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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 306

Ísis levou a mão à boca, chocada. O peito dela subiu, travando, como se o ar tivesse ficado pesado demais.

Edgar engoliu em seco.

— Meu irmão lutou pela vida… mas não resistiu. — ele disse, baixando o olhar por um instante, como se ainda visse aquela cena diante dele. — Você sobreviveu com muita luta.

Ísis não conseguia piscar. Não conseguia sequer mover os dedos. Edgar continuou, e a voz dele ficou mais áspera… não por raiva, mas por memória.

— Nesse meio tempo… enquanto você estava internada lutando pela vida… — ele respirou fundo, apertando a mão de Laura com força — a gente ficou sem casa. — fez uma pausa curta. — Vivendo o luto. — Ele passou a mão pelo rosto, num gesto rápido, como se tentasse apagar imagens. — Entrando nas filas todos os dias dos abrigos… para ter onde dormir.

O silêncio na cobertura ficou absoluto. Até Alex parou de respirar por um segundo, o olhar fixo em Edgar, como se não acreditasse no que estava ouvindo.

Edgar ergueu os olhos para Ísis, e o olhar dele estava úmido… mas firme.

— Quando você teve alta… — ele disse, a voz falhando no começo, e ele precisou pigarrear para continuar — nós nos despedimos de você. — Ele engoliu em seco, e a palavra seguinte saiu pesada. — E nosso pai te entregou para adoção.

Ísis ficou pálida. A garganta fechou de um jeito cruel. Edgar respirou com dificuldade, como se falar aquilo fosse uma violência contra ele mesmo.

— Ele sofreu muito. — disse, e os olhos dele brilharam mais. — Eu nunca vou esquecer daquele dia. — Ele apertou os lábios, segurando o choro, e a mão livre foi até a nuca, nervosa. — Nunca.

Ísis engoliu em seco, mas o som do engolir pareceu alto demais no silêncio. Edgar falou com um cuidado quase doloroso.

— Eu sei que pra você ouvir isso deve estar sendo difícil. — ele disse, com a voz mais baixa, quase pedindo licença. — Você pode até julgá-lo… mas naquela época… pra ele era a melhor decisão que ele achou que podia tomar. — A voz falhou. — Ele quis te dar uma oportunidade de ter uma vida melhor.

Ísis sorriu. Mas foi um sorriso de dor. Um sorriso que não combinava com nada.

— Mas eu não tive. — ela disse, a voz saindo pequena… e, ao mesmo tempo, cortante.

Laura e Edgar não conseguiram dizer uma palavra. Ela levou a mão à boca, os olhos cheios. Edgar ficou imóvel, como se tivesse levado um soco. Ísis continuou. E agora a voz dela tremia.

— Eu passei a vida toda no orfanato. — ela disse, e os olhos começaram a encher. Ela piscou rápido, tentando segurar, mas não conseguiu. — Vendo as crianças sendo adotadas… torcendo pra eu ser escolhida… e nunca fui.

Ela respirou fundo, e a mão foi até o próprio cabelo, num gesto inconsciente…

— Eles não queriam uma negrinha de cabelo duro. — completou, e o choro veio de vez, silencioso, pesado, humilhante.

Laura permanecia em silêncio. E Edgar… Edgar parecia destruído. Alex se mexeu na mesma hora. O olhar dele escureceu mesmo já sabendo do passado dela. Ele segurou a mão dela, firme. E falou, com muita intensidade.

— Eu sou completamente apaixonado por esse cabelo. — ele disse, sério. — Eu gasto cada dólar com orgulho nele.

Ísis piscou, as lágrimas escorrendo. Alex continuou, sem recuar.

— Nem quando estávamos separados eu deixei de cuidar de você. — ele disse, a voz mais baixa, carregada de sentimento. — E mesmo você trabalhando… eu não quero que se preocupe com coisas que são minha responsabilidade.

Ele levou a mão ao rosto dela, afastando uma mecha de cabelo com delicadeza, o polegar fazendo um carinho lento na maçã do rosto.

— Amor… você é simplesmente deslumbrante. Eu nunca me canso de dizer isso. E eu tenho orgulho de poder cuidar de você.

Ísis se inclinou e deu um selinho demorado nele, como se estivesse agradecendo em silêncio por tudo o que ele fez.

Ísis fechou os olhos, como se aquela frase fosse uma facada lenta. Edgar respirou com dificuldade, o peito subindo pesado.

— Eu sei o quanto nosso pai sofreu. — continuou, a voz embargada, apertando os dedos um contra o outro. — O quanto ele chorou nas madrugadas… derrotado por não ter conseguido sustentar a família dele.

Laura o abraçou forte, passando a mão pelas costas dele, tentando sustentá-lo. Edgar apoiou a testa no ombro dela por um segundo, mas continuou, mesmo com a voz presa.

— Tudo que ele comia… — ele engoliu em seco — ele falava: “será que minha filha está sendo alimentada nessa hora?” — murmurou, fechando os olhos como se ainda escutasse aquela pergunta ecoando no passado.

Ísis soluçou. As mãos dela tremiam sobre o próprio colo. Edgar limpou o rosto às pressas, mas as lágrimas continuavam caindo.

— Ele faleceu com esse pensamento. — disse, a voz quebrando de vez. — Não deu tempo de eu achar você antes dele partir.

O silêncio se espalhou pela sala como um manto pesado. Ísis respirou fundo. O peito doía. Doía de um jeito novo. E então ela perguntou, quase num sussurro, sem conseguir sustentar o olhar dele.

— E como vocês chegaram na mansão Holt? — murmurou, apertando os dedos um no outro.

Edgar enxugou o rosto rápido, quase envergonhado por chorar, e respirou fundo antes de continuar.

— Senhor Frederico estava saindo do carro, numa rua movimentada de Nova York… — começou, olhando para o nada, como se revivesse a cena. — E a carteira dele caiu do bolso.

Ele fez um gesto com a mão, simulando algo caindo.

— Nosso pai viu. Pegou a carteira e tentou se aproximar… mas os seguranças não deixaram. — Edgar balançou a cabeça devagar. — Então ele o seguiu até um restaurante chique. Daqueles que a gente só via pela vitrine.

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