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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 458

Alex levou a mão livre ao coração, teatralmente ofendido.

— Amor… eu continuo sendo um pai extremamente coerente. — respondeu, acariciando as costas de Thales. — Diz pra mim: tem como deixar essas preciosidades no carrinho? Tem como não mimar essas lindezas?

Ísis ergueu levemente o olhar, segurando o riso.

— Ah, é?

— Claro. Preta… eu estou sendo um pai extremamente participativo — respondeu com pose séria. — Estou servindo de colchão humano pro meu filho há quarenta minutos.

Ísis riu e balançou a cabeça.

Alex ficou alguns segundos em silêncio. Depois a observou com mais calma. O rosto dela cansado, a bebê mamando tranquila, a bagunça bonita daquela nova vida.

Quando falou de novo, a voz saiu mais suave.

— Eu gosto de olhar pra você assim. — disse, sem desviar os olhos.

Ísis ergueu o rosto.

— Com olheiras e vazando leite? — perguntou, contendo um sorriso.

Ele mordeu o canto da boca, encantado.

— Linda. — respondeu baixo.

Os olhos dele desceram até Zaya e voltaram para ela.

— Minha mulher… alimentando nossa filha… em nossa casa.

Levou a mão ao peito dramaticamente.

— Isso mexe comigo num nível espiritual.

Ísis não aguentou e riu.

— Você é impossível. — murmurou, balançando a cabeça.

Alex inclinou a cabeça de lado.

— E completamente apaixonado. — disse com a maior naturalidade.

O silêncio que veio depois foi confortável. Então ele pigarreou de leve, casual demais para ser inocente.

— Falando nisso… — soltou, olhando para o teto.

Ísis estreitou os olhos no mesmo instante.

— Alex…

— O quê? — perguntou, fingindo inocência.

— Esse “falando nisso” nunca vem coisa boa.

Ele sorriu devagar.

— Estava pensando… — começou, acariciando distraidamente as costas de Thales. — Talvez a gente pudesse reconsiderar aquela história de parar nesses dois.

Ísis o encarou em choque.

— Você enlouqueceu. — disparou, depois olhou ao redor da sala, para fraldas, mamadeiras e panos espalhados. — Amor… e se vierem gêmeos de novo?

A voz saiu entre divertida e apavorada.

— Eu não vou dar conta.

Alex deu de ombros com uma tranquilidade irritante.

— Eu contrato mais duas babás.

Ísis soltou uma risada incrédula.

— Não tem nem um mês que nasceram os gêmeos… e você já está pensando em mais filhos? — rebateu, olhando para ele como se estivesse diante de um caso perdido. — Vai contratar seios também ou essa parte do projeto ficou pra eu descobrir depois?

Ajustou Zaya no colo e apontou para ele com a cabeça.

— Eu estou muito feliz com os dois.

Alex fez carinho no pezinho de Thales.

— Eu também.

Olhou para ela com aquele charme sem-vergonha de sempre.

— Só estou pedindo pra você pensar com carinho… antes de eu fazer a vasectomia.

Ísis abriu a boca para responder, mas o celular dele vibrou sobre a mesa lateral.

Alex virou o rosto, viu o número na tela e a expressão mudou imediatamente. Saiu o marido brincalhão. Entrou o advogado.

Sentou-se devagar, com extremo cuidado para não acordar Thales. Segurou o bebê junto ao peito enquanto atendia em voz baixa.

— Fala. — disse, já sério.

Do outro lado, a voz do investigador veio rápida. Alex endireitou a postura.

— Encontraram?

Ísis ficou imóvel, observando. Alex ouviu por alguns segundos.

— Onde eles estão?

Nova pausa.

— Nova Scotia? Canadá?

Os olhos dele estreitaram.

— Os dois juntos?

Mais silêncio.

— Ela está grávida?

O olhar dele endureceu.

— De quatro meses…

Passou a mão no maxilar.

— Certo. O que estão fazendo lá?

Ouviu a resposta e assentiu.

As lágrimas vieram sem pedir licença. Ela levou o colar aos lábios e o beijou demoradamente.

— Mozão… — sussurrou, a voz quebrada. — Espero que um dia… você me perdoe.

A mão tremia tanto que ela precisou segurá-la com a outra.

— Eu estou apenas salvando a nossa filha.

Olhou para Meredith dormindo. O peito apertou ainda mais.

— Eu não queria deixar isso aqui… — murmurou, fitando o colar. — Mas eu sei que através dele… você vai me encontrar.

Respirou fundo, tentando não desmoronar.

— Me perdoa por quebrar a promessa. Me perdoa por desistir do nosso amor.

As lágrimas caíam livres agora.

— Eu te amo, Mozão… mais do que a minha própria vida.

Encostou a joia no coração por um instante.

— Mas nesse momento… eu preciso salvar nossa filha.

Engoliu o choro.

— Preciso sumir dessa loucura.

Com movimentos lentos, colocou o colar sobre o travesseiro dele. Ficou olhando por um segundo longo demais. Depois se obrigou a agir.

Enxugou o rosto. Prendeu os cabelos. Vestiu um boné escuro. Colocou uma pequena mochila nas costas. Pegou Meredith no bebê conforto com extremo cuidado para não acordá-la.

A bebê soltou apenas um suspiro e continuou dormindo.

— Vamos, meu amor… — sussurrou. — Só a mamãe e você agora. Eu prometo que seremos felizes.

Abriu a porta do quarto devagar. O corredor estava vazio.

Olívia saiu na ponta dos pés, carregando o bebê conforto com as duas mãos. Cada passo parecia ecoar mais do que devia.

Parou ao ouvir um estalo vindo de algum lugar da casa. Prendeu a respiração.

Silêncio novamente.

Continuou.

Passou pelo corredor principal. Desceu a escada devagar, segurando no corrimão para equilibrar o peso. O braço já doía, mas ela não ousava fazer barulho.

No andar de baixo, seguiu até a cozinha. As luzes estavam apagadas. Da área externa, ouviu vozes distantes dos seguranças na troca de turno.

Era agora.

Olívia ficou imóvel por alguns segundos, esperando o momento em que os passos se afastaram e novas vozes surgiram na parte frontal da propriedade.

Então atravessou a cozinha e abriu a porta dos fundos lentamente. O ar frio da madrugada bateu no rosto dela.

Atravessou o quintal em passos rápidos, porém cuidadosos. O bebê conforto balançou levemente em suas mãos.

— Calma, filha… só mais um pouco… — murmurou.

Ao longe, ouviu o portão principal se abrindo para a entrada de um carro da segurança. Era a distração perfeita.

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