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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 398

Na delegacia, Liam estava sentado. As mãos apoiadas sobre a mesa. As algemas já haviam sido retiradas, mas a sensação de restrição ainda permanecia. Não física.

Mental.

Do outro lado da sala, dois detetives. Observando. Esperando qualquer reação.

— Senhor Holt… — começou um deles, abrindo a pasta com calma — vamos ser objetivos. O senhor esteve no estacionamento do shopping ontem à noite.

Liam não respondeu. Apenas sustentou o olhar. Frio. Calculado.

— O senhor teve contato com a vítima, André Johnson. — continuou o outro, apoiando as mãos na mesa. — E minutos depois… ele foi baleado.

Silêncio.

— Coincidência demais, não acha?

Liam inclinou levemente a cabeça, analisando os dois.

Sem pressa.

Sem pressão.

— Se o senhor terminou… — disse, por fim, a voz firme e controlada — eu vou aguardar meu advogado.

O detetive soltou um leve sopro pelo nariz, cruzando os braços.

— O senhor não quer se ajudar?

Liam manteve o olhar fixo.

— Eu estou me ajudando. — respondeu, sem alterar o tom.

Um dos detetives fechou a pasta com um leve estalo.

— O senhor sabe que pode explicar a sua versão agora.

Liam apoiou melhor as mãos na mesa, sem desviar o olhar.

— Eu sei dos meus direitos. — disse, direto. — E também sei que qualquer declaração sem a presença do meu advogado não me beneficia.

Silêncio.

Pesado.

Técnico.

Os detetives trocaram um olhar rápido.

— Certo… — murmurou um deles, se recostando na cadeira. — Então vamos esperar.

Algumas horas depois, Liam estava sentado, o corpo imóvel, as mãos apoiadas sobre a mesa, o olhar fixo à frente, mas atento a tudo.

A porta se abriu. Alex entrou. Fechou a porta atrás de si e caminhou até a mesa, puxando a cadeira.

— Desculpa a demora… — disse, ajustando o paletó, a respiração ainda levemente acelerada. — O chalé onde eu estava fica a algumas horas de viagem. — passou a mão rapidamente na gravata. — Acho que devo ter tomado umas boas multas no caminho.

Liam não reagiu ao comentário. Os olhos foram direto nele.

— E a Olívia… como está? — perguntou, a voz firme, mas com um leve peso.

Alex apoiou as mãos na mesa, inclinando levemente o corpo.

— Levei um susto quando ela me ligou… — disse, mais sério. — Na verdade, me acordou. — fez um pequeno gesto com a cabeça. — Estava completamente nervosa… só conseguiu dizer que a polícia tinha te levado.

Fez uma breve pausa.

— Ela quis vir pra cá. — soltou o ar devagar, passando a mão no queixo. — Eu segurei. Deixei a Ísis com ela.

O olhar de Alex se fixou no dele.

— Meu amigo… ela está transtornada. Isso não é bom.

O maxilar de Liam travou por um segundo.

— Eu não quero ela aqui. — disse, controlado. — Ela deu um tapa no policial.

Alex soltou um leve ar pelo nariz, surpreso, inclinando um pouco a cabeça.

— Sério? — perguntou, cruzando rapidamente os braços.

— Sim. — respondeu Liam, seco. — Ela poderia ter sido presa… a sorte foi o bom senso dele. Aqui ela pode perder o controle de novo, pode partir pra cima do delegado… e aí não vai ter quem segure.

Alex assentiu devagar, descruzando os braços.

— Você está certo… — disse, apoiando os cotovelos na mesa. — Mas, sendo realista… vai ser difícil impedir que ela venha.

Se recostou na cadeira.

— Eu conversei com o delegado antes de entrar aqui — acrescentou, passando a mão pela lateral do rosto.

Liam levantou o olhar.

— E? — perguntou, firme.

— Não é o mesmo do caso da empresa. — disse Alex, inclinando levemente a cabeça. — Ele foi transferido.

Alex soltou um leve ar pelo nariz.

— Coincidência demais.

Liam nem piscou, apoiando levemente as mãos na mesa.

— Nada é coincidência. — disse, firme.

Alex continuou, agora com o tom mais técnico.

— Do ponto de vista jurídico, nós estamos lidando com duas coisas diferentes aqui: justificativa de presença… e vínculo com o crime.

Fez um pequeno gesto com a mão.

— Você tem uma justificativa legítima para estar no local. — disse. — E isso é ótimo pra defesa.

Outra pausa.

— Mas o problema não é só você estar lá.

O olhar dele se firmou.

— É o conjunto.

Silêncio.

— Você estava no local… — começou, pontuando. — teve contato direto com a vítima… e o crime aconteceu minutos depois.

Outra pausa.

— Isso cria o que chamamos de circunstancial linkage. — disse, técnico. — Um vínculo circunstancial com o fato.

Liam não desviou o olhar.

— Mesmo sem prova direta.

— Exatamente. — confirmou Alex. — Eles não precisam, nesse momento, provar que você fez… só precisam justificar por que você é suspeito.

Se recostou levemente na cadeira.

— E você encaixa.

Silêncio.

Pesado.

— A sua justificativa — continuou — enfraquece a narrativa deles… mas não elimina.

Outra pausa.

— E é aí que entra a estratégia.

Liam inclinou levemente a cabeça.

— Armação.

Alex assentiu.

— Porque, juridicamente… — disse, mais baixo — a sua presença pode ser interpretada de duas formas.

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