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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 429

Laura retirou as luvas com cuidado, os dedos levemente trêmulos pelo esforço. O coração ainda batia acelerado, não pelo cansaço físico, mas pela descarga emocional. Ela tinha acabado de sair de uma cirurgia difícil… daquelas que não permitem erro. O cachorro tinha chegado praticamente morto.

— Estável… — murmurou, passando a mão pela testa úmida, fechando os olhos por um segundo — você vai ficar bem…

Quando finalmente deixou o centro cirúrgico, os passos estavam mais lentos. O corpo pesava, mas havia algo maior ali… aquela sensação silenciosa de ter vencido a morte por pouco. Ao entrar na sala, empurrou a porta com o ombro, distraída, já soltando o elástico do cabelo… E parou. O ar mudou.

Sentada na poltrona, impecável, como se estivesse em um salão de luxo e não em uma clínica veterinária… estava Eleanor. Laura não disse nada por um segundo. Apenas a encarou. O maxilar travou. Os ombros enrijeceram.

— O que a senhora está fazendo aqui? — perguntou, a voz baixa, mas carregada.

Eleanor cruzou as pernas com elegância, alisando o tecido da roupa como se estivesse ignorando completamente o ambiente ao redor.

— Vim falar sobre Luna.

Ela soltou um riso curto, sem humor, passando a mão no rosto cansado antes de apoiar o peso do corpo na mesa.

— Seja rápida… — murmurou, sem tirar os olhos dela — eu não tenho tempo pra esse tipo de visita.

Eleanor inclinou levemente a cabeça, analisando-a de cima a baixo, o olhar carregado de julgamento.

— Luna fez aniversário… — disse, pausando milimetricamente — e não teve a festa que merece.

Laura respirou fundo pelo nariz, os dedos pressionando a madeira da mesa.

— Não teve festa porque não quis… — respondeu, erguendo o olhar devagar, firme — ela quis comemorar de outro jeito.

Deu um passo à frente.

— Um piquenique no Central Park… com os pais. — a voz suavizou só um pouco… quase imperceptível. — E foi exatamente isso que ela teve.

Eleanor estreitou levemente os olhos, claramente contrariada.

— Isso é inaceitável… — rebateu, cruzando os braços agora — minha neta sempre teve festas grandes, à altura da família dela.

Laura inclinou a cabeça de leve, soltando um ar pelo nariz.

— Sua neta teve exatamente o que quis. — os olhos dela endureceram. — Ou agora a felicidade dela precisa seguir o padrão da sua vitrine social?

Eleanor se inclinou um pouco à frente, o olhar mais frio.

— Eu não vou admitir… — disse, cada palavra controlada — que eu e o meu marido sejamos excluídos da vida da nossa neta.

Laura fechou os olhos por um segundo, como se estivesse segurando a paciência pelos últimos fios. Quando abriu… já não havia suavidade.

— Em nenhum momento a senhora está sendo excluída… — respondeu, endireitando o corpo — Luna vai à sua casa. Convive com vocês. Não distorça isso.

Eleanor descruzou os braços lentamente.

— Eu vou fazer uma festa pra ela. Estou pensando na felicidade dela.

A frase caiu seca. Definitiva. Laura soltou uma risada breve, desacreditada, passando a língua pelos lábios antes de responder.

— Vai? — deu mais um passo. — E vai ignorar completamente o que ela quer? — o olhar dela agora estava afiado. — Porque se a senhora realmente estivesse pensando na felicidade da minha filha… respeitaria o desejo dela.

A tensão aumentou. Eleanor apertou os lábios.

— Eu me preocupo com a felicidade da minha neta… — rebateu — e é inadmissível uma mulher como você, inserida na alta sociedade, não fazer uma festa à altura.

Laura riu. Mas agora… com desprezo.

— Ah, então é isso? — inclinou o corpo levemente para frente — não é sobre a Luna. — os olhos dela brilharam, frios. — É sobre aparência.

O silêncio pesou. E então Laura continuou, mais baixa… mais perigosa.

— Luna não quis festa… porque não queria comemorar sem a mãe biológica.

Eleanor travou. Por um segundo. Mas Laura não deu espaço.

— Na cabeça dela… — continuou, sustentando o olhar — Marcela está em tratamento… e o médico não liberou a saída. A senhora quer que ela descubra que a própria mãe está presa?

O golpe foi direto. Eleanor reagiu com veneno imediato.

— Está presa por sua culpa. E por causa daquele negro maldito.

O silêncio caiu pesado. Laura piscou devagar. O corpo ficou imóvel. A respiração mudou. Mais lenta. Mais funda.

— Você deve estar comemorando, não é? — Eleanor continuou, a voz carregada de ódio — conseguiu o que queria… casou… tomou minha neta da mãe… destruiu a vida da minha filha.

Laura ergueu o queixo devagar. Os olhos agora ardiam.

— Eu não vou admitir a senhora falar assim de mim e do meu marido… — disse, a voz baixa, mas extremamente firme — sua racista.

Eleanor deu um sorriso irônico. Mas Laura não parou.

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