Liam entrou na sala sem pressa. Edgar, que estava sentado, levantou-se imediatamente, endireitou a postura e estendeu a mão.
Liam parou a poucos passos dele. O olhar frio, avaliando. O silêncio se alongou por segundos incômodos. Só então apertou a mão de Edgar, firme e impessoal, e soltou imediatamente.
— O que te traz aqui? — perguntou, direto.
Edgar respirou fundo.
— Dois motivos. — disse com calma forçada. — Primeiro, eu preciso chegar até a Laura. Preciso me entender com ela. E, para isso, os seguranças precisam parar de me barrar. — Fez uma pausa. — Segundo… eu preciso me entender com você.
Liam cruzou os braços por um instante e, sem dizer nada, caminhou até a mesa. Sentou-se lentamente na cadeira, mantendo o olhar fixo em Edgar.
— Seja rápido.
Edgar respirou fundo. Em seguida, também sentou-se.
— Você sabe do amor e da ligação que a Laura tem com você. — continuou. — Se eu não estiver bem contigo, ela não vai aceitar o que eu pretendo fazer.
O maxilar de Liam se contraiu.
— O que você fez com a minha irmã já foi suficiente para uma vida inteira de sofrimento. — a voz saiu fria. — Você foi embora sem explicação no passado. E agora, se for preciso, eu faço qualquer coisa para impedir que vocês fiquem juntos. Ela não vai sofrer de novo.
Edgar sustentou o olhar.
— Agora é tarde demais para impedir qualquer coisa. — respondeu. — Você deveria ter feito isso no passado… quando via sua irmã entrando no meu quarto e nunca impediu nada. — Uma pausa pesada. — Você foi conivente.
Liam se remexeu na cadeira, a raiva contida transparecendo no olhar.
— Eu achava que ela estava feliz. — disse, com raiva contida. — Ela estava diferente. Melhor. — Os olhos escureceram. — Mas eu me enganei.
— Eu amo a Laura. — Edgar afirmou, sem hesitar. — Ficamos separados tempo demais. Já sofremos demais. Eu não vou mais desistir dela. — Respirou fundo. — Eu não vim aqui pra brigar. Vim me entender com você. Nós éramos amigos. Sempre nos demos bem.
— A amizade morreu no dia em que você foi embora e deixou a minha irmã destruída. — disse Liam, batendo o dedo indicador na mesa a cada palavra, marcando o ponto final. — Essa conversa termina aqui.
Edgar engoliu em seco. O olhar caiu por um segundo, não por culpa, mas pelo peso da maldade que fizeram com eles. Percebeu que Liam não estava disposto a ouvi-lo. Então soltou a bomba.
— Antes de ir embora… — disse, com a voz grave, voltando a encará-lo — …eu engravidei sua irmã.
O mundo parou.
Liam empurrou a cadeira para trás com força, o barulho ecoando na sala. Num movimento rápido, levantou-se e segurou Edgar pelo colarinho, arrancando-o da cadeira e erguendo-o.
— O que você está dizendo? — rosnou. — Você engravidou minha irmã com quinze anos?
A porta se abriu de repente.
— Mozão! — Olívia entrou apressada. — Solta ele, pelo amor de Deus! Se acalma!
Liam não soltou.
— Se a minha irmã não está criando o meu sobrinho… — disse, com ódio — …é porque você a obrigou a abortar. Depois foi embora com outra mulher e a deixou sangrando sozinha.
Os olhos de Liam ardiam, a mandíbula travada, a respiração pesada demais para quem ainda tentava se controlar.
— Mozão, para com isso… — Olívia disse, aflita, aproximando-se dele. A mão tocou o braço dele num pedido silencioso. — Os funcionários vão ouvir. Se controla.
Liam não desviou o olhar de Edgar. As mãos continuavam firmes segurando o colarinho.

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