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Vingança Após o Divorcio romance Capítulo 258

(Ponto de Vista de Xander)

Eu estava prestes a fazer a maior aposta da minha vida, ciente de cada risco envolvido. Embora Luke me oferecesse uma escolha, era evidente, no fundo, que ela não passava de uma ilusão, já que tudo havia sido armado para garantir que apenas ele saísse vitorioso. As condições de sua proposta estavam mais do que claras, pois não me deixavam qualquer chance de alcançar minha vingança, enquanto a possibilidade de perder minha vida se impunha como uma sombra inevitável. Apesar disso, eu ainda não estava pronto para morrer, especialmente agora, tendo um filho que me aguardava, alimentando a esperança de que eu conseguiria escapar daquela situação.

Eu precisava pensar rápido, pois Luke me encurralara, e, apesar de o medo provocado pelas palavras dele me consumir por dentro, eu não podia deixar transparecer. Era necessário vestir uma máscara, fingindo um autocontrole que eu não possuía, porque aquilo não envolvia apenas sobreviver ao momento, mas, sim, encontrar uma saída, impedindo que ele triunfasse com facilidade.

Apesar do caos interior, mantive a postura e forcei uma aparência de confiança, tentando ignorar o coração que martelava no peito, as mãos cerradas em punhos ao lado do corpo e o suor que já se acumulava na testa. “Se eu desmoronasse naquele momento, então tudo estaria perdido…”

Luke, como sempre, manteve o olhar fixo, sem piscar, avaliando cada movimento meu com a frieza de um predador estudando a presa, e, justamente por estar tão calmo, tão absurdamente controlado, eu o odiava ainda mais. Ainda assim, não podia recuar, porque eu precisava mostrar força, mesmo que o pavor me corroesse por dentro.

— Vou te dar três opções. — Anunciei, tentando dar firmeza à voz apesar da garganta que tremia, enquanto torcia, em silêncio, para que ninguém notasse o quanto aquilo me abalava.

Ele estreitou os olhos, mantendo uma expressão impassível, como se nenhuma emoção o atingisse, porém me mantive inabalável, recusando-me a demonstrar qualquer fraqueza.

Permaneci ali, enfrentando-o em silêncio, sentindo o peso dos olhares dos homens atrás dele, atentos, aguardando qualquer movimento. No entanto, só conseguia focar em Luke, naquele jeito gélido de quem nunca deixava transparecer fraqueza, o que me fazia questionar se tudo aquilo fazia parte de um jogo maior, se ele apenas me atraía para me destruir aos poucos, ou se, de fato, esse era o verdadeiro Luke, e eu estava enganado por ter pensado que poderia enfrentá-lo de igual para igual.

Convencido de que venceria, de que o superaria com facilidade, eu não percebi o quanto o subestimei, pois ele não era apenas um oponente direto, e sim alguém que movia peças com paciência e frieza, tratando todos ao redor como simples peças descartáveis: e eu era só mais uma.

Diante da situação, engoli em seco, sentindo a secura na boca aumentar, e me forcei a sustentar o olhar dele, já que recuar seria o mesmo que perder, mesmo com meu instinto implorando para que eu fugisse dali.

— Opção um: — Comecei, firme, quase cortante. — Pode me capturar, me torturar, até me matar, se quiser, mas entenda uma coisa: se eu morrer, Olivia morre comigo. Você jamais vai encontrá-la, ela sumirá para sempre. Então, tente, se tiver coragem, mas saiba que nunca terá o prazer de me ver morrer sozinho, porque ela desaparecerá também. E acredite, Luke, esse é um peso que você não vai querer carregar. Você me chama de monstro, mas, no fim das contas, é você quem brinca com vidas, é você quem age sem qualquer misericórdia.

Fiquei atento a cada mínima reação, torcendo para que ele vacilasse ou deixasse transparecer qualquer emoção, porém sua expressão continuava a mesma, fria e indiferente, o que me deixava cada vez mais perto da insanidade.

— Opção dois: — Continuei, respirando fundo. — Você me devolve os restos do meu pai. Eu deixo esta ilha, e, quando estiver suficientemente longe, digo onde Olivia está.

Soltei um suspiro curto, lutando para manter o controle.

— E o que te faz pensar que eu seria idiota o suficiente para cair nessa armadilha? — Ergui uma sobrancelha, provocando. — Não sou ingênuo. Assim que sair daqui, vou direto para o meu quarto no hotel. Pode mandar quem quiser atrás de mim, mas, enquanto eu souber que estou sendo seguido, não vou me aproximar dela. E sabe o que isso significa, Luke? Que ela vai ser deixada para morrer, faminta, sedenta, sem ninguém por perto. E esse peso vai recair sobre a sua consciência! A decisão está nas suas mãos.

Não esperei por resposta, porque, na verdade, já não aguentava mais o sufoco daquela tensão insuportável. Eu havia colocado todas as minhas cartas na mesa e, naquele ponto, restava a ele decidir se continuaria o jogo ao meu lado ou se acabaria comigo ali mesmo.

Enquanto me afastava, senti os olhares dos homens dele grudados em mim, bem como o peso sufocante da tensão pairando no ar. Eu não podia vacilar, muito menos revelar o pavor que me consumia por dentro, porque cada passo distante de Luke e cada segundo entre mim e eles pareciam uma travessia por um campo minado. Afinal, eu sabia que o perigo continuava ali, à espreita, pronto para atacar ao menor sinal de fraqueza.

Rezei com todas as forças para não ser atingido pelas costas, para não terminar meus dias ali mesmo, sem vida, ao lado dos restos do meu pai. No entanto, meu verdadeiro clamor era por Olivia. Não se tratava apenas da segurança dela, mas sim da promessa que carregava comigo: queria voltar, arrancar sua cabeça e enterrá-la junto ao meu pai, conforme havia jurado.

“Eu havia dito a Luke que a deixaria no túmulo, mas em momento algum deixei claro que ela estaria inteira ao ser entregue…”

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