Ísis ficou em silêncio. Um silêncio longo demais. Ela encarou Edgar como se estivesse tentando enxergar através dele. Como se o cérebro dela estivesse lutando para aceitar aquela possibilidade.
O apartamento parecia menor. O ar parecia mais pesado. Alex não disse nada. Apenas manteve a mão no joelho dela, firme, como uma âncora.
Laura também não se mexeu. Edgar sustentou o olhar, tenso, como se já tivesse se arrependido de ter aberto aquela ferida… mas fosse tarde demais para voltar. Depois de alguns segundos, Ísis respirou fundo. E, enfim, falou.
— O que te levou a achar que eu posso ser sua irmã? — perguntou, levando a mão devagar até o próprio peito, como se precisasse se lembrar de que estava ali, presente, viva.
Edgar engoliu em seco. A garganta dele se mexeu, desconfortável, e ele passou a mão pelo próprio rosto num gesto curto, como se estivesse se preparando para dizer algo delicado. Quando respondeu, a voz veio com receio.
— Você tem uma mancha nas suas curvas… — disse, desviando o olhar por um segundo, constrangido, antes de voltar a encará-la.
Ísis franziu levemente a testa. Edgar respirou fundo e continuou, mais rápido, como se temesse perder a coragem.
— Uma mancha que parece o desenho de uma folha. — ele falou, fazendo um gesto discreto com a mão, indicando o próprio corpo, sem ousar ser invasivo. — Eu tenho essa mancha. Do mesmo lado também. A Luna tem. Essa mancha vem do meu pai.
O silêncio voltou. Ísis ficou parada por um instante, processando. E então os olhos dela se estreitaram devagar, como se tudo começasse a encaixar.
Ela virou o rosto para Laura, captando as coisas com uma rapidez que assustou até ela mesma.
— Laura… o seu surto foi por minha causa, né? — perguntou, ligando as peças sem acreditar.
Laura arregalou os olhos. Ísis continuou, sem dar espaço para fuga.
— Você ficou com ciúmes porque ele viu minha bunda? — disparou, abrindo a mão num gesto incrédulo e erguendo uma sobrancelha, como se aquilo fosse absurdo demais pra ser real.
Laura ficou imóvel por um segundo. E então… sorriu. Um sorriso culpado, mas cheio daquela energia dela.
— Culpa dos hormônios da gravidez. — respondeu, dando um meio dar de ombros e mordendo de leve o lábio, como quem já sabia que estava completamente sem defesa.
Ísis soltou um riso curto, incrédulo.
— Laura… o ciúme é marca dos Holt. — ela balançou a cabeça, como se não acreditasse. — Amiga… você ficou com ciúmes de mim?
Laura levantou as mãos num gesto rendido, como quem dizia “não me julga”.
— Ísis… você sabe como eu sou completamente louca por esse Nego gostoso. — ela falou, sem filtro, com a voz cheia de humor. — Eu estava mais louca do que já sou… e aí do nada eu vejo ele olhando pra sua bunda. Coisas que ele nunca fez na minha frente.
Edgar abriu a boca na mesma hora, indignado, como se precisasse se defender da forma mais apaixonada possível.
— E nem por trás de você. — ele retrucou, sério, mas com os olhos brilhando. — Você é perfeita, amor. Eu não tenho necessidade de olhar pra outra mulher se eu tenho uma deusa ao meu lado… que eu posso admirar, tocar, beijar vinte e quatro horas por dia.
Alex soltou um riso baixo.
— Eita… — ele disse, com um sorriso torto, levantando as sobrancelhas. — Edgar não está na palma da sua mão, não… ele está oficialmente sob sua jurisdição.
Laura apontou pra ele, sem perder a pose.
— E você? — ela devolveu. — Você não é muito diferente, não.
Ísis virou o rosto lentamente para Alex. O olhar dela era afiado. Ela ergueu o queixo de leve, cruzando os braços com firmeza, como quem estava prestes a dar um golpe certeiro.
— Edgar… pode ser apenas uma coincidência… — disse, passando a mão devagar pelo próprio braço, como se tentasse se manter firme enquanto pensava.
Laura se inclinou para frente, séria, apoiando os antebraços nas pernas.
— Isso passou de coincidência. — afirmou, com a voz baixa, mas convicta, sustentando o olhar de Ísis sem piscar.
Ísis apertou os dedos no próprio colo. O peito dela subiu e desceu. E então ela perguntou, finalmente indo no ponto que doía de verdade.
— Ok… — a voz saiu baixa, mas firme. — Se você for meu irmão… por que meus pais só me abandonaram?
O rosto de Edgar mudou. Mudou de um jeito que fez Ísis sentir um arrepio na espinha. A emoção subiu, e ele respirou fundo, como se puxasse forças de um lugar antigo.
— Eles não te abandonaram. — disse, apertando as mãos uma na outra por um instante, como se precisasse se segurar.
Ísis ficou imóvel. Edgar continuou, com a voz controlada, mas os olhos já úmidos.
— Era uma gestação gemelar. Nossa mãe estava muito mal. A saúde dela nunca foi boa. — falou devagar, passando a língua pelos lábios secos, como se aquilo ainda doesse.
Ele fez uma pausa curta, e o peito subiu.
— Estávamos passando por um momento muito difícil financeiramente. Nosso pai não arrumava emprego. Vivia de bicos. — completou, com a mandíbula travada, evitando olhar para Ísis por um segundo.
Laura segurou a mão dele com força, como se dissesse “vai”. Edgar respirou fundo, e quando voltou a falar, a voz veio mais baixa.
— Com sete meses… ela passou muito mal. Teve que fazer uma cesariana às pressas. — ele engoliu em seco, os olhos brilhando. — Ela não resistiu… e veio a óbito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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