela… e pra mim. — Fez uma breve pausa, respirando fundo. — Porque, em vez de esclarecermos, o desejo falou mais alto. O sexo veio… resolveu o corpo. — sustentou o olhar dele. — E eu adoro quando a gente se entende na cama. — A voz suavizou, mas ganhou firmeza ao concluir. — Só que algumas falas da Bárbara ficaram no ar. Você não me esclareceu. Eu deixei passar porque estávamos bem… porque achei que precisava lidar sozinha com as provocações dela.
Liam ficou em silêncio por alguns segundos. A mão que repousava sobre a mesa fechou-se lentamente, os dedos pressionando o vidro da taça.
— Estávamos bem? — repetiu, baixo.
A pergunta ficou suspensa no ar. Olívia não respondeu. Não desviou o olhar. Do outro lado do salão, Laura não parava de beber.
Alex estacionou em frente à kitnet de Ísis. Saiu primeiro, contornou o carro e abriu a porta para ela.
— Vem. — disse.
Antes que Ísis pudesse protestar, ele a pegou no colo. Com cuidado. Com firmeza. Ela abriu a porta ainda nos braços dele. Alex entrou, atravessou o pequeno espaço e a colocou no chão devagar.
Ele inclinou o corpo, apoiando a testa na dela.
— Se cuida. — murmurou. — Se acontecer qualquer coisa… me liga. Eu venho na hora.
Ísis levou a mão ao rosto dele, acariciando com ternura.
— Tá bom, amor. — disse. — Obrigada.

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