O silêncio pesou por alguns segundos. O delegado respirou fundo antes de continuar.
— Ele não estava sozinho. — disse o delegado, em tom técnico. — Havia uma mulher na casa. Identificada como amante.
Alex estreitou o olhar.
— Foi ela quem acionou a emergência. — continuou o delegado. — Ligação registrada às 21h17. Relatou que encontrou a vítima desacordada depois que saiu do banho.
Ele fez uma breve pausa.
— A equipe já estava em deslocamento para cumprimento do mandado… — acrescentou — quando a chamada entrou. A princípio, o caso está sendo tratado como mal súbito. Possível infarto fulminante.
Edgar franziu a testa.
— E a esposa?
— Está em viagem. — respondeu o delegado. — Já foi notificada. Está retornando para a cidade.
Liam manteve o olhar fixo na casa.
— E você realmente acredita que esse foi o motivo da morte dele? — perguntou, frio.
O delegado sustentou o olhar, profissional.
— Ainda é cedo para qualquer conclusão. — respondeu. — A causa da morte só poderá ser confirmada após a autópsia.
Alex deu um passo à frente.
— E os outros envolvidos?
O delegado não hesitou.
— As equipes já estão em deslocamento. — disse. — Mandados sendo cumpridos neste exato momento. Nenhum deles vai ter tempo de reagir.
Ele então fez um gesto.
— Liberem a entrada.
A fita foi erguida. Liam entrou primeiro. Sem hesitar. Alex e Edgar vieram logo atrás. A casa estava perfeita demais. Sem sinais de arrombamento. Sem desordem. Tudo no lugar.
— Cena limpa. — disse o perito. — Nada fora do padrão. Sem luta. Sem invasão.
Os três percorreram o ambiente com o olhar. Eles seguiram até o quarto. A porta estava aberta. O homem estava deitado sobre a cama. Sem marcas aparentes. Como se tivesse simplesmente… apagado.
— Nenhum sinal de violência externa. — disse o perito. — Indícios compatíveis com parada cardíaca.
Alex não respondeu. Liam apenas observava. Frio. Calculando. Na sala, a amante estava sentada no sofá. Enrolada em um cobertor. Visivelmente abalada. Um policial sinalizou.
— Podem falar com ela.
Alex se aproximou.
— Precisamos que você nos conte tudo. — disse, direto.
Ela respirou fundo.
— A gente estava bem… — começou, com a voz trêmula. — Nós chegamos… a gente conversou… depois…
Ela engoliu seco.
— A gente transou… estava tudo normal…
Edgar desviou o olhar. Ela continuou.
— Eu fui tomar banho… e quando voltei… ele estava na cama…
A voz falhou.
— Imóvel… gelado… eu achei que ele estava dormindo… mas ele não acordava…
Ela levou a mão à boca.
— Foi quando eu liguei pro socorro… eu não sou médica… eu não sabia…
Silêncio. Alex manteve o olhar fixo nela.
— Há quanto tempo você estava com ele?
— Cinco anos. — respondeu. — A esposa nunca descobriu.
Alex assentiu levemente.
— Como ele estava nos últimos dias?
Ela respirou fundo.
— Muito nervoso… ansioso… não largava o celular… o tempo todo mandando mensagem…
Ela apertou o cobertor.
— Teve crises de ansiedade… falou de dor no peito… disse que o braço ficava dormente…
Alex estreitou o olhar.
— E você?
— Eu mandei ele procurar um médico… falei que aquilo não era normal…
Ela hesitou.
— Mas… não era só isso.
O ambiente ficou mais tenso.
— Continua. — disse Alex.
Alex a observou por alguns segundos. Frio. Mas não insensível. Ele levou a mão ao bolso interno do paletó, retirou um cartão e se aproximou. Abaixou-se levemente, estendendo-o para ela.
— Você vai precisar de um advogado. — disse, firme.
Ela ergueu o olhar, confusa. Alex manteve o tom profissional.
— Esse caso não vai ficar restrito a um mal súbito. — continuou. — Você vai ser ouvida, investigada… e exposta.
Ele colocou o cartão na mão dela.
— Me liga. — disse. — Eu vou assumir o seu caso.
Ela arregalou levemente os olhos.
— Eu… não tenho como pagar…
Alex a interrompeu, direto.
— Meus serviços serão gratuitos.
Uma pausa.
— Mas, eu preciso que confie em mim… que me conte tudo. Sem omitir nada.
Ela segurou o cartão com mais força. As mãos ainda tremendo.
— Eu não tenho nada a esconder… — sussurrou.
Alex se levantou. O olhar voltou a ficar frio. Calculista.
— Aguardo seu contato.
Na mansão de Liam, a suíte estava em silêncio. Mas não era um silêncio pesado. Era leve. Olívia caminhou devagar até o centro do quarto, tirando a sandália, enquanto soltava um suspiro profundo.
— Acabou… — disse, mais para si mesma do que para ele.
Liam a observava. Encostado na parede. Braços cruzados. O olhar fixo nela. Não de tensão. Mas de… admiração. Orgulho. Ele se aproximou sem pressa e a abraçou por trás, encaixando o corpo ao dela.
— Não acabou. — murmurou, com a voz baixa, roçando os lábios no ouvido dela. — Nós vencemos essa parte.
Olívia sorriu e se virou de frente para ele, apoiando as mãos no peito dele.
— Juntos. — disse, entrelaçando os dedos na camisa dele.
A mão de Liam subiu devagar até o rosto dela, segurando com cuidado.
— Nós sempre vamos estar juntos, meu amor. — afirmou, acariciando a bochecha dela com o polegar.
O toque era firme… mas cheio de cuidado.
— Você foi incrível. — continuou ele, olhando nos olhos dela. — Mesmo com tudo… você não abaixou a cabeça. Me surpreendeu em muitos momentos… — um leve sorriso surgiu — principalmente quando saiu arrastando aquela atrevida pelos cabelos. — ele soltou um riso baixo. — Confesso… você foi uma excelente atriz esse tempo todo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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