ARES BECKETT
SEIS MESES DEPOIS
A paz finalmente reinava na minha casa.
Seis meses haviam se passado desde aquele desastre no jantar beneficente, e Rubi parecia ter finalmente entendido o recado.
Eu chegava em casa e não havia ninguém na sala. Não havia tentativas patéticas de conversa, nem sorrisos tímidos. Às vezes, o silêncio era tão profundo que eu chegava a duvidar se ela ainda morava ali.
Mas os extratos bancários confirmavam que sim. Os gastos eram altos, mas se era o preço para que ela ficasse longe da minha vista, era um preço barato a se pagar.
Mas hoje minha irritação com a existência de Rubi voltou. Minha secretária havia deixado um envelope sobre minha mesa.
Baile de Máscaras Anual da Indústria Beckett & Associados.
Era o evento mais importante do ano. E, como anfitrião, a presença da minha esposa era obrigatória. Eu teria que arrastar Rubi para fora da toca. Teria que desfilar com ela, aguentar os olhares de pena dos meus sócios e os risinhos das mulheres.
Ao chegar em casa, peguei uma caneta e o convite. Escrevi um bilhete rápido no verso, sem me dar ao trabalho de ser gentil.
"Esteja pronta amanhã às 20h. Use uma máscara que cubra bem o rosto. Tente não me envergonhar."
Entreguei para Mary.
— Leve isso para o quarto dela. E avise que não aceito atrasos.
(...)
RUBI MONTENEGRO
Li o bilhete de Ares. "Tente não me envergonhar".
Dei uma risadinha e amassei o papel, jogando-o no lixo. Ah, Ares... você não faz ideia.
Os últimos seis meses não foram vida. Foram a morte. Achei que era boa o bastante para ir para o céu, mas posso afirmar que estive no inferno.
Lembrei-me das primeiras semanas. A dor nos músculos era tão intensa que eu mal conseguia descer as escadas. Chorei na esteira às três da manhã, com o suor misturado às lágrimas, enquanto minhas pernas tremiam e eu queria desistir.
Mas então eu me lembrava do olhar de nojo dele. Lembrava da risada de Diana. E então corria mais um quilômetro. A raiva foi meu combustível.
Contratei nutricionistas que mudaram minha relação com a comida, personal trainers que não tinham pena de mim, consultores de postura que me ensinaram a andar como uma rainha, não como uma vítima. Cada centavo saiu do bolso de Ares. Ele financiou meu renascimento e nem percebeu.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!