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Um chefe irritante e irresistível (Celia Oliveira) romance Capítulo 27

Embora não queira se alarmar com a situação, Victor percebe o olhar assustado de Marina e entende que precisa agir.

— Não se intimide com isso, tudo bem? Você sabe que advogados passam por esse tipo de coisa o tempo todo — declara, com a intenção de acalmá-la.

— Sei — diz ela, tentando se recompor. — Só não esperava que isso fosse acontecer tão cedo.

— Melhor não pensar muito nisso. Vista uma roupa e tomaremos café fora. Não confio mais no que nos entregaram — comenta, desamassando o bilhete ameaçador e tirando foto dele, junto da embalagem alterada que entregaram.

Marina caminha até seu quarto, escolhendo uma roupa leve, mas formal, já que o dia promete ser quente no Rio. Ao retornar à sala, ela encontra Victor já pronto, vestido impecavelmente.

— Vamos — diz ele, abrindo a porta do apartamento, deixando-a segui-lo.

Eles descem até o estacionamento, onde Victor destrava um carro estacionado. Em silêncio, entram no carro e os dois seguem pelas ruas da cidade.

Mesmo quieta, Victor nota como ela não para de olhar para os lados, visivelmente tensa, como se temesse ser seguida.

— Se pretende se assustar com a primeira ameaça que recebe, é melhor mudar de profissão antes mesmo de começar — comenta. Seu tom firme chama a atenção dela.

As palavras dele pesam, então ela ajeita-se no banco, tentando demonstrar mais confiança. Embora ainda nervosa, sabe que ele tem razão.

— Quem você acha que mandou a ameaça? — pergunta, deixando a voz agora mais firme.

— Fernando Albuquerque. Tenho certeza de que foi ele — responde Victor, sem hesitar.

— Fernando… o empresário que está usando Raul como bode expiatório?

— Exatamente. Ele está por trás de tudo, e sabe que tenho provas suficientes para colocá-lo atrás das grades. Sabia que ele tentaria nos intimidar, só não pensei que seria tão direto assim — comenta, mantendo o olhar na estrada enquanto dirige pela cidade.

Eles chegam a um pequeno restaurante em uma área nobre, onde Victor decide que tomarão o café da manhã. Assim que se acomodam, Marina observa Victor de soslaio, percebendo como ele parece completamente concentrado no menu.

“Por que ele tem que ser tão atraente?”, pensa, sentindo o rosto esquentar com a direção de seus pensamentos. Mesmo que não queira, acaba pensando em Victor com mais intensidade do que de costume. Talvez isso se deva ao fato de ele ser extremamente bonito e ter uma expressão dura, sempre com um olhar que pode destruir uma mulher na cama.

Ao notar as atrocidades que está pensando, ela tenta disfarçar, mas o desconforto cresce. Desviando o olhar para o ambiente ao redor, tenta focar em qualquer coisa que não seja a presença marcante de Victor ao seu lado.

O garçom traz o café e a torta que pediu. Ela toma um gole, mas o calor do café a surpreende, queimando sua língua. Tentando disfarçar o incômodo, quase não percebe o olhar atento de Victor.

— Ainda assustada, loirinha? — ele pergunta, com o tom mais amigável do que de costume, mas com um leve toque de provocação.

— Não, claro que não. Estou apenas pensando em outra coisa — responde ela, forçando-se a manter a compostura.

Victor nota o leve rubor nas bochechas dela e, sem perder a oportunidade, continua.

— E quem é essa? — pergunta Rebecca, finalmente notando Marina. — É sua namorada?

— Não, pelo amor de Deus! — Victor responde rapidamente, quase rindo da ideia. — Sou um homem solteiro e aspiro continuar assim por muito tempo — acrescenta, como se quisesse deixar claro. — Esta é Marina, minha funcionária. Estamos trabalhando juntos em um caso.

Rebecca lhe lança um olhar avaliador, de cima a baixo, antes de dar um breve aceno de cabeça. Em seguida, volta sua atenção completamente para Victor, como se a presença de Marina fosse insignificante.

— Que ótimo que está solteiro! Isso significa que podemos nos ver esta noite. Vamos beber alguma coisa, o que acha? — propõe, com o sorriso carregado de segundas intenções.

— Não posso, tenho muito trabalho acumulado — recusa Victor, tentando ser educado.

— Ah, não seja assim, Victor. Sinto tanto sua falta. Tire pelo menos uma hora para mim. Você sabe que sei como te distrair como ninguém, em uma hora posso fazer com que relembremos dos velhos tempos, eu juro — provoca, inclinando-se mais perto para sussurrar algo no ouvido dele. — Não consigo esquecer a sensação que é ter você dentro de mim.

Mesmo que Rebecca tenha sussurrado, Marina consegue ouvir perfeitamente. De repente, uma onda de raiva a invade, a sensação de ser ignorada e desrespeitada queima dentro dela. Sentindo-se sufocada, Marina pega o celular e inventa uma desculpa.

— Com licença, preciso fazer uma ligação — diz ela, levantando-se rapidamente e saindo da mesa, deixando Victor e Rebecca a sós.

Enquanto se afasta, não consegue evitar uma pergunta:

— Por que isso me incomodou tanto?

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