A respiração de Laura falhou, mas ela continuou, agora com a voz embargada, sem esconder mais nada.
— E mesmo depois de destruir a minha vida naquela época… ela voltou… tentou destruir de novo… tentou tirar o Edgar de mim… tentou usar a própria filha pra isso…
Passou a mão rápida no rosto, limpando as lágrimas sem delicadeza.
— Então não… não me venha falar de justiça.
A voz voltou a endurecer.
— Porque se tem alguém que precisa pagar… é a sua filha.
Eleanor abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Laura virou o rosto por um segundo, respirando fundo, tentando se recompor, mas quando voltou a encará-la, já não havia mais hesitação.
— Eu e Edgar tínhamos decidido deixar isso no passado… — disse, mais controlada, mas com firmeza — seguir em frente… porque já superamos.
Os olhos dela se intensificaram.
— Mas a senhora entrou aqui hoje… me desrespeitou, desrespeitou o meu marido, a minha família, a minha filha…
Deu um passo para trás, indo até a porta, abrindo-a com firmeza.
— Então agora vai ser diferente.
A mão dela subiu instintivamente até a barriga, num gesto protetor, enquanto sustentava o olhar.
— Se hoje eu estou grávida do Isaac… é porque Deus me devolveu algo que tentaram arrancar de mim.
A voz falhou levemente, mas ela não desviou.
— E ainda me deu a Luna… uma menina que não tem culpa de nada… e que eu amo como filha.
Os olhos voltaram a endurecer.
— Ela não merece crescer perto de gente que usa o amor como arma.
Segurou a porta com mais força.
— Então faz um favor…
A voz voltou ao tom frio, definitivo.
— Nunca mais entra na minha clínica.
Um segundo de silêncio.
— E se quiser saber qualquer coisa sobre a Luna… fala com o meu advogado ou com Edgar.
O olhar permaneceu firme, inabalável.
— Passar bem.
Na Trident já era fim de expediente. Os últimos arquivos já estavam sendo fechados, e alguns documentos alinhados. Olívia puxou a bolsa para perto, conferindo automaticamente se tudo estava ali. Respirou fundo.
O nome de Liam atravessou seus pensamentos como um peso constante. O julgamento. Aquilo não saía da cabeça dela. O celular vibrou em sua mão. Ela olhou o visor. Pai. Olívia atendeu no segundo toque, já suavizando a voz.
— Oi, papai…
Do outro lado, a respiração de Fabrício veio carregada, mais rápida do que o normal.
— Minha Pérola… você está bem?
Olívia franziu levemente a testa, ajeitando a bolsa no ombro enquanto se encostava na mesa.
— Estou… por quê?
Houve um pequeno silêncio antes da próxima pergunta.
— O Victor está com você?
Ela piscou, confusa.
— Não… — respondeu devagar — ele nem falou que vinha pra cá hoje.
A inquietação veio instantânea, sutil, mas suficiente para apertar algo dentro dela.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa?
Do outro lado, Fabrício soltou um suspiro pesado.
— Ele saiu daqui pela manhã dizendo que ia resolver uma coisa importante… contigo. — a voz falhou levemente. — Não estou conseguindo falar com ele…
Olívia se endireitou, agora mais atenta.
— E ele não atende o telefone?
— Não. — a resposta veio rápida demais — Já liguei várias vezes. Estou com o coração apertado, filha…
Fabrício ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse escolhendo cada palavra com cuidado… e quando falou, a voz veio mais baixa, mas firme, carregada de afeto.
— Minha filha… — disse com suavidade — se eu pudesse, eu atravessava essa cidade agora só pra te abraçar.
Uma pausa breve, a respiração dele mais controlada.
— Você não precisa ser forte o tempo todo, não… — continuou — tem dias que a gente só precisa de colo… e está tudo bem.
A voz ganhou um leve peso, mais sábia.
— Mas escuta o seu pai… o mal pode até parecer mais rápido… mais forte… mas ele nunca sustenta vitória por muito tempo.
Respirou fundo.
— O que é certo pode demorar… pode doer… pode cansar… mas não perde.
Um silêncio pequeno… confortável.
— E você não está sozinha, ouviu? — completou, com mais firmeza — eu estou aqui… sua mãe está aqui… e esse homem que você ama também não está sozinho nessa.
A voz suavizou novamente.
— Aguenta só mais um pouco… — murmurou — porque tudo que é de verdade… sempre encontra um jeito de ficar de pé.
O quarto de Luna estava iluminado pela luz suave do abajur e pelo brilho discreto que vinha do corredor. O silêncio ali dentro era acolhedor… daqueles que abraçam.
Laura fechou o livro devagar, passando a mão com carinho pela capa antes de deixá-lo sobre o criado-mudo. Em seguida, voltou o olhar para a menina, que estava deitada, coberta até o peito, os olhos ainda brilhando depois da história.
Laura sorriu de leve. Deslizou a mão pelos cabelos dela, ajeitando uma mecha atrás da orelha.
— Quer conversar mais um pouquinho… ou já está com sono? — perguntou, a voz baixa, cheia de carinho.
Luna fez um biquinho pensativo, apertando o travesseiro com os bracinhos.
— Quero conversar…
Laura assentiu, acomodando-se melhor na cama, apoiando o cotovelo nos travesseiros.
— Então me conta uma coisa… — disse com um leve sorriso — você quer falar das flores que ganhou hoje na escola?
Os olhos de Luna se iluminaram na hora.
— Foi meu melhor amiguinho que me deu! — respondeu, animada, levantando um pouquinho o tronco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Qnd vao liberar mais capítulos? Ansiosa pra ver o desfecho desse romance....
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......