Mais quinze dias haviam se passado. Naquela manhã chuvosa, Edgar caminhava devagar ao lado de Luna pelos corredores do hospital psiquiátrico criminal, segurando a mão pequena da filha com firmeza.
A menina carregava contra o peito uma pasta cor-de-rosa onde havia guardado o desenho que fez para a mãe. Os olhinhos cor de mel observavam tudo em silêncio demais para uma criança da idade dela.
Edgar percebeu imediatamente. Os dedos apertaram com um pouco mais de carinho a mãozinha dela.
— Nervosa, luz da minha vida?
Luna ergueu os olhos pra ele. O lábio inferior estava preso entre os dentes numa tentativa clara de controlar a ansiedade.
— Um pouquinho… — a voz saiu baixinha.
Edgar sorriu daquele jeito calmo que sempre fazia a menina se sentir protegida. Então diminuiu o passo e se abaixou na altura dela.
— Você não precisa ter medo, tá? — os dedos afastaram delicadamente uma mechinha dos cachinhos dela. — A mamãe está doente. Só isso.
Luna assentiu devagar. Os olhos já marejados.
— Eu só queria que ela melhorasse logo…
Aquilo apertou violentamente o peito dele. Mas Edgar não deixou transparecer. Apenas beijou demoradamente a testa da filha antes de levantar outra vez.
Minutos depois…
Marcela apareceu do outro lado do vidro da sala de visitas. Os cabelos estavam mais curtos. O olhar perdido. Mas no instante em que viu Luna… Os olhos se iluminaram imediatamente. Ela aproximou-se rápido do vidro.
— Minha princesa… — a voz saiu embargada pela emoção.
Luna abriu um sorriso imediato daquele jeito doce que desmontava qualquer pessoa. Então correu até o vidro e colocou a mãozinha aberta contra ele.
— Mamãe…
Marcela imediatamente encostou a própria mão do outro lado. Os dedos tremiam discretamente. Os olhos começaram a marejar.
Edgar permaneceu alguns passos atrás observando tudo em silêncio. Atento. Sempre atento.
— Eu estava com muita saudade da senhora… — Luna confessou baixinho enquanto apertava o desenho contra o peito. — Estou orando todo dia pro Papai do Céu ajudar a senhora ficar boa logo.
Marcela começou a chorar imediatamente. A mão subiu até a boca numa tentativa inútil de controlar a emoção.
— Eu também senti muita saudade de você…
Luna abriu rapidamente a pastinha rosa.
— Eu trouxe um desenho!
Os olhos dela brilhavam orgulhosos enquanto mostrava o papel contra o vidro. Marcela arregalou minimamente os olhos ao ver o desenho.
As duas brincando num parque. De mãos dadas. Sorrindo. O peito dela subiu forte. Os lábios começaram a tremer.
— Foi eu que desenhei nós duas brincando juntas… — Luna explicou toda empolgada. — Porque quando a senhora melhorar nós vamos brincar assim de novo.
Marcela levou a mão até os próprios olhos chorando baixinho. Edgar desviou o rosto por um segundo tentando recuperar a própria postura.
— Está lindo, meu amor…
Luna abriu um sorriso orgulhoso imediatamente.
— Eu estou me comportando direitinho, tá? E também estou muito feliz porque agora tenho dois irmãozinhos!
Marcela franziu levemente a testa.
Confusa.
— Irmãozinhos…?
Luna assentiu rapidamente.
— A mamãe Laura teve gêmeos! O Isaac e o Oliver!
Marcela ficou em silêncio por alguns segundos. O olhar perdeu minimamente o foco. Depois voltou pra menina.
— Gêmeos…?
Luna assentiu toda sorridente.
— E eu ajudo a cuidar deles! — falou orgulhosa. — Só não troco fralda de cocô porque é muito fedido.
Marcela acabou soltando uma risada fraca entre as lágrimas. Edgar abaixou minimamente a cabeça segurando o próprio sorriso. Luna aproximou ainda mais o rostinho do vidro.
— A mamãe Laura cuida muito bem de mim… ela é uma mamãe pra mim também.
Aquilo atravessou Marcela de um jeito estranho. Doloroso. Mas ao mesmo tempo reconfortante.
Os olhos dela desviaram lentamente até Edgar. E permaneceram ali por alguns segundos longos demais.
Cheios de saudade.
Cheios de vazio.
— Você está cuidando dela…
Edgar sustentou o olhar dela calmamente.
— Sempre vou cuidar.
Marcela engoliu seco. Então voltou rapidamente para Luna como se tentasse fugir da própria dor.
— Você está feliz?
Luna assentiu imediatamente.
— Muito. — Luna abriu um sorrisinho meigo antes de completar baixinho: — Mas ainda estou esperando a senhora voltar também.
Aquilo desmontou Marcela por dentro. Os lábios começaram a tremer outra vez.
Nesse instante, a enfermeira surgiu discretamente avisando que o horário estava terminando. Luna imediatamente ficou tristinha.
— Já…? — perguntou virando o rostinho pro pai.
Edgar aproximou-se devagar e pousou as mãos nos ombros pequenos da filha.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...