Laura sustentou o olhar de Liam por alguns segundos. A taça escorregou dos dedos primeiro. Depois, a garrafa. O som do vidro quebrando no chão ecoou pelo jardim.
As pernas falharam. Laura caiu de joelhos, o choro vindo de uma vez só, alto, rasgado, sem qualquer tentativa de controle. Era o tipo de choro que não pedia silêncio, pedia socorro.
Liam não pensou. Abaixou-se diante dela e a puxou para um abraço firme, protetor, como fazia quando ela ainda era adolescente e o mundo parecia grande demais.
— Não faz isso com você, Laura… — disse, a voz embargada. — Eu sempre te ensinei a não aceitar menos do que você merece.
Ela chorava contra o peito dele, os ombros sacudindo.
— Se isso está acontecendo… — ele continuou, fechando os olhos por um instante — …é porque eu sou culpado. — engoliu em seco. — Me perdoa, irmã. Eu falhei com você. Falhei como irmão… e falhei tentando ser o pai que você precisou.
Laura apertou a camisa dele com força, como se aquele fosse o único ponto firme que ainda existia.
— Eu falhei quando te deixei morando aqui sozinha por alguns meses… — continuou Liam, a voz baixa, carregada de culpa. — Falhei quando te vi entrando no quarto dele e não intervi, achando que ele estava te fazendo bem. — respirou fundo. — Porque, naquela época, você estava feliz.
A sinceridade doeu mais do que qualquer acusação.
— Mas eu acredito em você. — completou, firme. — Acredito de verdade.
Laura levantou o rosto devagar. Os olhos estavam vermelhos, perdidos, exaustos de lutar.
— Mesmo agora… — disse Liam, secando as lágrimas dela com o polegar — …quando você não consegue acreditar em nada.
Ela engoliu em seco, a voz saindo trêmula, quebrada.
— Ele disse que eu sou um caso perdido, Liam… — confessou, apertando o braço dele com força. — Disse que eu sou uma mulher que só serve de diversão na cama dos homens.
O maxilar de Liam se contraiu no mesmo instante. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, obrigando-a a encará-lo.
— Nunca mais repita isso. — disse, com firmeza absoluta. — Nunca mais aceite que alguém te defina dessa forma. Esquece ele. Mesmo sendo difícil. Segue em frente. — falou devagar. — Você é jovem. Linda. Inteligente. Independente. — respirou fundo. — Tem uma vida inteira pela frente. E, quando menos esperar… a vida vai colocar alguém no seu caminho. Assim como colocou a Olívia no meu.
Laura soluçou.
— Me ajuda, irmão… — pediu, em prantos. — Me ajuda…
— Vem. — Liam se levantou, puxando-a com cuidado. — Levanta.
Victor se aproximou na mesma hora.
— Me ajuda aqui. — pediu Liam.
Victor ajudou Laura a subir nas costas dele. Liam se endireitou com cuidado, ajustando o peso dela na carcunda como fazia quando ela era criança.
— Vou te carregar igual quando você tinha medo do escuro… — murmurou.
Ele sentiu o rosto dela se esconder contra suas costas, os dedos se fechando em torno do pescoço dele com a mesma força de antes.
— Você escondia o rosto nas minhas costas, segurava meu pescoço com tanta força que quase me enforcava… — sorriu com ternura. — E eu andava pelo seu quarto, apontando cada canto, mostrando que não tinha nada ali… até você se acalmar.
Laura soltou um riso fraco entre lágrimas, o rosto ainda apoiado nele.
— Você nunca me deixava cair… — disse, a voz embargada, apertando-o um pouco mais, como se confirmasse a lembrança no próprio corpo.
Liam inclinou levemente a cabeça para trás, num gesto protetor, firme.
— E não vou deixar agora.

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