POV Zayden
E lá estavam. Na mesma cama. A cabeça de Lianna descansando no ombro de Adrian. A mão dele sobre o braço dela. Os dois respirando juntos, como se aquilo fosse rotina. Como se ela pertencesse a ele.
Algo dentro de mim se partiu.
Tecnicamente, ela não era minha. Ela não queria ser minha. Ela gritava isso na minha cara todos os dias.
Mas ver… Ver com os próprios olhos… Foi outra coisa. Muito pior.
— QUE PORRA É ESSA? — minha voz saiu tão alta que ecoou no quarto.
Lianna acordou imediatamente, assustada. Adrian também.
Ele se levantou num pulo, puxando a coberta pra cima de si e dela, como se tivesse algo a esconder.
— Zayden? — ela murmurou, ainda grogue, piscando confusa. — O que você está—
— O que eu estou fazendo aqui? — eu ri, um riso seco e amargo. — Melhor pergunta: o que DIABOS você está fazendo na cama com ele?
Lianna arregalou os olhos.
— Não é o que parece.
— É exatamente o que parece! — eu avancei um passo. — Você dormiu com ele. Na mesma cama. No meu hospital.
— Seu hospital? — Adrian rebateu, levantando o tom. — Você não manda aqui.
— Eu mando em tudo que envolve ela — joguei de volta, sem pensar.
Lianna me encarou com ódio. Com nojo. Com dor.
— Você não manda em NADA que envolve minha vida — retrucou, fria. — Nada. Entendeu?
Eu ignorei a facada daquela frase.
Gritei:
— VOCÊ ESTAVA NA CAMA DELE.
— E você estava no meu vestiário me vendo NUA — ela rebateu na mesma hora. — Quem é mais invasivo aqui?
Eu abri a boca pra responder e não consegui. Porque ela tinha razão.
Maldita seja.
— Eu não fiz nada de errado — ela continuou, agora firme. — Eu dormi porque estava exausta. E Adrian dormiu ao meu lado porque ficou comigo depois de tudo o que aconteceu. Nada além disso.
Adrian levantou o queixo.
— E se tivesse algo além disso? — disse ele, provocador.
Meu corpo inteiro se tensionou.
— Você quer testar a sorte? — perguntei, a voz baixa de ameaça.
— Eu quero que você pare de assediar ela. — respondeu, sem hesitar. — De perseguir. De infernizar. De se achar dono.
Lianna colocou a mão no peito de Adrian, empurrando-o um pouco.
— Adrian. Por favor.
Ele respirou fundo, mas deu um passo pra trás. Eu olhei pra ela. Ela olhou pra mim. E naquele instante, o quarto ficou pequeno demais pra nós dois.
— Camille contou tudo. — eu disse, com raiva fria. — Contou que você a atacou. Que a ameaçou. Que disse que ela era nada. Que você…
Lianna soltou um riso curto, incrédulo, quase dolorido.
— Ah, claro que ela contou. — ironizou. — E deixa eu adivinhar… contou do jeitinho dela, né?
Eu não respondi.
— Zayden. — ela cruzou os braços. — Eu entrei no quarto dela como médica. Ela quem começou a provocação. Ela me insultou. Ela tentou me humilhar. Eu só respondi.
— Respondeu dizendo o quê?
Ela me encarou de um jeito que eu senti no tecido da alma.
— Você já machucou.
— Lianna…
— Não fala meu nome assim.
Eu respirei fundo, dolorido.
— Então me diz — pedi, sincero pela primeira vez em anos — …você sente alguma coisa por ele?
Ela congelou.bAdrian respondeu por ela:
— Ela sente respeito. Coisa que você nunca deu.
Eu o ignorei. Só olhei pra ela.
— Você dormiu com ele porque queria? — perguntei.
Mais silêncio. Ela abriu a boca. Fechou. Abriu de novo. E então…
— Eu dormi com ele porque eu estava cansada — ela disse, firme. — Nada além disso.
Meu peito soltou um ar que eu nem percebi que estava prendendo.
Camille mentiu. Viviane inflamou. Eu reagi como um idiota.
Mas ainda assim… A visão deles juntos na cama não saía da minha cabeça. Nunca vai sair. Eu olhei pra eles uma última vez. Depois para Lianna.
— A gente vai conversar depois — eu disse, sério.
— Eu não quero conversar com você — ela rebateu.
— O problema — respondi — é que eu quero conversar com você.
E saí.
Antes que o que eu estava sentindo transbordasse. Antes que eu fizesse alguma merda ainda maior. Antes que tudo ficasse pior do que já estava.

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