Olívia estava sentada no sofá da cobertura, o corpo levemente curvado para frente, uma das mãos fazendo carinho lento sobre o ventre. A cidade brilhava do lado de fora, refletida na enorme janela diante da qual Liam permanecia em pé, rígido, as mãos nos bolsos, o maxilar travado.
O silêncio entre os dois era mais barulhento que qualquer discussão.Sem se virar, ele quebrou a tensão.
— Vai continuar em silêncio? — perguntou, a voz controlada demais.
Olívia manteve os olhos fixos na própria mão que deslizava sobre a barriga.
— Eu disse que não quero conversar. — respondeu, baixa, sem olhar para ele.
Liam fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e então se virou lentamente. O olhar dele pousou sobre ela, atento, avaliando cada gesto.
— Vou mudar minha pergunta. — deu alguns passos em direção ao sofá. — Como você está se sentindo depois do que viu no casamento?
Ela ergueu o queixo, mas não o encarou.
— Não sei do que você está falando. — respondeu, passando a mão pelos cabelos e desviando o olhar.
Ele soltou um suspiro impaciente, passando a mão pelos cabelos.
— Olívia, não complica as coisas. — disse, aproximando-se alguns passos, a voz mais firme.
Ela levantou os olhos finalmente, e o olhar veio afiado.
— Complicar as coisas? — repetiu, incrédula.
— Estou tentando resolver — ele rebateu, abrindo as mãos num gesto contido. — E você simplesmente não quer.
O corpo dela se enrijeceu. Olívia se levantou devagar do sofá, encarando-o de frente.
— O que você tem com aquela vagabunda? — disparou, dando um passo à frente, o queixo erguido em desafio, os braços caindo ao lado do corpo com tensão visível.
A palavra saiu carregada de mágoa, não apenas de raiva. Liam piscou, surpreso com o tom.
— Exatamente nada. — respondeu firme. — Ela é só a modelo-propaganda da Trident. E amiga da Laura. Você sabe muito bem disso.
Olívia cruzou os braços, protegendo-se.
— Mas não é o que parecia. — a voz dela tremia levemente. — Ela estava cheia de intimidade com você. E sabe o que é mais curioso? Você tem zero intimidade com funcionários.
Ele deu um passo à frente.
— Você está com ciúmes e vendo coisas que não existem. — rebateu, erguendo as mãos num gesto contido, tentando manter a calma.
Ela soltou uma risada curta, amarga.
— Assim como você. Eu detestei seu comportamento com o amigo da sua irmã. — respondeu, apontando levemente na direção dele, provocadora.
O olhar de Liam escureceu.
— É totalmente diferente. — retrucou, balançando a cabeça com impaciência, o maxilar rígido.
— Diferente? — ela avançou um passo. — Então você pode ficar de papo furado, cheio de intimidades com aquela mulher… e eu não posso ter uma conversa respeitosa sobre gravidez e parto com um obstetra? Fala sério, Liam.
Ele fechou os punhos, tentando manter o controle.
Ela estreitou os olhos, a testa marcada por incredulidade. Liam continuou, gesticulando com as mãos, como se organizasse os próprios argumentos.
— Desde a nossa lua de mel, decidimos que certas coisas seriam só nossas. Que você dançaria só pra mim. Que biquíni na frente dos outros seria comportado, com short. Pra mim poderia ser o menor que tivesse, ou sem nada porque eu adoro ver você nua. Eu usaria sunga com short. E você sabe que eu estou respeitando isso. Em várias comemorações de conhecidos meus, eu nem tirei a blusa, nem entrei na piscina, porque sei o quanto você é ciumenta. Na despedida da Laura, que estávamos entre família, não esqueci do nosso combinado. — afirmou, passando a mão pelo cabelo e depois abrindo os braços, como se pedisse compreensão.
Olívia balançou a cabeça negativamente, os olhos brilhando.
— Eu estou errada por querer agradar sua irmã? — perguntou incrédula. — Ela quis aquele momento comigo e com a Ísis. Laura achou que vocês iam gostar, que ficariam felizes. E de fato ficaram, menos você. E eu estava dançando para um único homem: você. — disse, tocando o próprio peito antes de apontar para ele, os olhos marejados.
— Você agradou sua cunhada… e me desagradou. — ele respondeu, direto. — Você pensou nela. Não pensou em você. Não pensou em mim. Não pensou em nós.
A dor tomou o rosto dela.
— Como você tem coragem de dizer isso? — a voz saiu mais fraca. — Você está sendo injusto.
Ele deu um passo à frente, a respiração pesada.
— Injusto é você querer agradar todo mundo… e esquecer de mim. Esquecer de nós. — respondeu, levando a mão ao peito e depois apontando entre os dois, a respiração pesada.
Ela ficou imóvel.
— Se for pra ser assim… — ele completou, passando a mão pelo cabelo numa mistura de cansaço e orgulho ferido — é melhor pararmos por aqui.
O mundo pareceu parar por um segundo. Olívia engoliu em seco. O brilho da cidade atrás dele contrastava com o vazio que crescia dentro dela.
— Você está terminando comigo? — perguntou, quase num sussurro, mas firme o suficiente para exigir uma resposta. — Está desistindo de mim… do nosso amor… — a voz falhou por um segundo. — … da nossa família? É isso mesmo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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