Vânia levou a mão até a boca chorando. Liam balançou a cabeça lentamente. Completamente destruído.
— Então não…não venha falar dEle, eu não acredito num Deus assim.
O silêncio caiu outra vez. Vânia aproximou-se mais dele. E segurou mais uma vez o rosto dele.
— Eu queria tanto que fosse diferente…queria ter o poder de mudar as coisas.
A voz saiu em pedaços.
— Não queria ver a história do seu pai se repetindo na sua vida.
Liam fechou os olhos imediatamente. Aquelas palavras atravessaram fundo demais. A respiração dele ficou irregular. O peito subia e descia pesado demais, como se o ar não fosse suficiente.
Vânia percebeu o momento exato em que ele começou a perder forças outra vez. Os dedos dele apertaram a borda da mesa até os nós dos dedos embranquecerem.
Então Liam virou o rosto devagar. Como alguém tentando escapar da própria dor.
— Eu… — a voz falhou rouca. Ele engoliu seco antes de continuar. — Eu preciso ficar sozinho.
Vânia imediatamente negou com a cabeça, aflita.
— Meu filho…
Ele deu um passo para trás. Os olhos vermelhos evitavam os dela agora.
— Não estou… pra ninguém. — murmurou baixo, passando a mão pelo rosto molhado. — Eu não consigo.
A voz saiu quebrada no final. Por alguns segundos, ele apenas ficou ali parado, olhando as urnas sobre a mesa como se estivesse deixando partes de si mesmo para trás junto delas.
Então respirou fundo.
Um ar pesado. Doloroso.
— Vou pro quarto. — disse quase num sussurro. — Ou pelo menos tentar entrar lá.
Vânia sentiu o coração apertar violentamente. Porque ela sabia. O quarto. O cheiro de Olívia. As roupas dela. Os objetos da bebê. Aquilo destruiria Liam de uma forma ainda pior.
Ela segurou o braço dele antes que saísse.
— Não fica sozinho por muito tempo… por favor.
Liam fechou os olhos por um instante ao sentir aquele toque maternal. Quando voltou a abri-los… estavam vazios outra vez.
— Foi exatamente assim que tudo começou da outra vez. — murmurou com amargura. — E olha no que eu me tornei.
Vânia sentiu as lágrimas aumentarem. Mas Liam apenas se afastou devagar. Pegou as duas urnas novamente nos braços. Com cuidado. Como se ainda estivesse protegendo as mulheres da vida dele. E saiu do escritório em silêncio.
Liam subiu as escadas devagar. Cada passo parecia mais pesado que o anterior. O corredor do segundo andar estava silencioso demais. Nenhuma risada baixa de Olívia. Nenhum som da televisão ligada enquanto ela amamentava Meredith. Nenhum chorinho de bebê atravessando a madrugada.
Nada. Só vazio.
Quando parou diante da porta do quarto, os dedos demoraram alguns segundos sobre a maçaneta. Como se o próprio corpo soubesse que, depois dali, não existiria mais volta. A respiração ficou presa. Então ele abriu.
O impacto veio imediato. O cheiro dela. Ainda estava ali. Suave. Feminino. Familiar. Misturado ao perfume infantil de Meredith. Aquilo atravessou Liam de uma forma brutal. Os olhos fecharam no mesmo instante.
O peito afundou violentamente.
Por um segundo, foi como se Olívia ainda estivesse no banheiro terminando o banho… ou sentada na cama amamentando a filha enquanto reclamava que ele havia demorado demais na empresa. Mas não havia ninguém. O silêncio do quarto era cruel.
Liam permaneceu alguns segundos parado perto da porta, respirando fundo enquanto o cheiro dela o atingia outra vez. Então, entrou devagar. A porta se fechou atrás dele. Os olhos percorreram tudo sem conseguir parar em lugar nenhum por muito tempo.
A manta de Meredith dobrada sobre a poltrona. Um brinquedinho esquecido perto do berço e em cima da cama. A camisola de Olívia sobre a cama. O carregador do celular dela ainda ligado na tomada.
Detalhes simples. Pequenos. Mas suficientes para destruir qualquer resto de controle que ele ainda tinha. A respiração começou a falhar. O quarto continuava exatamente igual.
Como se Olívia pudesse entrar a qualquer momento. Aquilo tornava tudo pior. Então ele caminhou devagar até a mesa e colocou as urnas ali com extremo cuidado.
Uma ao lado da outra. Os dedos permaneceram sobre elas por alguns segundos. Como se ainda estivesse protegendo as duas. Depois virou o rosto abruptamente e foi direto para o banheiro.
Precisava tirar aquele dia da pele. Abriu o chuveiro sem nem olhar a temperatura. A água gelada caiu forte sobre seu corpo. Liam apoiou as duas mãos na parede do box e abaixou a cabeça.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...