Laura retirou as luvas com cuidado, os dedos levemente trêmulos pelo esforço. O coração ainda batia acelerado, não pelo cansaço físico, mas pela descarga emocional. Ela tinha acabado de sair de uma cirurgia difícil… daquelas que não permitem erro. O cachorro tinha chegado praticamente morto.
— Estável… — murmurou, passando a mão pela testa úmida, fechando os olhos por um segundo — você vai ficar bem…
Quando finalmente deixou o centro cirúrgico, os passos estavam mais lentos. O corpo pesava, mas havia algo maior ali… aquela sensação silenciosa de ter vencido a morte por pouco. Ao entrar na sala, empurrou a porta com o ombro, distraída, já soltando o elástico do cabelo… E parou. O ar mudou.
Sentada na poltrona, impecável, como se estivesse em um salão de luxo e não em uma clínica veterinária… estava Eleanor. Laura não disse nada por um segundo. Apenas a encarou. O maxilar travou. Os ombros enrijeceram.
— O que a senhora está fazendo aqui? — perguntou, a voz baixa, mas carregada.
Eleanor cruzou as pernas com elegância, alisando o tecido da roupa como se estivesse ignorando completamente o ambiente ao redor.
— Vim falar sobre Luna.
Ela soltou um riso curto, sem humor, passando a mão no rosto cansado antes de apoiar o peso do corpo na mesa.
— Seja rápida… — murmurou, sem tirar os olhos dela — eu não tenho tempo pra esse tipo de visita.
Eleanor inclinou levemente a cabeça, analisando-a de cima a baixo, o olhar carregado de julgamento.
— Luna fez aniversário… — disse, pausando milimetricamente — e não teve a festa que merece.
Laura respirou fundo pelo nariz, os dedos pressionando a madeira da mesa.
— Não teve festa porque não quis… — respondeu, erguendo o olhar devagar, firme — ela quis comemorar de outro jeito.
Deu um passo à frente.
— Um piquenique no Central Park… com os pais. — a voz suavizou só um pouco… quase imperceptível. — E foi exatamente isso que ela teve.
Eleanor estreitou levemente os olhos, claramente contrariada.
— Isso é inaceitável… — rebateu, cruzando os braços agora — minha neta sempre teve festas grandes, à altura da família dela.
Laura inclinou a cabeça de leve, soltando um ar pelo nariz.
— Sua neta teve exatamente o que quis. — os olhos dela endureceram. — Ou agora a felicidade dela precisa seguir o padrão da sua vitrine social?
Eleanor se inclinou um pouco à frente, o olhar mais frio.
— Eu não vou admitir… — disse, cada palavra controlada — que eu e o meu marido sejamos excluídos da vida da nossa neta.
Laura fechou os olhos por um segundo, como se estivesse segurando a paciência pelos últimos fios. Quando abriu… já não havia suavidade.
— Em nenhum momento a senhora está sendo excluída… — respondeu, endireitando o corpo — Luna vai à sua casa. Convive com vocês. Não distorça isso.
Eleanor descruzou os braços lentamente.
— Eu vou fazer uma festa pra ela. Estou pensando na felicidade dela.
A frase caiu seca. Definitiva. Laura soltou uma risada breve, desacreditada, passando a língua pelos lábios antes de responder.
— Vai? — deu mais um passo. — E vai ignorar completamente o que ela quer? — o olhar dela agora estava afiado. — Porque se a senhora realmente estivesse pensando na felicidade da minha filha… respeitaria o desejo dela.
A tensão aumentou. Eleanor apertou os lábios.
— Eu me preocupo com a felicidade da minha neta… — rebateu — e é inadmissível uma mulher como você, inserida na alta sociedade, não fazer uma festa à altura.
Laura riu. Mas agora… com desprezo.
— Ah, então é isso? — inclinou o corpo levemente para frente — não é sobre a Luna. — os olhos dela brilharam, frios. — É sobre aparência.
O silêncio pesou. E então Laura continuou, mais baixa… mais perigosa.
— Luna não quis festa… porque não queria comemorar sem a mãe biológica.
Eleanor travou. Por um segundo. Mas Laura não deu espaço.
— Na cabeça dela… — continuou, sustentando o olhar — Marcela está em tratamento… e o médico não liberou a saída. A senhora quer que ela descubra que a própria mãe está presa?
O golpe foi direto. Eleanor reagiu com veneno imediato.
— Está presa por sua culpa. E por causa daquele negro maldito.
O silêncio caiu pesado. Laura piscou devagar. O corpo ficou imóvel. A respiração mudou. Mais lenta. Mais funda.
— Você deve estar comemorando, não é? — Eleanor continuou, a voz carregada de ódio — conseguiu o que queria… casou… tomou minha neta da mãe… destruiu a vida da minha filha.
Laura ergueu o queixo devagar. Os olhos agora ardiam.
— Eu não vou admitir a senhora falar assim de mim e do meu marido… — disse, a voz baixa, mas extremamente firme — sua racista.
Eleanor deu um sorriso irônico. Mas Laura não parou.
— Não aguenta ouvir a verdade? — o sorriso veio cruel. — Minha filha vai sair de lá… eu vou tirar ela. E o seu irmão vai apodrecer na cadeia. A justiça está sendo feita. Deus existe!
E então, Laura explodiu.
— ASSASSINA É A SUA FILHA! — Laura gritou.
A voz ecoou pela sala. Forte. Rasgando tudo.
— Que ajudou a matar o meu filho!
O silêncio que se seguiu foi brutal. Eleanor piscou, completamente pega de surpresa.
— O que você está dizendo…? — a voz saiu mais baixa — que mentira é essa?
Laura riu. Mas havia dor naquele som.
— Ué… — inclinou levemente a cabeça — não conversa com o psiquiatra da sua filha?
Deu mais um passo.
— O meu irmão é inocente.
Os olhos marejaram. Mas a voz não falhou.
— E nós vamos provar isso. — respirou fundo, os olhos cravados nela — A sua filha, sim, é uma assassina. Foi ela, junto com os meus tios, que armou pra eu perder o filho que esperava do Edgar.
O ar pareceu desaparecer.
— Eu tinha quinze anos… — a voz saiu mais baixa — e só queria ser feliz com ele.
Eleanor balançou a cabeça.
— Você está mentindo.
— Eu não sou sua filha… — Laura rebateu, firme — a sua filha é mentirosa.
O peito dela subia e descia com força agora.
— Fez tudo o que fez… e depois foi atrás do meu marido… em outro país… se fazendo de santa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...