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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 305

Ísis ficou em silêncio. Um silêncio longo demais. Ela encarou Edgar como se estivesse tentando enxergar através dele. Como se o cérebro dela estivesse lutando para aceitar aquela possibilidade.

O apartamento parecia menor. O ar parecia mais pesado. Alex não disse nada. Apenas manteve a mão no joelho dela, firme, como uma âncora.

Laura também não se mexeu. Edgar sustentou o olhar, tenso, como se já tivesse se arrependido de ter aberto aquela ferida… mas fosse tarde demais para voltar. Depois de alguns segundos, Ísis respirou fundo. E, enfim, falou.

— O que te levou a achar que eu posso ser sua irmã? — perguntou, levando a mão devagar até o próprio peito, como se precisasse se lembrar de que estava ali, presente, viva.

Edgar engoliu em seco. A garganta dele se mexeu, desconfortável, e ele passou a mão pelo próprio rosto num gesto curto, como se estivesse se preparando para dizer algo delicado. Quando respondeu, a voz veio com receio.

— Você tem uma mancha nas suas curvas… — disse, desviando o olhar por um segundo, constrangido, antes de voltar a encará-la.

Ísis franziu levemente a testa. Edgar respirou fundo e continuou, mais rápido, como se temesse perder a coragem.

— Uma mancha que parece o desenho de uma folha. — ele falou, fazendo um gesto discreto com a mão, indicando o próprio corpo, sem ousar ser invasivo. — Eu tenho essa mancha. Do mesmo lado também. A Luna tem. Essa mancha vem do meu pai.

O silêncio voltou. Ísis ficou parada por um instante, processando. E então os olhos dela se estreitaram devagar, como se tudo começasse a encaixar.

Ela virou o rosto para Laura, captando as coisas com uma rapidez que assustou até ela mesma.

— Laura… o seu surto foi por minha causa, né? — perguntou, ligando as peças sem acreditar.

Laura arregalou os olhos. Ísis continuou, sem dar espaço para fuga.

— Você ficou com ciúmes porque ele viu minha bunda? — disparou, abrindo a mão num gesto incrédulo e erguendo uma sobrancelha, como se aquilo fosse absurdo demais pra ser real.

Laura ficou imóvel por um segundo. E então… sorriu. Um sorriso culpado, mas cheio daquela energia dela.

— Culpa dos hormônios da gravidez. — respondeu, dando um meio dar de ombros e mordendo de leve o lábio, como quem já sabia que estava completamente sem defesa.

Ísis soltou um riso curto, incrédulo.

— Laura… o ciúme é marca dos Holt. — ela balançou a cabeça, como se não acreditasse. — Amiga… você ficou com ciúmes de mim?

Laura levantou as mãos num gesto rendido, como quem dizia “não me julga”.

— Ísis… você sabe como eu sou completamente louca por esse Nego gostoso. — ela falou, sem filtro, com a voz cheia de humor. — Eu estava mais louca do que já sou… e aí do nada eu vejo ele olhando pra sua bunda. Coisas que ele nunca fez na minha frente.

Edgar abriu a boca na mesma hora, indignado, como se precisasse se defender da forma mais apaixonada possível.

— E nem por trás de você. — ele retrucou, sério, mas com os olhos brilhando. — Você é perfeita, amor. Eu não tenho necessidade de olhar pra outra mulher se eu tenho uma deusa ao meu lado… que eu posso admirar, tocar, beijar vinte e quatro horas por dia.

Alex soltou um riso baixo.

— Eita… — ele disse, com um sorriso torto, levantando as sobrancelhas. — Edgar não está na palma da sua mão, não… ele está oficialmente sob sua jurisdição.

Laura apontou pra ele, sem perder a pose.

— E você? — ela devolveu. — Você não é muito diferente, não.

Ísis virou o rosto lentamente para Alex. O olhar dela era afiado. Ela ergueu o queixo de leve, cruzando os braços com firmeza, como quem estava prestes a dar um golpe certeiro.

— Edgar… pode ser apenas uma coincidência… — disse, passando a mão devagar pelo próprio braço, como se tentasse se manter firme enquanto pensava.

Laura se inclinou para frente, séria, apoiando os antebraços nas pernas.

— Isso passou de coincidência. — afirmou, com a voz baixa, mas convicta, sustentando o olhar de Ísis sem piscar.

Ísis apertou os dedos no próprio colo. O peito dela subiu e desceu. E então ela perguntou, finalmente indo no ponto que doía de verdade.

— Ok… — a voz saiu baixa, mas firme. — Se você for meu irmão… por que meus pais só me abandonaram?

O rosto de Edgar mudou. Mudou de um jeito que fez Ísis sentir um arrepio na espinha. A emoção subiu, e ele respirou fundo, como se puxasse forças de um lugar antigo.

— Eles não te abandonaram. — disse, apertando as mãos uma na outra por um instante, como se precisasse se segurar.

Ísis ficou imóvel. Edgar continuou, com a voz controlada, mas os olhos já úmidos.

— Era uma gestação gemelar. Nossa mãe estava muito mal. A saúde dela nunca foi boa. — falou devagar, passando a língua pelos lábios secos, como se aquilo ainda doesse.

Ele fez uma pausa curta, e o peito subiu.

— Estávamos passando por um momento muito difícil financeiramente. Nosso pai não arrumava emprego. Vivia de bicos. — completou, com a mandíbula travada, evitando olhar para Ísis por um segundo.

Laura segurou a mão dele com força, como se dissesse “vai”. Edgar respirou fundo, e quando voltou a falar, a voz veio mais baixa.

— Com sete meses… ela passou muito mal. Teve que fazer uma cesariana às pressas. — ele engoliu em seco, os olhos brilhando. — Ela não resistiu… e veio a óbito.

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