Na delegacia, Liam estava sentado. As mãos apoiadas sobre a mesa. As algemas já haviam sido retiradas, mas a sensação de restrição ainda permanecia. Não física.
Mental.
Do outro lado da sala, dois detetives. Observando. Esperando qualquer reação.
— Senhor Holt… — começou um deles, abrindo a pasta com calma — vamos ser objetivos. O senhor esteve no estacionamento do shopping ontem à noite.
Liam não respondeu. Apenas sustentou o olhar. Frio. Calculado.
— O senhor teve contato com a vítima, André Johnson. — continuou o outro, apoiando as mãos na mesa. — E minutos depois… ele foi baleado.
Silêncio.
— Coincidência demais, não acha?
Liam inclinou levemente a cabeça, analisando os dois.
Sem pressa.
Sem pressão.
— Se o senhor terminou… — disse, por fim, a voz firme e controlada — eu vou aguardar meu advogado.
O detetive soltou um leve sopro pelo nariz, cruzando os braços.
— O senhor não quer se ajudar?
Liam manteve o olhar fixo.
— Eu estou me ajudando. — respondeu, sem alterar o tom.
Um dos detetives fechou a pasta com um leve estalo.
— O senhor sabe que pode explicar a sua versão agora.
Liam apoiou melhor as mãos na mesa, sem desviar o olhar.
— Eu sei dos meus direitos. — disse, direto. — E também sei que qualquer declaração sem a presença do meu advogado não me beneficia.
Silêncio.
Pesado.
Técnico.
Os detetives trocaram um olhar rápido.
— Certo… — murmurou um deles, se recostando na cadeira. — Então vamos esperar.
Algumas horas depois, Liam estava sentado, o corpo imóvel, as mãos apoiadas sobre a mesa, o olhar fixo à frente, mas atento a tudo.
A porta se abriu. Alex entrou. Fechou a porta atrás de si e caminhou até a mesa, puxando a cadeira.
— Desculpa a demora… — disse, ajustando o paletó, a respiração ainda levemente acelerada. — O chalé onde eu estava fica a algumas horas de viagem. — passou a mão rapidamente na gravata. — Acho que devo ter tomado umas boas multas no caminho.
Liam não reagiu ao comentário. Os olhos foram direto nele.
— E a Olívia… como está? — perguntou, a voz firme, mas com um leve peso.
Alex apoiou as mãos na mesa, inclinando levemente o corpo.
— Levei um susto quando ela me ligou… — disse, mais sério. — Na verdade, me acordou. — fez um pequeno gesto com a cabeça. — Estava completamente nervosa… só conseguiu dizer que a polícia tinha te levado.
Fez uma breve pausa.
— Ela quis vir pra cá. — soltou o ar devagar, passando a mão no queixo. — Eu segurei. Deixei a Ísis com ela.
O olhar de Alex se fixou no dele.
— Meu amigo… ela está transtornada. Isso não é bom.
O maxilar de Liam travou por um segundo.
— Eu não quero ela aqui. — disse, controlado. — Ela deu um tapa no policial.
Alex soltou um leve ar pelo nariz, surpreso, inclinando um pouco a cabeça.
— Sério? — perguntou, cruzando rapidamente os braços.
— Sim. — respondeu Liam, seco. — Ela poderia ter sido presa… a sorte foi o bom senso dele. Aqui ela pode perder o controle de novo, pode partir pra cima do delegado… e aí não vai ter quem segure.
Alex assentiu devagar, descruzando os braços.
— Você está certo… — disse, apoiando os cotovelos na mesa. — Mas, sendo realista… vai ser difícil impedir que ela venha.
Se recostou na cadeira.
— Eu conversei com o delegado antes de entrar aqui — acrescentou, passando a mão pela lateral do rosto.
Liam levantou o olhar.
— E? — perguntou, firme.
— Não é o mesmo do caso da empresa. — disse Alex, inclinando levemente a cabeça. — Ele foi transferido.
Alex soltou um leve ar pelo nariz.
— Coincidência demais.
Liam nem piscou, apoiando levemente as mãos na mesa.
— Nada é coincidência. — disse, firme.
Alex continuou, agora com o tom mais técnico.
— Do ponto de vista jurídico, nós estamos lidando com duas coisas diferentes aqui: justificativa de presença… e vínculo com o crime.
Fez um pequeno gesto com a mão.
— Você tem uma justificativa legítima para estar no local. — disse. — E isso é ótimo pra defesa.
Outra pausa.
— Mas o problema não é só você estar lá.
O olhar dele se firmou.
— É o conjunto.
Silêncio.
— Você estava no local… — começou, pontuando. — teve contato direto com a vítima… e o crime aconteceu minutos depois.
Outra pausa.
— Isso cria o que chamamos de circunstancial linkage. — disse, técnico. — Um vínculo circunstancial com o fato.
Liam não desviou o olhar.
— Mesmo sem prova direta.
— Exatamente. — confirmou Alex. — Eles não precisam, nesse momento, provar que você fez… só precisam justificar por que você é suspeito.
Se recostou levemente na cadeira.
— E você encaixa.
Silêncio.
Pesado.
— A sua justificativa — continuou — enfraquece a narrativa deles… mas não elimina.
Outra pausa.
— E é aí que entra a estratégia.
Liam inclinou levemente a cabeça.
— Armação.
Alex assentiu.
— Porque, juridicamente… — disse, mais baixo — a sua presença pode ser interpretada de duas formas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...