Liam não respondeu imediatamente. Ele ficou imóvel por alguns segundos após a pergunta dela.
— Eu estou dizendo… — a voz saiu mais baixa agora, quase rouca — que eu não estou fazendo bem pra você. — Ele passou a mão pelo rosto, exausto. — E talvez a maior prova de amor que eu possa te dar… seja deixar você livre.
O ar pareceu sumir do ambiente. Olívia o encarou como se tivesse levado um tapa. Ela atravessou a sala em dois passos e parou diante dele. As mãos subiram, tremendo, e começaram a bater o peito dele, não com força suficiente para machucar, mas com dor suficiente para mostrar que ela estava despedaçada.
— Eu te odeio, Liam! — gritou, chorando. — Você é um mentiroso!
Ele não reagiu. Não segurou as mãos dela. Não se defendeu.
— Você está fazendo toda essa cena pra ficar com aquela piranha! — ela continuou, a voz falhando. — É isso! Você é pior que o Peter!
Ele permaneceu parado, o maxilar travado.
— Agora que eu carrego nossa filha… — ela apontou para o próprio ventre, soluçando — agora que você viu que eu te amo de verdade… que me teve de verdade… você quer me largar pra ficar com aquela vagabunda?
Ela empurrou o peito dele.
— Quer voltar pra vida que tinha antes? Quer? Porque, Liam? — a voz virou um grito desesperado. — Porque eu não sou mais interessante pra você? Porque eu estou gorda? É isso?
Aquela frase atravessou ele. Liam segurou os braços dela, firme, mas sem brutalidade.
— Você está se ouvindo, amor? — disse, tentando manter a voz estável, mesmo com os olhos ardendo. — Quando você se acalmar, a gente volta a conversar. Do jeito que está… só vamos nos machucar mais.
Ela tentou se soltar.
— Não me chama de amor! — gritou, desesperada.
Ele soltou os braços dela devagar, como se aquilo exigisse força demais. Virou-se e caminhou em direção ao escritório.
— Você é um covarde! — ela gritou atrás dele. — Quer ficar com aquela piranha? Quer voltar com a vida de antes? Vai em frente! É só falar que não me ama mais! Não fica arrumando desculpas!
A porta do escritório bateu com força. Liam caminhou até a mesa e, num impulso que não conseguiu conter, socou o tampo com as duas mãos. A madeira tremeu sob o impacto. Ele abaixou a cabeça, respirando pesado, os ombros subindo e descendo.
— Droga… — murmurou para si mesmo.
Na sala, o silêncio ficou ensurdecedor. Olívia voltou devagar até o sofá e caiu sentada. O corpo perdeu a rigidez. O choro veio descontrolado, infantil, dolorido. Ela levou as mãos ao rosto.
— Você é muito burra Olívia… — sussurrou entre soluços. — Bárbara estava certa…
O olhar dela ficou perdido.
— Ele deve estar com essa mulher há muito tempo… — a voz saiu quebrada. — E a idiota aqui acreditando que ele estava conseguindo ficar sem sexo… porque me entendia, me respeitava.
Ela abraçou o próprio ventre chorando desesperadamente. O medo não era perder a discussão. Era perder o homem que ela amava desesperadamente.
— Tira a mão de mim. — disse, puxando levemente o pé, mas sem força suficiente para impedir que ele o segurasse.
Ele não obedeceu. Com cuidado, colocou o pé dela sobre o próprio joelho, retirou a sandália e levou os lábios ao peito do pé.
Ela ficou em silêncio. E o silêncio dela doeu mais que os gritos. Liam respirou fundo.
— Nós estamos nos perdendo, amor. — disse, passando a mão pelo cabelo e depois deixando-a cair pesada ao lado do corpo. — Mesmo juntos, estamos separados. E a culpa não é só sua… não é só minha também. Eu estou errando por querer te proteger o tempo todo de tudo e de todos, achando que essa atitude é a certa. Mas não é.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Você não tem ideia do que eu estou passando por sua causa naquela empresa. — completou, erguendo o olhar para ela com intensidade.
Os olhos dela se estreitaram.
— Do que você está falando? — perguntou, inclinando levemente a cabeça, desconfiada.
Ele sustentou o olhar.
— Eu escondi coisas de você, achando que iria te proteger. — confessou, a voz ficando mais grave. — Houve uma denúncia de vazamento de informação. O contrato de expansão naval foi antecipado por um concorrente com valores praticamente idênticos aos nossos. Tudo aponta para o seu login. Você é diretora de operações. A reunião do conselho foi para falar sobre isso. Você precisa ser afastada do cargo… mas eu não permiti. — concluiu, a mandíbula rígida.
Ela soltou uma risada incrédula, balançando a cabeça.
— Liam… essa é sua nova estratégia? — perguntou, apontando para ele com o dedo indicador trêmulo. — Usar a empresa pra desistir de nós? Pra sair como o certinho quando for assumir sua funcionária?
— Olívia, por favor… não começa. — pediu, erguendo a mão num gesto de contenção, o cansaço evidente no olhar.
— Você sabe que eu não vendi informação nenhuma. — a voz dela tremeu agora, mas não de fraqueza, e sim de indignação. — Essa cena toda é pra usar a desculpa de que não confia mais em mim? Pra poder assumir a outra?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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