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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 462

A sala reservada da funerária era silenciosa demais. As paredes claras, a luz baixa, o perfume discreto de flores brancas e madeira polida davam ao ambiente uma paz artificial. Uma paz que ofendia a violência do que havia acontecido.

Sobre a mesa central, lado a lado, repousavam duas urnas.

Uma maior.

Uma pequena.

Liam entrou sozinho. A porta se fechou atrás dele com um clique baixo. Nenhum segurança. Nenhum advogado. Nenhum amigo. Nenhuma testemunha. Só ele… e tudo o que restava da própria vida.

Ficou parado a alguns passos, o corpo rígido, as mãos nos bolsos do casaco escuro, o maxilar travado como se ainda tentasse sustentar a última muralha que lhe sobrava.

Os olhos percorreram primeiro a urna maior. Depois a pequena. O ar faltou. Deu mais um passo. Depois outro.

As pernas, acostumadas a enfrentar salas de conselho, tribunais, crises financeiras e homens perigosos… vacilaram diante de duas caixas imóveis.

Parou diante delas. Ergueu a mão lentamente. Os dedos tocaram a madeira da urna maior com extremo cuidado, como se ainda pudesse machucá-la. A respiração falhou.

— Mozão… — sussurrou.

A palavra saiu quebrada. Irreconhecível nele. Os olhos se fecharam por um segundo longo demais. Quando abriram, estavam cheios.

— O que vai ser de mim sem você?

A voz saiu rouca, baixa. Ele acariciou a tampa da urna com a ponta dos dedos.

— O que vai ser de mim… sem a minha mulher… sem a minha casa… sem a minha paz?

A mão tremeu. Desceu então até a urna pequena. Encostou os dedos nela. O corpo inteiro pareceu ceder.

— Minha princesinha…

A garganta contraiu.

— Meu Deus…

Levantou o rosto para o teto por reflexo, tentando impedir o inevitável. Não conseguiu. As lágrimas romperam de uma vez.

Silenciosas.

Quentes.

Cruéis.

Liam recuou meio passo, levou a mão ao rosto… e desabou de joelhos diante das urnas. O som seco no chão ecoou pela sala.

Os ombros, sempre retos, curvaram-se. A cabeça baixou. As mãos agarraram a borda da mesa como se aquilo o impedisse de cair para sempre.

O choro veio bruto. Contido por segundos demais. Violento demais para caber dentro de um homem como ele.

— Eu estou morrendo aqui com vocês… — soluçou entre dentes cerrados.

Respirou com dificuldade.

— Eu estou morrendo junto.

As lágrimas pingavam no piso claro.

— Você era minha. — disse olhando para a urna maior. — E eu era seu.

Fechou os olhos com força.

— Sempre fui. Hoje eu sei que nasci para ser seu, meu amor.

A voz tremeu inteira.

— Não existe vida sem você.

Passou a mão no rosto, desesperado.

— Você foi a única mulher que eu amei na vida.

Outra lágrima caiu.

— A única.

O peito subiu pesado.

— Eu trouxe você pro meu mundo maldito.

Baixou a cabeça.

— Eu forcei nosso casamento no começo. E… agora, eu me odeio por isso.

Riu sem humor, destruído.

— Eu devia ter assumido a Meredith… deixado você seguir a vida… livre de mim.

A mão bateu no próprio peito.

— Você estaria viva.

Outra vez.

Mais forte.

— A culpa é minha.

Respirou em soluços.

— Minha.

Os olhos incendiaram de dor.

— Tudo por causa daquela fortuna maldita… daquele sobrenome amaldiçoado… daquela guerra podre.

A mão voltou à urna dela.

— Você pagou o preço de ter me amado.

Encostou a testa na madeira.

— Me perdoa. Por favor… eu imploro pelo seu perdão, Mozão.

O choro recomeçou mais forte.

— Eu não tive nem a chance de te dar o último beijo.

A voz saiu arrastada.

— O último abraço.

Os dedos apertaram a lateral da urna.

— O último momento seu se perdendo em mim… e eu me perdendo em você.

Fechou os olhos. As lembranças vieram rasgando.

Os beijos.

As discussões.

O riso dela.

A voz chamando “Mozão”.

O jeito atrevido de encará-lo.

Os momentos quentes.

— A gente tinha tantos planos… tantos…

Engoliu seco.

— Eu ia sair de lá… pegar vocês… sumir do mundo por uns dias.

Um riso quebrado escapou.

— Viajar… lua de mel com a nossa filha…

A cabeça balançou devagar.

— E de repente acabou.

Silêncio.

Apenas o som do choro tentando ser contido.

— Me perdoa… — murmurou. — Porque por um momento eu achei que você estava se interessando por outro homem.

A vergonha atravessou o rosto dele.

— Enquanto você estava sofrendo… se destruindo… fazendo tudo pra me libertar.

Respirou tremido.

— Como você sofreu, meu amor… Eu sou um monstro…

As lágrimas caíram sem freio.

— Seu pai me contou.

A mão apertou a urna com carinho.

Silêncio.

Depois algo mudou. A dor deu lugar a uma frieza nova.

Mais funda.

Mais perigosa.

Liam se levantou devagar. Os olhos ainda molhados. Mas agora duros. Implacáveis outra vez. Pousou uma mão em cada urna.

— Eu juro pela minha vida…

A voz saiu baixa.

Letal.

— Que vou fazer justiça por vocês.

O maxilar marcou.

— Eu vou acabar com todos.

Pausa.

— Um por um.

Os olhos escureceram.

— Todo mundo que tocou no que era meu.

Respirou fundo. Depois a voz suavizou de novo.

— E eu te dou minha palavra…

Olhou para a urna de Olívia.

— Nunca mais encosto em mulher alguma.

A mão acariciou a madeira.

— Assim como você prometeu que era só minha…

Fechou os olhos.

— Eu também sou só seu.

Tocou então a urna pequena.

— E sou só seu também, filha.

As lágrimas desceram em silêncio.

— Obrigado por tudo que vocês fizeram por mim.

Olhou para ambas.

— Você me trouxe de volta à vida, Mozão.

Respirou fundo.

— Vocês me ensinaram a amar sem medo.

O silêncio da sala pareceu abraçá-lo. Liam se inclinou e beijou primeiro a urna de Olívia. Depois a de Meredith.

Demorado.

Reverente.

Quando ergueu o rosto, havia paz e guerra misturadas ali.

— Um dia… ainda vamos nos encontrar de novo.

A voz saiu quase serena.

— Porque nós somos encontro de almas, Olívia.Endireitou os ombros. Secou o rosto com a palma da mão e respirou fundo uma última vez.

Depois se aproximou da mesa. Com extremo cuidado, pegou primeiro a pequena urna de Meredith, protegendo-a junto ao peito. Em seguida, tomou nos braços a outra, firmando contra o corpo tudo o que restava de Olívia.

Por um segundo, fechou os olhos. Como se finalmente estivesse levando a família para casa. Quando tornou a abri-los, não havia mais hesitação. Endireitou os ombros. E saiu da sala carregando três coisas:

o amor que nunca morreria…

as duas urnas da mulher e da filha…

e a vingança que acabava de nascer.

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