Olívia chegou ao pequeno portão lateral de manutenção, quase escondido entre arbustos e muro de pedra.
As mãos tremiam tanto que mal conseguiu girar a trava. Na segunda tentativa, abriu. Olhou uma última vez para a mansão. Para a casa onde havia amado. Sofrido. Criado sonhos. Depois saiu. Fechou o portão sem ruído.
Do lado de fora, a rua estava vazia. Ela ajeitou a mochila nos ombros e começou a andar. Um quarteirão. Depois outro.
As pernas tremiam. O braço ardia pelo peso de Meredith. O medo fazia cada farol distante parecer ameaça.
Ao virar na esquina seguinte, encostou-se num poste por um segundo e puxou o celular do bolso.
Chamou um carro por aplicativo. O tempo estimado era de três minutos. Olívia olhou em volta da rua deserta e abraçou o bebê conforto com força.
— Aguenta comigo, princesinha… — sussurrou, beijando a testa da filha. — A mamãe vai tirar a gente desse inferno.
O carro avançava pela noite úmida enquanto as luzes da cidade iam ficando para trás.
Olívia estava no banco traseiro, curvada sobre o próprio medo, uma das mãos apoiada no bebê-conforto onde Meredith dormia profundamente, alheia ao caos que a cercava.
A manta cobria a menina até o peito. Só o rostinho pequeno aparecia, sereno demais.
Olívia passou os dedos trêmulos pela bochecha da filha.
— Me perdoa por isso, minha vida… — sussurrou, com a voz embargada. — Mamãe só está tentando te salvar.
O motorista lançou um olhar rápido pelo retrovisor.
Era um homem na casa dos cinquenta anos, rosto cansado, jeito silencioso.
— Senhora… está tudo bem?
Olívia limpou o rosto depressa e assentiu.
— Só continua dirigindo, por favor.
Ele concordou com a cabeça e voltou os olhos para a estrada.
As vias largas de New York já tinham ficado para trás. Agora cruzavam trechos mais escuros, entrando em New Jersey.
Olívia olhou pela janela. Árvores altas. Curvas. Pouca iluminação. O vazio daquela estrada parecia acompanhar o vazio dentro dela.
Levou a mão até o peito, sentindo a ausência do colar que deixara para trás. Os olhos se encheram de lágrimas outra vez.
— Mozão… — murmurou, fechando os olhos por um segundo e apertando os dedos contra o peito. — Me perdoa por desistir de nós… me perdoa.
A voz falhou. Uma lágrima escorreu silenciosa.
— Me perdoa também por tirar de você o direito de receber a herança… e o cargo pelo qual você deu a vida inteira. — sussurrou, olhando para o vazio pela janela. — Eu sei o quanto você lutou por tudo isso.
Respirou fundo, quebrada por dentro.
— Eu realmente acreditei… que estava te salvando. Que ele ia cumprir o que falou.
A lembrança de Liam a beijando, segurando Meredith no colo, rindo no chuveiro com a filha nos primeiros dias de vida… veio como um golpe. A dor apertou o peito.
— Eu te amo tanto… — sussurrou para o vidro escuro. — Mas eu preciso sumir pelo bem da nossa filha.
Meredith se mexeu no bebê-conforto e soltou um resmungo baixo. Olívia imediatamente se inclinou.
— Shhh… mamãe está aqui, meu amor.
Beijou a mãozinha da filha. Ela virou-se para trás
— Moço… — a voz saiu baixa, falhando. — É impressão minha, ou o carro de trás está seguindo a gente?
O motorista lançou um olhar rápido pelo retrovisor.
— Percebi faz alguns minutos. Não quis falar pra senhora não ficar mais nervosa do que já está.
O carro seguia atrás deles. Faróis altos. Distância curta demais. Ele ajustou as mãos no volante.
Ela se virou novamente. Dois faróis brancos vinham colados atrás.
Constantes.
Acelerando.
— Não… não… — a respiração falhou. — Não pode ser. Eles vieram atrás da minha filha… acelera, por favor!
O motorista apertou o volante.
— Vou sair da rota principal.
Virou bruscamente numa estrada menor cercada por mata dos dois lados.
O carro sacudiu.
Meredith começou a chorar.
— Calma, filha… calma… — Olívia chorava junto. — Mamãe está aqui… mamãe está aqui… Meu Deus… por favor, salva minha filha. Ela não tem culpa de nada.
O carro de trás entrou na mesma estrada. Faróis violentos cortando a escuridão.
— Segura firme! — gritou o motorista. — Vão bater de novo!
O motorista xingou baixo.
— Merda!
Do outro lado da linha, houve silêncio por um instante. Depois uma risada feminina, baixa e perturbadora.
Érica caminhava lentamente por uma sala luxuosa, taça de vinho na mão, os olhos brilhando de satisfação sombria.
— Excelente. — murmurou. — Finalmente alguém fez o trabalho direito.
Parou diante da janela, contemplando a própria imagem refletida no vidro.
— Alberto fraquejou no final. Ficou com pena daquela bebê… talvez por lembrar a avó.
Sorriu, cruel.
— Eu não tenho esse defeito.
Girou o vinho na taça.
— Onde ele hesitou… eu concluí.
O homem do carro permaneceu em silêncio.
Érica levou a taça aos lábios.
— Sumam daí. E deixem o fogo contar o resto da história.
Desligou sem esperar resposta.
Ficou parada por alguns segundos, saboreando o momento.
Depois sorriu para o vazio.
— Durmam em paz, queridas.
Três dias depois, os portões da prisão se abriram com um ruído metálico pesado. O ar frio da manhã bateu no rosto de Liam como algo quase esquecido.
Ele parou por um segundo do lado de fora, os ombros rígidos, os olhos estreitos diante da claridade. A barba crescida endurecia ainda mais a expressão naturalmente severa
Ao lado dele, Alex fechava a pasta de documentos enquanto observava discretamente o amigo recuperar o primeiro fôlego de homem livre.
— Eu combinei tudo com o segurança. — disse Alex, já caminhando ao lado dele. — Pra ele se entregar, a gente precisou fechar um acordo.
Liam manteve os olhos à frente. Alex continuou, a voz baixa e objetiva.
— Ele assumiu a culpa sozinho. Disse que plantou a arma no seu escritório e que recebeu dinheiro pra isso. Não quis envolver mais ninguém.
Passou a mão na nuca, cansado.
— O maior medo dele era a esposa grávida acabar presa junto… e o filho nascer no meio desse inferno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....