Entrar Via

Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 35

POV ZAYDEN

Eu tinha dormido duas horas. No máximo.

E mal.

Passei a noite inteira revisando relatórios, mensagens, contratos do hospital que agora eu fazia parte, porque, sim, eu enfiei meu dinheiro ali em nome de “investimento”, mas no fundo todo mundo sabia o que eu realmente queria: aproximidade.

Com ela.

O sol começou a bater pelas janelas panorâmicas da sala de reunião e eu respirei fundo. Meu relógio marcava 7h42. Reunião só às 10h. Dava tempo de ir até o quarto de Camille e ver como ela tinha passado a madrugada.

Era o mínimo. Ou era o máximo que eu tinha força pra fazer naquele estado.

Peguei minha pasta, vesti o blazer por cima da camisa branca ainda amassada, passei a mão no cabelo, estava uma bagunça, e eu não tinha energia pra resolver e deixei a sala.

O corredor estava silencioso. O hospital de manhã cedo tinha um cheiro diferente. Cheiro de café recém-feito e desespero de plantonista.

Caminhei até o elevador, apertei o botão do quarto andar e tentei não pensar no que aconteceu ontem.

Não pensar no beijo. No tapa. No olhar dela. Na dor. No desejo. Na ruína. Eu falhei miseravelmente.

A porta abriu e eu segui até o quarto da Camille.

Bati antes de entrar, não que eu estivesse esperando uma resposta, mas era protocolo. Entrei silenciosamente.

Ela estava acordada. Com um sorriso falso de fragilidade estampado no rosto.

— Bom dia — falei, com a voz mais profissional que consegui imitar.

Camille virou o rosto devagar, com aquele ar de “delicada”, típico dela quando queria manipular.

— Zay… — ela murmurou, a voz mansa demais. — Achei que você não ia vir.

— Como você passou a noite?

Ela suspirou, como se carregasse a dor do mundo.

— Melhor… até ela aparecer.

Eu parei.

— Ela?

— A Lianna. — respondeu com um suspiro dramático, virando o rosto para parecer mais fraca. — Ela veio aqui de madrugada… e me atacou.

Eu congelei.

— Atacou? — minha voz baixou, pesada.

— Sim… — Camille levou a mão à testa, teatral. — Ela disse coisas horríveis. Disse que eu sou nada, que você só está comigo por pena, que eu sou… uma doença na sua vida. Ela me humilhou. E… — seus olhos começaram a se encher — …ela me ameaçou, Zayden.

Eu senti meu sangue ferver.

— Lianna te ameaçou?

— Você sabe como ela fica quando está com ciúmes — Camille sussurrou, como se estivesse temendo por mim. — Ela disse que ainda tem poder sobre você. Que você sempre vai ser dela. Que eu nunca vou ser o suficiente.

Eu dei um passo pra trás, sentindo o estômago rodar. Aquele não era o comportamento dela.

Lianna não era disso. Nunca foi. Mas a imagem da discussão de ontem, o tapa… o jeito dela tremer… o jeito que ela me olhou…

Tudo parecia possível.

— Ela não devia nem estar no hospital — Camille completou, amarga. — Você precisa fazer algo. Ela não está bem. E está me colocando em risco. Eu ainda estou fraca, Zay… eu ainda estou vulnerável…

Viviane deu um sorriso que eu odiei no mesmo instante.

— Dormindo. — repetiu, e seu tom ganhava mais veneno a cada sílaba. — Com o namoradinho dela.

Eu senti o chão sumir um pouco sob meus pés.

— Como é que é? — perguntei, a voz mais grave do que eu esperava.

Viviane deu de ombros.

— Eu mesma vi quando ele entrou. E não saiu. — seu sorriso afiou. — Eles devem estar bem… exaustos.

Meu sangue ferveu. Instantaneamente.

A imagem dela com outro homem bateu na minha cabeça como uma martelada. Eu virei as costas sem falar mais nada.

— Senhor Navarro? — ela chamou, quase numa cantiga. — Vai lá conferir? Deve estar… interessante.

Eu ignorei. Tinha uma tempestade inteira explodindo dentro de mim.

Caminhei rápido até a ala dos dormitórios, o coração batendo tão forte que chegava a doer.

Cada passo parecia empurrar mais raiva pra fora.

Raiva dela. Raiva dele. Raiva de mim mesmo.

Quando cheguei na porta… Eu não bati. Eu entrei. De uma vez.

O quarto estava semi-escuro. A luz fraca do amanhecer entrava pela janela.

E lá estavam. Na mesma cama. A cabeça de Lianna descansando no ombro de Adrian. A mão dele sobre o braço dela. Os dois respirando juntos, como se aquilo fosse rotina. Como se ela pertencesse a ele.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!