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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 444

Ana suspirou fundo.

— Quero que saiba que não aprovei a conduta que meu filho teve com você. — disse, firme.

A voz saiu dura, porém sem crueldade.

— Eu e Fabrício o criamos para ser um homem com princípios e valores. Um homem respeitador, protetor, provedor.

Os olhos dela se endureceram.

— E o que ele falou com você… eu não aprovei.

Bárbara engoliu seco.

— Senhora… não sei do que está falando. — insistiu, a voz falhando no final.

Ana inclinou a cabeça.

— Eu sei da noite que passaram juntos. E sei o que ele falou depois.

Bárbara congelou.

Ana prosseguiu.

— Não se trata uma mulher daquele jeito.

O olhar dela caiu sobre a mesa lateral.

— E você ainda mandou preparar café pra ele depois de tudo. Então sim… você sabe do que estou falando.

Bárbara mordeu a parte interna da boca, ferida.

Ana deu um passo em direção à porta.

— Vou deixar você a sós com ele. Pode ficar o quanto quiser.

— Obrigada. — murmurou Bárbara, quase sem voz.

Ana segurou a maçaneta, mas falou antes de sair.

— Você mexeu com meu filho… e ele não soube lidar com isso.

Virou parcialmente o rosto.

— Entrou em conflito. Quis te procurar… mas desistiu.

Bárbara piscou devagar, sem dizer nada.

— O amor pela irmã o impediu. A obsessão que você tem pelo Liam também. Victor nunca vai entrar numa relação se não tiver certeza de que o sentimento é recíproco.

O olhar de Ana pousou fundo nela.

— Mas vendo você aqui… eu sei que ele mexeu com você também. Caso contrário, não teria vindo.

Bárbara continuou imóvel, os olhos presos nela.

Ana finalizou, com calma dolorosa.

— Você só precisa entender que Liam não te ama. Nunca te amou.

Silêncio.

Os olhos de Bárbara marejaram, mas ela permaneceu muda.

Ana suavizou a voz.

— Não tenho raiva de você, Bárbara. Porque você também é vítima nessa história toda. A raiz dos seus problemas foi a falta de pai e mãe.

Respirou fundo.

— Mas a vida pode te surpreender com coisas boas. Se permita. Victor não é o melhor dos homens… mas se os dois lutarem, esse relacionamento pode dar certo. No fundo… eu sei que você não é uma má pessoa.

E saiu.

O quarto voltou ao silêncio.

Bárbara permaneceu imóvel por alguns segundos. Depois caminhou lentamente até a cama.

Parou ao lado dele.

— Meu Deus, Victor… você não merecia isso. — murmurou, tocando o rosto dele com extremo cuidado.

Os dedos deslizaram sobre os hematomas sem pressionar.

— As maldades do Alberto não têm fim.

Acariciou de leve os lábios dele com o polegar e se inclinou, depositando um selinho breve.

— Eu deveria estar te odiando agora… mas não consigo. — confessou, a voz embargada.

Os olhos se encheram de lágrimas.

— Você me tratou como lixo naquele dia. Por um momento achei que você era diferente.

Os olhos dela se perderam nas lembranças.

— Me senti protegida pela primeira vez na vida. O Liam teria me destruído se não fosse você.

Uma lágrima escorreu.

— Mas depois vieram aquelas palavras… como se eu servisse só pra aliviar homem.

Riu sem humor.

— Talvez você tenha razão. Talvez eu só sirva pra isso.

— Se eu te fiz mal… me perdoa. — murmurou.

Fez nova pausa para respirar.

— De você eu lembro, na cama. O resto… embaralhado.

Bárbara olhou para a mão presa à dele.

— É porque eu só sirvo para aliviar os homens. — retrucou, tentando parecer fria. — Nós fizemos muito mal um ao outro, Victor. Essa é a verdade.

Victor sustentou o olhar dela por alguns segundos, visivelmente cansado.

— Espero que seja feliz. — falou sem rodeios.

Respirou fundo, sentindo dor.

— Obrigado por vir.

Fechou os olhos por um instante.

— Tenha um bom dia.

Soltou devagar a mão dela. Bárbara recuou meio passo.

— Obrigada, Victor. Melhoras. — rebateu, endurecendo a voz para esconder a dor.

Victor reclamou baixo e levou a mão lentamente à lateral do corpo. Bárbara se inclinou imediatamente.

— Meninão? Está com dor? Eu vou chamar o médico… sua mãe. — disse, aflita.

Ele tornou a abrir os olhos devagar e a fitou.

— Não precisa ter pena de mim. — murmurou.

Bárbara respirou fundo, endireitando a postura.

— É melhor eu ir embora. — disse, contendo as lágrimas. — Foi um erro vir aqui. Melhoras.

Virou-se e saiu do quarto sem olhar para trás.

A mansão de Alberto parecia ainda mais fria naquela noite. O silêncio do lugar tinha algo de calculado, como se até as paredes soubessem guardar segredos.

Bárbara entrou sem pedir licença. Os passos rápidos cortaram o salão principal até encontrá-lo junto ao bar, servindo uma dose de uísque com a tranquilidade de quem nunca teme visitas indesejadas.

Ele não se virou de imediato.

— Eu estava me perguntando quanto tempo você demoraria para aparecer. — comentou, girando o líquido no copo. — Demorou mais do que imaginei.

Bárbara parou a poucos metros dele, o peito subindo e descendo rápido.

— Foi você. — disparou, os olhos queimando. — Você mandou espancar o Victor.

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