MARCUS
A viagem do aeroporto até o hotel não foi longa, porém, para mim, pareceu uma eternidade, pois, a cada momento que passava, a minha ansiedade aumentava, e o coração se apertava ainda mais com a expectativa de rever minha família. Eu estava desesperado para encontrá-los e, ao mesmo tempo, uma inquietante dúvida martelava no fundo da minha mente, como se me perguntasse "E se, mais uma vez, Nick tivesse mentido para mim? E se tudo não passasse de uma corrida inútil atrás de sombras, sem que eu me desse conta?"
Ainda assim, agarrei-me à ideia de que tudo havia sido cuidadosamente planejado e de que eu tinha executado cada passo de forma correta, porque estava convicto de que Nick não mentiria para mim, pelo menos não dessa vez. Eu tinha ouvido o medo em sua voz quando falou comigo e sabia que era real, visto que o medo podia destruir um homem, e eu acreditava que Nick já estava quebrado. Ele havia confessado e, portanto, eu precisava confiar nisso, já que, se não confiasse, enlouqueceria.
Quando finalmente chegamos ao hotel, nos deparamos com um estacionamento quase lotado, mas, felizmente, conseguimos a última vaga disponível bem em frente à entrada, o que já me poupou alguns minutos preciosos e evitou que tivéssemos de andar mais.
Saí do carro sentindo o peso da situação apertar meu peito, contudo eu não estava sozinho nem entrando em um quarto de hotel sem proteção, pois, seguindo o exemplo de Luke, viajei com um pequeno exército de homens para garantir segurança. Além disso, deixei outros para proteger as demais mulheres importantes na minha vida, uma vez que Olivia jamais me perdoaria se algo acontecesse com elas e, desde que soube que ela havia sido levada, percebi que a pessoa responsável falava sério.
Foi nesse momento que ativei os protocolos de segurança dos Walker e, logo em seguida, mobilizei o pequeno exército que havia trazido comigo. Enquanto caminhávamos até a entrada, avistei Nick parado perto da porta, esperando, e senti uma onda de alívio me invadir ao vê-lo, de modo que só então percebi que estava prendendo a respiração sem perceber.
Dessa vez, ele não tinha mentido… Minha família estava ali, perto o suficiente para que fosse difícil acreditar que eu havia passado todo esse tempo procurando por eles sem saber que estavam ao meu alcance.
— Nick. — Cumprimentei de forma seca e baixa, sem perder tempo com formalidades, e não esperei resposta, pois apenas passei por ele e segui para dentro.
Ele veio atrás, apressando o passo para me alcançar.
— Marcus, me desculpe, irmão, eu… — As palavras dele se perderam para mim, já que eu não tinha paciência para desculpas e, naquele momento, a minha única prioridade era encontrar minha esposa.
— Onde está minha família? — Exigi, firme, ao entrar no elevador.
Sem dizer nada, Nick apertou o botão da cobertura e, embora a subida tenha sido rápida, pareceu demorar uma eternidade. Assim que as portas se abriram, entramos na cobertura, e comecei a vasculhar os cômodos, com a mente trabalhando a mil e o olhar atento a qualquer sinal.
Diante disso, avistei Luke e Ethan.
— Seu idiota! Por que porras fez aquilo? Virou gângster agora ou está tentando ser? O que te deu essa audácia? — Não dei ouvidos a Luke, pois estava focado em encontrar meus filhos e, quando abri a terceira porta, lá estavam eles, dormindo.
Um sorriso involuntário tomou meu rosto e, quase ao mesmo tempo, soltei um suspiro aliviado, já que, a partir daquele instante, nossa prioridade seria apenas encontrar a mãe deles. Então, segui em frente, passando por Luke, que me acompanhou e, ao menos, manteve o bom senso de permanecer em silêncio no quarto das crianças.
— Me diga por que fez aquilo, por que agiu como um criminoso quando não é! — Luke gritou.
— Bem, quando se tem tanto dinheiro quanto eu, é possível fazer o que quiser. — Respondi, pausando para examinar os rostos à minha frente. — Nick chegou a sugerir que eu abrisse uma filial dos Walker aqui, porém percebi que emissoras de notícias seriam um investimento muito mais estratégico, já que me dariam o poder de manipular as informações, e isso, convenhamos, é algo inestimável.
Afundei-me em uma cadeira, mantendo a postura rígida, embora fosse impossível disfarçar o peso do que havia acabado de admitir, e soltei o ar devagar enquanto via os olhos de Nick se arregalarem de incredulidade.
— O que você teria feito? Estamos falando de vidas aqui, Nick. Da minha família. Da Olivia. Dos meus filhos. Eu precisava chegar até vocês e garantir que não fosse tarde demais.
Ele não respondeu de imediato, ainda tomado pelo choque, mas eu sabia a verdade: não havia mais volta.
Os olhares deles, cheios de raiva e descrença, se fixavam em mim, e, mesmo quando Luke abriu a boca para falar, nada do que disse conseguiu me afetar.
— O quê? — Retruquei, firme. — Eu precisava encontrar vocês de alguma forma e usei o que estava ao meu alcance. Vocês realmente pensaram que eu sairia matando pessoas sem razão? Por favor, não sou esse tipo de monstro. — Fiz uma pausa, endurecendo o tom. — Aliás, a Olivia já tem um monstro como pai. Realmente pensaram que aceitaria outro como marido? Que maluquisse.
Aquele jogo havia acabado para mim, e, embora a tensão no ar fosse sufocante, não daria um passo atrás diante da verdade.
Nick, por sua vez, seguia parado, com a incredulidade gravada no rosto e um olhar que misturava confusão e um traço de culpa, deixando evidente que não compreendia totalmente minhas razões. Quanto a mim, não restava qualquer disposição para continuar explicando.
— Então, o que vamos fazer para encontrar minha esposa? — Perguntei, vendo Nick parecer exausto e derrotado, como se a situação já tivesse sugado todas as suas forças.
Eu não tinha tempo para lidar com incertezas, até porque já havia desperdiçado demais com explicações e justificativas. Precisávamos de ação e respostas imediatas.
— Temos que parar de perder tempo. — Declarei, virando-me para o grupo. — Não há mais espaço para erros. Já encontrei meus filhos, agora vamos atrás dela.

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