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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 430

A respiração de Laura falhou, mas ela continuou, agora com a voz embargada, sem esconder mais nada.

— E mesmo depois de destruir a minha vida naquela época… ela voltou… tentou destruir de novo… tentou tirar o Edgar de mim… tentou usar a própria filha pra isso…

Passou a mão rápida no rosto, limpando as lágrimas sem delicadeza.

— Então não… não me venha falar de justiça.

A voz voltou a endurecer.

— Porque se tem alguém que precisa pagar… é a sua filha.

Eleanor abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Laura virou o rosto por um segundo, respirando fundo, tentando se recompor, mas quando voltou a encará-la, já não havia mais hesitação.

— Eu e Edgar tínhamos decidido deixar isso no passado… — disse, mais controlada, mas com firmeza — seguir em frente… porque já superamos.

Os olhos dela se intensificaram.

— Mas a senhora entrou aqui hoje… me desrespeitou, desrespeitou o meu marido, a minha família, a minha filha…

Deu um passo para trás, indo até a porta, abrindo-a com firmeza.

— Então agora vai ser diferente.

A mão dela subiu instintivamente até a barriga, num gesto protetor, enquanto sustentava o olhar.

— Se hoje eu estou grávida do Isaac… é porque Deus me devolveu algo que tentaram arrancar de mim.

A voz falhou levemente, mas ela não desviou.

— E ainda me deu a Luna… uma menina que não tem culpa de nada… e que eu amo como filha.

Os olhos voltaram a endurecer.

— Ela não merece crescer perto de gente que usa o amor como arma.

Segurou a porta com mais força.

— Então faz um favor…

A voz voltou ao tom frio, definitivo.

— Nunca mais entra na minha clínica.

Um segundo de silêncio.

— E se quiser saber qualquer coisa sobre a Luna… fala com o meu advogado ou com Edgar.

O olhar permaneceu firme, inabalável.

— Passar bem.

Na Trident já era fim de expediente. Os últimos arquivos já estavam sendo fechados, e alguns documentos alinhados. Olívia puxou a bolsa para perto, conferindo automaticamente se tudo estava ali. Respirou fundo.

O nome de Liam atravessou seus pensamentos como um peso constante. O julgamento. Aquilo não saía da cabeça dela. O celular vibrou em sua mão. Ela olhou o visor. Pai. Olívia atendeu no segundo toque, já suavizando a voz.

— Oi, papai…

Do outro lado, a respiração de Fabrício veio carregada, mais rápida do que o normal.

— Minha Pérola… você está bem?

Olívia franziu levemente a testa, ajeitando a bolsa no ombro enquanto se encostava na mesa.

— Estou… por quê?

Houve um pequeno silêncio antes da próxima pergunta.

— O Victor está com você?

Ela piscou, confusa.

— Não… — respondeu devagar — ele nem falou que vinha pra cá hoje.

A inquietação veio instantânea, sutil, mas suficiente para apertar algo dentro dela.

— Por quê? Aconteceu alguma coisa?

Do outro lado, Fabrício soltou um suspiro pesado.

— Ele saiu daqui pela manhã dizendo que ia resolver uma coisa importante… contigo. — a voz falhou levemente. — Não estou conseguindo falar com ele…

Olívia se endireitou, agora mais atenta.

— E ele não atende o telefone?

— Não. — a resposta veio rápida demais — Já liguei várias vezes. Estou com o coração apertado, filha…

Fabrício ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse escolhendo cada palavra com cuidado… e quando falou, a voz veio mais baixa, mas firme, carregada de afeto.

— Minha filha… — disse com suavidade — se eu pudesse, eu atravessava essa cidade agora só pra te abraçar.

Uma pausa breve, a respiração dele mais controlada.

— Você não precisa ser forte o tempo todo, não… — continuou — tem dias que a gente só precisa de colo… e está tudo bem.

A voz ganhou um leve peso, mais sábia.

— Mas escuta o seu pai… o mal pode até parecer mais rápido… mais forte… mas ele nunca sustenta vitória por muito tempo.

Respirou fundo.

— O que é certo pode demorar… pode doer… pode cansar… mas não perde.

Um silêncio pequeno… confortável.

— E você não está sozinha, ouviu? — completou, com mais firmeza — eu estou aqui… sua mãe está aqui… e esse homem que você ama também não está sozinho nessa.

A voz suavizou novamente.

— Aguenta só mais um pouco… — murmurou — porque tudo que é de verdade… sempre encontra um jeito de ficar de pé.

O quarto de Luna estava iluminado pela luz suave do abajur e pelo brilho discreto que vinha do corredor. O silêncio ali dentro era acolhedor… daqueles que abraçam.

Laura fechou o livro devagar, passando a mão com carinho pela capa antes de deixá-lo sobre o criado-mudo. Em seguida, voltou o olhar para a menina, que estava deitada, coberta até o peito, os olhos ainda brilhando depois da história.

Laura sorriu de leve. Deslizou a mão pelos cabelos dela, ajeitando uma mecha atrás da orelha.

— Quer conversar mais um pouquinho… ou já está com sono? — perguntou, a voz baixa, cheia de carinho.

Luna fez um biquinho pensativo, apertando o travesseiro com os bracinhos.

— Quero conversar…

Laura assentiu, acomodando-se melhor na cama, apoiando o cotovelo nos travesseiros.

— Então me conta uma coisa… — disse com um leve sorriso — você quer falar das flores que ganhou hoje na escola?

Os olhos de Luna se iluminaram na hora.

— Foi meu melhor amiguinho que me deu! — respondeu, animada, levantando um pouquinho o tronco.

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