No dia em que Olívia fugiria levando a filha, a cidade seguia viva sem imaginar que algumas histórias já estavam desabando por dentro.
Naquela tarde, Laura entrou no hospital de seu pai com passos lentos e firmes. Uma das mãos apoiava o ventre enorme; a outra segurava a bolsa com força demais. O salto ecoava pelo corredor elegante, denunciando uma irritação que ela ainda não sabia como descarregar.
Quando chegou à sala de Edgar, empurrou a porta sem bater.
E parou.
Uma secretária jovem estava inclinada ao lado da mesa dele, mostrando alguns documentos abertos sobre a mesa. Próxima demais. Familiar demais.
Próxima o suficiente para Laura notar.
O olhar dela se estreitou no mesmo instante.
Edgar ergueu o rosto ao ouvir a porta. O semblante mudou imediatamente.
— Loirinha… — levantou-se na hora, o sorriso surgindo espontâneo enquanto contornava a mesa. — Que surpresa boa. — a voz saiu quente, sincera.
Laura entrou devagar, lançando primeiro um olhar para a mulher… depois para ele.
— Interrompi alguma coisa importante? — perguntou, pousando a bolsa no sofá com delicadeza excessiva. — Funcionária nova?
A secretária se endireitou de imediato.
Edgar entendeu o clima no mesmo segundo.
— Não. — respondeu calmo, aproximando-se da esposa. — Ela está cobrindo minha secretária titular, que entrou de férias há cinco dias.
Laura ergueu levemente o queixo.
— Ah… temporária.
O jeito como disse a palavra alterou a temperatura da sala.
Edgar quase sorriu.
Parou diante dela, baixou os olhos para a barriga e a expressão amoleceu inteira.
— Oi, filhão… — murmurou, pousando a mão aberta sobre o ventre dela. — Como foi seu dia? Deu muito trabalho pra sua mãe? Ela está irritadinha, sabia?
Beijou demoradamente a barriga.
Depois subiu e tomou os lábios dela num beijo breve, terno, tranquilo.
— E eu amei essa surpresa. — disse, roçando o nariz no dela antes de se afastar.
Quando ergueu o rosto, manteve os olhos presos aos dela por tempo demais.
Lendo tudo o que ela não dizia.
Virou-se para a secretária.
— Já está na hora do seu intervalo. — disse, enquanto indicava a pasta sobre a mesa com um leve movimento de cabeça. — Deixe os documentos aí. Depois reviso isso com calma.
— Claro, doutor. — respondeu a mulher, recolhendo apenas a caneta e o bloco de anotações.
Os papéis permaneceram guardados na pasta sobre a mesa. Ela saiu rápido demais. Laura acompanhou a saída sem disfarçar.
— Acho que vou começar a aparecer mais vezes de surpresa. — comentou, cruzando os braços, num tom leve demais para esconder o ciúme. — Porque, pelo visto, esse seu jaleco junto com a aliança tem superpoderes… atrai mulher igual luz acesa atrai mariposa.
Edgar soltou um riso baixo pelo nariz.
— Você não precisa disso. — aproximou-se mais, tocando a cintura dela. — Eu sou só seu.
Laura inclinou a cabeça de lado.
— Será que ela sabe disso? — perguntou, fitando a porta fechada.
Ele segurou a mão dela e a conduziu até o sofá. Sentou primeiro e a puxou com cuidado para o colo. Laura resmungou por reflexo, mas se acomodou.
Edgar passou o braço pela cintura dela.
— Você está precisando de colo… e de muita atenção. — murmurou, beijando-lhe a têmpora.
Depois encostou a testa na dela.
— Agora me conta. Como foi na clínica?
Laura bufou.
— Horrível. — respondeu, jogando a cabeça para trás. — Não consegui trabalhar direito.
Levou a mão à testa.
— Minha mente não para.
Silêncio.
Ele esperou. Conhecia aquele silêncio que vinha antes da explosão. Laura virou o rosto para ele, indignada.
— Eu não me conformo com a Olívia ter se divorciado do seu irmão. — disparou. — Como ela pode fazer uma coisa dessas?
A voz veio carregada.
— Não estou aguentando ver o sofrimento do Liam. Todo dia eu vou lá… e ele pergunta por ela.
Engoliu seco.
— Todo dia eu preciso me segurar para não falar o que penso.
Os olhos marejaram de raiva.
— E quer saber? Talvez eu tenha razão. Talvez o amor da Olívia pelo Liam nunca tenha existido. Talvez tenha sido tudo mentira. Meu irmão não merece isso. Estou com muita raiva dela.
Edgar fechou os olhos por um segundo.
Depois abriu.
Calmo.
— Sua cunhada ama seu irmão. — disse baixo, alisando o braço dela. — E você não está com raiva dela. O que existe aí é outra coisa.
Laura soltou uma risada sem humor balançando a cabeça devagar.
— Ah, claro. — disse, erguendo uma sobrancelha com ironia amarga. — Vai defender minha ex-cunhada traidora. Só me faltava essa agora… ouvir sermão do meu próprio marido em favor dela.
Ele segurou-lhe o queixo com delicadeza, obrigando-a a olhá-lo.
— Você está com raiva porque está vendo seu irmão sofrer. — falou com serenidade. — Mas no fundo sabe o quanto sua cunhadinha é louca por ele.
Uma pausa curta.
— E eu entendo.
A voz permaneceu tranquila.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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