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Vingança Após o Divorcio romance Capítulo 257

(Ponto de Vista de Xander)

Nos últimos dias, eu observei enquanto eles tropeçavam, completamente perdidos em suas tentativas inúteis de me encontrar. Todas as manhãs, eles partiam ao amanhecer, e, assim que a noite caía, retornavam de mãos vazias, exauridos, com seus esforços desperdiçados… O que, para mim, era uma fonte constante de diversão. Eles simplesmente não faziam ideia de onde procurar, tampouco possuíam qualquer noção real de como se caça alguém como eu, e, sendo assim, tudo aquilo chegava a ser risível. Por um momento, cheguei a achar que fossem perigosos, mas logo percebi o quanto estava enganado, já que não havia nada de verdadeiramente formidável neles, nada que inspirasse medo de fato.

Talvez tudo se resumisse ao fato de que, até aquele momento, eles nunca tivessem cruzado com alguém capaz de enfrentá-los de igual para igual... Ou melhor, de colocá-los em seu devido lugar. Só que, agora, eles tinham me encontrado, e finalmente compreendiam que não eram nada diante do que eu era capaz. Eram apenas amadores, brincando de um jogo que nunca poderiam vencer. Mas Olivia... Ela era um caso à parte. Ela sim… Me surpreendeu.

Esperei encontrar resistência, acreditando que ela lutaria, que reagiria com a intensidade de sempre. Porém, o que presenciei foi apenas obediência. Ela comeu a comida que ofereci sem questionar, quase sem emitir um único som, e aquele silêncio era, sem dúvida, mais perturbador do que qualquer outra reação. Ainda assim, pude perceber, com clareza, que o trauma do que eu havia feito começava a se enraizar de forma definitiva. O estrago estava feito, e esse resultado, por mais cruel que fosse, me satisfazia de maneiras que eu mesmo não conseguia explicar.

Quanto ao incidente das unhas… Esse sim, havia cumprido perfeitamente o que eu desejava. Observar aquele processo, vê-la debater-se, paralisada, incapaz de mover um músculo, era um tipo de tormento que eu sabia que ela jamais esqueceria, e esse era exatamente o objetivo. Não bastava feri-la fisicamente, pois eu queria quebrar a mente dela, fazê-la sentir que não havia saída possível, que estava presa no próprio corpo, forçada a suportar todo o horror que eu lhe infligia.

E o efeito foi imediato. Ela estava completamente destruída. Sempre que eu cruzava a porta daquele quarto, reconhecia, sem dificuldade, o mesmo olhar distante e apavorado dominando seu rosto. Era quase cômico. Ela estava inteiramente aterrorizada por mim, e aquele pavor estampado nos olhos era precisamente o que eu buscava.

— Vou te deixar sozinha de novo. — Avisei, sorrindo enquanto falava. — Não tente nada.

Ri alto, zombando da impotência dela, pois era evidente que não havia absolutamente nada que pudesse fazer. Afinal, eu já a havia injetado novamente, assegurando que permanecesse dócil e completamente incapaz de reagir. Era apenas questão de tempo até que eu terminasse o que comecei, até finalmente ver a vida se esvaindo dela e, enfim, depositar sua cabeça sobre o túmulo do meu pai, como uma oferenda perversa.

— Ah, é mesmo… — Acrescentei, fingindo inocência. — Desculpe, esqueci que você não pode mover as pernas. Que descuido o meu.

Assobiei enquanto saía, deixando-a presa no próprio silêncio, trancada em sua cela imóvel.

Ao caminhar, um sorriso doentio brincava nos meus lábios, pois, além de visitar o túmulo do meu pai, meus planos incluíam entregar o presente prometido a ele no dia seguinte e, logo depois, enviar o corpo da Olivia para Luke.

Era provável que ele nem notasse a ausência da cabeça, pois, para alguém como ele, aquilo não passaria de mais um corpo a ser enterrado, mais uma vítima em meio ao seu jogo distorcido. Contudo, as coisas tomaram um rumo completamente diferente.

Ao chegar ao cemitério, fui tomado por uma cena para a qual não estava minimamente preparado. Havia homens de Luke ali... Mais de uma dúzia, reunidos ao redor do túmulo, remexendo a terra com urgência, escavando os restos do meu pai.

Fiquei paralisado, sentindo o ar escapar dos pulmões, e me abaixei depressa atrás de outra lápide, ocultando-me da vista deles, enquanto observava, com o coração acelerado, tentando assimilar o que, afinal, estava acontecendo.

Cerrei os dentes com força, consumido por uma vontade insana de avançar sobre ele, de causar uma dor que nunca fosse esquecida. Contudo, Luke continuava inabalável, sempre à frente, e bastava observar seu olhar, sua postura, para perceber que ele não se sentia nem um pouco ameaçado.

— Me entregue minha filha. — Continuou Luke, com a voz surpreendentemente calma, como se estivesse apenas discutindo os termos de um acordo. — E eu devolvo os restos do seu pai. Caso decida mantê-la, então eu pego os ossos dele e os descarto em algum lugar que você nunca conseguirá localizar. A decisão é sua.

A frieza com que ele falou me atingiu como um soco seco. Gritei por dentro, desejando arrancar tudo dele, virar aquele jogo, mas, em algum lugar profundo da minha consciência, eu já sabia que estava sem opções. Olivia era minha única moeda, minha única chance de recuperar os ossos do meu pai… E embora eu odiasse ter que decidir, embora odiasse ainda mais ter sido colocado nessa posição por Luke, não havia como fugir daquela escolha.

Foi como se meu coração tivesse se partido de um jeito que eu jamais imaginei ser possível. O mundo girava fora de controle, e eu já não sabia por quanto tempo conseguiria suportar aquilo.

Fiquei parado, completamente dividido entre quem fui e quem me tornei. O homem do passado teria lutado até o último segundo pelos restos do meu pai. Mas, naquele momento, a realidade era outra, envolvendo uma questão de sobrevivência. Era a vida da Olivia ou os ossos de quem me criou. E eu precisava decidir.

Mas, independentemente do que eu fizesse, eu sabia, com uma certeza gélida, que tudo estava prestes a piorar. E eu não fazia ideia se estava pronto para isso.

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