OLIVIA
Dois meses haviam se passado desde o incidente com Nick. Ele não deixara Vila Nova, mas mantinha distância. O homem não pedira para ver o filho depois que eu, sem querer, contara a ele. Sim, Samuel não estava por perto, mas ele poderia ter perguntado quando voltaria, porém, não o fez. Ele nem sequer visitara meu pai em minha casa desde então.
Ele ligava para meu pai, e os dois se encontravam em algum lugar, mas ele nunca colocava os pés na minha casa. Não é que eu reclamasse, porém era estranho não o ter por perto justamente quando eu começava a me acostumar a vê-lo toda vez que ele passava pela cidade. Talvez eu devesse agradecer à minha estrela da sorte por ele enfim ter entendido o recado e estar se afastando de mim.
E havia Jennifer. Ela já estava com sete meses de gravidez. Faltavam dois meses para nos livrarmos dela. Depois que voltou do hospital, ela passara a se comportar melhor. Agora os papéis tinham se invertido. Ela não exigia mais nada, e quem fazia tudo por ela era meu marido. Eu não sabia se ele se habituara a cuidar de tudo ou se havia outro motivo por trás.
Ele vivia preocupado com ela, perguntando se estava bem, se precisava de algo, se sentia algum desejo. Aquilo me incomodava, e eu tentava ao máximo compreender, mas às vezes simplesmente não conseguia. Eu não entendia qual era o problema de Marcus e não tinha energia para discutir com ele.
Eu já lhe perguntara antes, e ele dissera que se importava apenas com o bebê, não com a mulher que o carregava. Mesmo assim, para mim ele fazia demais. Ao mesmo tempo, eu também não queria ficar reclamando como se não fosse grata por ela estar carregando meu filho para mim. Eu só queria que ela desse à luz logo, para eu poder ter minha família de volta.
Agora que Marcus não era mais forçado a fazer nada por ela, ele realizava tudo de boa-vontade, como se fosse o marido dela e não o meu. Não vou mentir, aquilo doía. Mas, de novo, quem era eu para ser egoísta e querer tudo?
Eu não conseguia carregar meu próprio filho e, mesmo assim, desejava que meu marido me tratasse como se eu fosse a grávida. Eu estava sendo egoísta, eu acho. Eu só queria que meu coração entendesse isso e colaborasse comigo, que deixasse de ser ciumento e mesquinho, que simplesmente aceitasse os fatos.
— Eu vou ao mercado, alguém precisa de alguma coisa?
Marcus virou-se para mim enquanto assistia à TV, o mesmo programa de que ela gostava. Ele costumava fingir que não apreciava aquele programa e, agora, acompanhava-o de livre e espontânea vontade, chegando a escolher o canal sozinho. A gente realmente acreditava que conhecia uma pessoa.
— Eu não preciso de nada. Jennifer, há algo de que você precise para que eu traga do mercado? — Franzi a testa ao me perguntar por que ele sentira necessidade de se dirigir diretamente a ela. Se ela quisesse algo, teria dito.
— Eu só preciso de mais sorvete. Quando olhei ontem à noite, já não havia nenhum.
Com tudo feito, senti-me renovada, como se pudesse enfrentar qualquer coisa. Se nem agora Marcus olhasse para mim, então eu saberia que o problema não estava comigo, mas com ele. Talvez ele até gostasse de Jennifer agora.
Enviei uma mensagem para meu pai me encontrar no restaurante perto de casa. Eu queria comer algo saboroso, tomar uma taça de vinho e ter uma boa conversa com ele. Depois, ele me levaria de volta para casa. Plano perfeito.
Fui até o estacionamento, entrei no carro e dirigi. Hora de boa comida e boa companhia. Assim que entrei na rodovia, após me juntar ao trânsito, meu telefone tocou dentro da bolsa. Olhei para confirmar se era seguro pegá-lo e, acreditando que sim, inclinei-me até o banco do passageiro para alcançar o aparelho. Deveria ser meu pai querendo saber onde eu estava. Uma das coisas que eu amava nele era que ele nunca me deixava esperando; provavelmente já estava perto do restaurante.
Ouvi uma buzina no instante em que me endireitei com o telefone na mão. Quando ergui os olhos, vi que um caminhão vinha diretamente em minha direção. Olhei para o lado e, então, percebi que eu havia mudado para a outra faixa e agora seguia na contramão.
Tentei reagir rápido e desviei, buscando voltar para a minha faixa, mas já havia outro carro muito próximo quando entrei, e ele bateu em mim de lado, fazendo meu veículo girar. Enquanto eu lutava contra o choque e o pavor, o caminhão de que eu tentara fugir acertou meu carro na quina, e o impacto o girou de volta para minha pista.
Eu não sabia o que mais acontecera; tudo parecia de cabeça para baixo, e eu ouvia apenas um som constante de gotejamento. Foi esse som que, várias vezes, continuou a me trazer de volta à consciência.

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