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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 343

Os carros pararam diante dos portões altos de ferro. O internato parecia menor do que Laura lembrava. As paredes antigas continuavam da mesma cor creme, o jardim bem cuidado, as janelas alinhadas. Nada havia mudado.

Laura desceu do carro devagar. Edgar imediatamente segurou a mão dela. Firme. Protetor. Liam fechou a porta com força contida. Olívia observava tudo em silêncio, o instinto materno já inquieto. Alex, sempre estratégico, analisava cada detalhe da fachada como se estivesse diante de uma empresa que precisava investigar.

— Eu não queria ter que voltar nunca mais nesse lugar… — disse Laura, olhando para o prédio antigo, os olhos marejados. — É como se estivesse revivendo toda a dor que passei aqui.

— Por isso que eu queria que você ficasse em casa… — respondeu Edgar, virando-se para ela e apertando a mão dela com cuidado. — Tem certeza que não quer ficar no carro?

Laura respirou fundo, reunindo forças antes de erguer o olhar novamente para o internato.

— Eu preciso… — disse com firmeza, embora a voz ainda carregasse emoção. — Assim como você, eu preciso saber da verdade.

Silêncio.

Eles atravessaram o pátio de pedras. Cada passo ecoava memórias que Laura passou anos tentando sufocar. Uma freira jovem os atendeu e minutos depois os conduziu até a sala da Madre Superiora.

A porta se abriu. A mulher atrás da mesa era diferente. Mais jovem. Olhar sereno, mas firme. Laura franziu a testa.

— A Madre Helena… não está mais aqui? — perguntou Laura, inclinando levemente a cabeça, surpresa.

A mulher juntou as mãos sobre a mesa, os dedos entrelaçados com compostura. O olhar era calmo, mas carregava o peso da responsabilidade que o cargo exigia.

— A Madre Helena foi chamada para a Casa do Pai há três anos — disse com voz suave, porém solene. — Partiu em paz, após longa enfermidade. Que o Senhor, em Sua infinita misericórdia, a tenha acolhido na eternidade.

Ela fez o sinal da cruz lentamente. Laura sentiu o ar escapar do peito. Edgar apertou sua mão.

— O que vocês desejam conversar? — perguntou a Madre, endireitando-se na cadeira e pousando as mãos sobre a mesa com postura serena.

— Nós viemos buscar respostas — Alex interveio, a voz firme e precisa, assumindo naturalmente a postura de advogado. — Sobre acontecimentos que ocorreram neste internato durante o período em que Laura estudou aqui. Ela foi vítima de um aborto forçado dentro destas paredes.

A Madre Superiora permaneceu imóvel por alguns segundos, absorvendo o peso das palavras de Alex. Os dedos, antes entrelaçados sobre a mesa, se apertaram levemente.

O olhar dela percorreu lentamente cada um dos rostos à sua frente. Primeiro Alex. Depois Liam. Olívia. Edgar. E, por fim… Laura. Os olhos da religiosa suavizaram ao encontrarem o rosto dela.

— Filha… — disse, com a voz mais baixa.

Laura manteve o olhar firme, embora as mãos tremessem discretamente. Edgar percebeu e apertou os dedos dela entre os seus. A Madre respirou fundo.

— Este é um lugar de fé… de disciplina… e de formação — começou, escolhendo as palavras com cuidado. — Mas também é um lugar com uma história longa. Muito longa.

Alex não desviou o olhar.

— Então a senhora compreende a gravidade do que estamos dizendo… — afirmou ele, inclinando-se levemente para frente na cadeira.

A Madre assentiu lentamente.

— Compreendo… — respondeu com calma, sustentando o olhar dele.

Ela abriu uma gaveta da mesa e retirou um pequeno rosário. Passou os dedos pelas contas por alguns segundos, como se buscasse serenidade. Depois levantou o olhar novamente.

— A Madre Helena era a superiora neste período… — disse a religiosa, segurando o rosário entre os dedos enquanto falava.

Laura sentiu um aperto no peito. A religiosa suspirou suavemente antes de continuar.

— Mas, como eu disse anteriormente, ela faleceu há três anos — continuou a Madre, com voz serena. — E, durante o tempo em que convivemos, nunca mencionou esse assunto tão delicado.

Liam trocou um olhar rápido com o amigo. Alex respirou fundo.

— Ainda assim, alguém aqui deve saber o que aconteceu… — disse ele, inclinando-se levemente para frente na cadeira, o olhar firme sobre a religiosa.

A Madre permaneceu alguns segundos em silêncio. Os dedos deslizaram lentamente pelas contas do rosário que ela havia retirado da gaveta. Então falou.

— Menina Laura… — a voz saiu embargada.

Laura não conseguiu conter. Foi até ela. Abraçou-a com força. Enterrou o rosto no ombro da freira e começou a chorar como a adolescente que um dia foi.

— Irmãzinha… — ela soluçava. — Que bom ver a senhora…

Dolores a envolveu com os braços.

— Minha menina levada, que bom te ver novamente. Você se tornou uma mulher linda. — disse com ternura. — Ela olhou para Edgar. — Vocês conseguiram ficar juntos… — completou, emocionada, olhando por cima do ombro dela para Edgar.

Edgar sentiu o peito apertar. Laura se afastou um pouco, segurando as mãos da freira.

— Nós casamos, irmãzinha… — disse com a voz trêmula. — E agora vou ser mãe. Deus fez um milagre. Eu estou gerando meu milagrinho.

Dolores levou a mão até o ventre de Laura com delicadeza. Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Deus é fiel… — murmurou. — Ele transforma lágrimas em promessas e cura feridas que o mundo achou que nunca cicatrizariam.

Depois, o olhar mudou. Culpa. Ela levou a mão até o rosto de Laura. Acariciou com carinho.

— Me perdoa, minha menina… — disse com a voz embargada, acariciando o rosto dela com ternura.

O ambiente inteiro congelou. Edgar enrijeceu o corpo. Liam cruzou os braços, os olhos escurecendo. Alex deu um passo à frente.

— Eu sei que nunca quis me prejudicar. Não tenho raiva da senhora… — disse Laura, segurando as mãos de Dolores com delicadeza, o olhar cheio de emoção.

Dolores fechou os olhos por um segundo.

— Tenho certeza que vieram aqui atrás de respostas. E vou dizer… pra ver se suaviza a culpa que carrego todos esses anos. — disse ela, apertando o rosário entre os dedos. — Eu fui obrigada a entregar aquela carta para o Edgar… para separar vocês.

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