Ísis ouvia hipnotizada.
— Nós ficamos do lado de fora esperando. — ele continuou, o olhar distante. — Eu estava morrendo de fome naquele dia.
A voz dele voltou a tremer.
— Quando o senhor Frederico saiu, nosso pai começou a gritar o nome dele… balançando a carteira no alto. — Edgar ergueu a mão, repetindo o gesto do passado. — Isso chamou a atenção dele. Ele mandou os seguranças deixarem nosso pai se aproximar.
Laura apertou a mão dele, orgulhosa e emocionada.
— Então ele entregou a carteira. — Edgar continuou, respirando fundo. — E o senhor Frederico abriu, conferiu… tudo estava lá. Nenhuma nota faltando.
Ele sorriu de leve, mesmo com os olhos molhados.
— Ele olhou pra mim e perguntou: “Mini jovem… você já almoçou hoje?” — Edgar deixou escapar um riso fraco. — Eu disse que sim. Mas ele foi mais longe. Perguntou o que eu tinha comido. — A voz dele falhou. — Eu comecei a gaguejar… e nosso pai começou a chorar.
Ísis levou a mão à boca.
— O senhor Frederico perguntou o que podia fazer por ele. — Edgar continuou. — E nosso pai respondeu que precisava de um emprego… que deixasse ele ficar comigo. Porque já tinha perdido a esposa e dois filhos.
A sala ficou em silêncio absoluto.
— Foi assim que ele virou jardineiro da mansão Holt. — Edgar concluiu, com orgulho contido. — Naquele dia eu entrei pela primeira vez num restaurante de gente rica… e ninguém nos tratou mal. De lá fomos direto pra mansão. E foi ali que minha vida começou a mudar.
Ele respirou fundo.
— Se hoje eu sou cardiologista… é porque, com todos os defeitos que Felipe tem, ele me enxergou. — Edgar levou a mão ao peito. — Ele me deu uma oportunidade. Disse que eu daria continuidade ao legado dele, já que os filhos não queriam.
Ele olhou para Ísis, firme.
— Frederico nunca deixou faltar nada pra mim. O que dava pro Liam… dava pra mim também.
Ísis piscou devagar, absorvendo tudo. A história que ela nunca teve… estava ali, inteira, diante dela. Ísis soluçou.
— A vida foi um pouco mais fácil pra você. — ela disse, chorando. — Apesar de todos os sofrimentos que você e Laura tiveram.
Edgar assentiu, sério. O olhar dele permanecia fixo em Ísis, como se temesse que qualquer distração quebrasse aquele momento.
— Ísis… eu te procuro há muito tempo. — disse, passando a mão pelo rosto, visivelmente abalado. — Mas aqui você sabe que é quase impossível achar alguém que foi dado para adoção. — Ele respirou fundo, tentando controlar a emoção. — É um milagre ter você na minha frente.
O silêncio ficou denso. Alex então se inclinou um pouco para frente.
— Eu queria procurar a família dela, Edgar. — falou, sério. — Mas ela sempre dizia que tinha essa parte da vida muito bem resolvida. Que se a mãe deixou… é porque teve motivos.
Ele apertou de leve a mão dela antes de continuar.
— Mas no fundo, não tem nada resolvido. Porque ela sofre. E sempre falou que era sozinha no mundo. — O olhar dele se ergueu para Edgar. — E você nunca contou sua história.
Edgar sustentou o olhar por um instante e depois respondeu.
— A única que sabe a fundo é a Laura. — disse, lançando um olhar rápido para a esposa. — Mesmo ela sendo muito imatura algumas vezes… nós não temos segredos.
Laura levantou as sobrancelhas, fingindo indignação, mas logo relaxou.
— Amiga… — disse, apontando discretamente para Ísis. — Se eu tivesse visto sua bunda antes, pode ter certeza que eu teria falado do Edgar. — Ela cruzou os braços, teatral. — Mesmo esse Nego aqui estando longe quando nos conhecemos.
— Estou. — respondeu, embora a voz tivesse saído quebrada. — Eu só… preciso respirar.
Ela se levantou devagar e caminhou até o quarto. Assim que a porta se fechou, o choro veio. Não era escandaloso. Era profundo. Um choro antigo. De abandono. De perguntas nunca respondidas. Sentou-se na beira da cama, curvou o corpo para frente e apertou as próprias mãos, tentando organizar o turbilhão.
Ganhar uma possível família. Descobrir que nunca foi abandonada por descaso. Descobrir que foi entregue por desespero.
Na sala, o silêncio era denso. Edgar passou a mão pelo rosto, inquieto.
— Eu estou nervoso… será que ela está bem? — perguntou, esfregando a nuca, visivelmente abalado.
Alex respirou fundo, mantendo a calma que a situação exigia.
— Fica tranquilo. — respondeu, firme. — Ela sempre faz isso quando precisa processar algo. Já estou acostumado.
Laura apertou a mão de Edgar, oferecendo apoio silencioso.
— Amor… calma. — murmurou, encostando o ombro no dele. — A Ísis é muito madura. Vai dar certo.
O tempo pareceu mais lento do que o normal. Até que a porta do quarto se abriu. Ísis voltou para a sala. Os olhos estavam vermelhos, mas não havia descontrole ali. Havia decisão. Ela parou no centro da sala. Olhou primeiro para Edgar. Depois para Laura. Por fim, para Alex. Respirou fundo.
— Eu aceito fazer o teste de DNA. — disse, com uma serenidade que só vem depois da tempestade.
Os dois casais conversaram por mais algumas horas. O clima, que começou pesado, foi ficando leve aos poucos. Entre petiscos, risadas e histórias antigas, a tensão deu espaço para algo mais acolhedor.
Depois do jantar, Laura e Edgar se despediram. Houve abraços demorados, expectativas para o dia seguinte e um silêncio diferente quando a porta finalmente se fechou. A cobertura ficou quieta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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