A sala reservada da funerária era silenciosa demais. As paredes claras, a luz baixa, o perfume discreto de flores brancas e madeira polida davam ao ambiente uma paz artificial. Uma paz que ofendia a violência do que havia acontecido.
Sobre a mesa central, lado a lado, repousavam duas urnas.
Uma maior.
Uma pequena.
Liam entrou sozinho. A porta se fechou atrás dele com um clique baixo. Nenhum segurança. Nenhum advogado. Nenhum amigo. Nenhuma testemunha. Só ele… e tudo o que restava da própria vida.
Ficou parado a alguns passos, o corpo rígido, as mãos nos bolsos do casaco escuro, o maxilar travado como se ainda tentasse sustentar a última muralha que lhe sobrava.
Os olhos percorreram primeiro a urna maior. Depois a pequena. O ar faltou. Deu mais um passo. Depois outro.
As pernas, acostumadas a enfrentar salas de conselho, tribunais, crises financeiras e homens perigosos… vacilaram diante de duas caixas imóveis.
Parou diante delas. Ergueu a mão lentamente. Os dedos tocaram a madeira da urna maior com extremo cuidado, como se ainda pudesse machucá-la. A respiração falhou.
— Mozão… — sussurrou.
A palavra saiu quebrada. Irreconhecível nele. Os olhos se fecharam por um segundo longo demais. Quando abriram, estavam cheios.
— O que vai ser de mim sem você?
A voz saiu rouca, baixa. Ele acariciou a tampa da urna com a ponta dos dedos.
— O que vai ser de mim… sem a minha mulher… sem a minha casa… sem a minha paz?
A mão tremeu. Desceu então até a urna pequena. Encostou os dedos nela. O corpo inteiro pareceu ceder.
— Minha princesinha…
A garganta contraiu.
— Meu Deus…
Levantou o rosto para o teto por reflexo, tentando impedir o inevitável. Não conseguiu. As lágrimas romperam de uma vez.
Silenciosas.
Quentes.
Cruéis.
Liam recuou meio passo, levou a mão ao rosto… e desabou de joelhos diante das urnas. O som seco no chão ecoou pela sala.
Os ombros, sempre retos, curvaram-se. A cabeça baixou. As mãos agarraram a borda da mesa como se aquilo o impedisse de cair para sempre.
O choro veio bruto. Contido por segundos demais. Violento demais para caber dentro de um homem como ele.
— Eu estou morrendo aqui com vocês… — soluçou entre dentes cerrados.
Respirou com dificuldade.
— Eu estou morrendo junto.
As lágrimas pingavam no piso claro.
— Você era minha. — disse olhando para a urna maior. — E eu era seu.
Fechou os olhos com força.
— Sempre fui. Hoje eu sei que nasci para ser seu, meu amor.
A voz tremeu inteira.
— Não existe vida sem você.
Passou a mão no rosto, desesperado.
— Você foi a única mulher que eu amei na vida.
Outra lágrima caiu.
— A única.
O peito subiu pesado.
— Eu trouxe você pro meu mundo maldito.
Baixou a cabeça.
— Eu forcei nosso casamento no começo. E… agora, eu me odeio por isso.
Riu sem humor, destruído.
— Eu devia ter assumido a Meredith… deixado você seguir a vida… livre de mim.
A mão bateu no próprio peito.
— Você estaria viva.
Outra vez.
Mais forte.
— A culpa é minha.
Respirou em soluços.
— Minha.
Os olhos incendiaram de dor.
— Tudo por causa daquela fortuna maldita… daquele sobrenome amaldiçoado… daquela guerra podre.
A mão voltou à urna dela.
— Você pagou o preço de ter me amado.
Encostou a testa na madeira.
— Me perdoa. Por favor… eu imploro pelo seu perdão, Mozão.
O choro recomeçou mais forte.
— Eu não tive nem a chance de te dar o último beijo.
A voz saiu arrastada.
— O último abraço.
Os dedos apertaram a lateral da urna.
— O último momento seu se perdendo em mim… e eu me perdendo em você.
Fechou os olhos. As lembranças vieram rasgando.
Os beijos.
As discussões.
O riso dela.
A voz chamando “Mozão”.
O jeito atrevido de encará-lo.
Os momentos quentes.
— A gente tinha tantos planos… tantos…
Engoliu seco.
— Eu ia sair de lá… pegar vocês… sumir do mundo por uns dias.
Um riso quebrado escapou.
— Viajar… lua de mel com a nossa filha…
A cabeça balançou devagar.
— E de repente acabou.
Silêncio.
Apenas o som do choro tentando ser contido.
— Me perdoa… — murmurou. — Porque por um momento eu achei que você estava se interessando por outro homem.
A vergonha atravessou o rosto dele.
— Enquanto você estava sofrendo… se destruindo… fazendo tudo pra me libertar.
Respirou tremido.
— Como você sofreu, meu amor… Eu sou um monstro…
As lágrimas caíram sem freio.
— Seu pai me contou.
A mão apertou a urna com carinho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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